Textos
15/06/2015

largeEu sonhei com você nessa madrugada. Foi engraçado quando eu abri meus olhos e percebi que não era de verdade, porque era tão real. Era tão, tão real. A gente no sofá vendo um filme, e aí no meio você para e começa a fazer cócegas em mim. É uma coisa boba e pequena, mas a risada gostosa me fez acordar. Ou vai ver foi o susto de me ver sorrindo ali perto de você. Sabe aqueles sonhos que a gente vê a cena acontecendo como se estivesse de cima? Então, foi um desses.

Eu vi a gente ali com as pernas entrelaçadas e você rindo das minhas gargalhadas. Às vezes você parava para olhar pra mim, e aí era como se aquela minha risada fosse a coisa mais encantadora do mundo, suficiente para fazer você nunca perder o seu fascínio por mim.

Eu acordei e chequei no celular, você estava online por último há sete minutos. Se eu tivesse acordado sete minutos antes teria te pegado online, mas eu não teria falado com você, então, realmente, que diferença faria isso? Racionalmente eu sei disso, mas sempre que estou online olho para ver quando você visualizou por último e quando você está online eu me sinto um pouquinho confortada, como se pelo menos em alguma coisa nós ainda estivéssemos em sintonia.

Você disse que queria tempo para pensar, e eu te dei todo o tempo do mundo, mas exatamente quando faziam quatro dias que eu não te falei nada, você me chamou inbox para falar de uma coisa que aconteceu no trabalho. E aí como da primeira vez que eu me afastei de você, você veio falar comigo.

Haviam váaarias palavras escritas na tela, e saudades não era nenhuma delas, mas tudo que eu lia eram entrelinhas e elas diziam “sinto sua falta”, “quero falar com você”, “não se esqueça de mim”, “cadê minha melhor amiga”. Você não podia nem esperar dar uma semana, tinha que falar comigo sempre que eu parava de falar com você.

Eu consigo não me lamentar, e consigo sentir sua falta na minha. E até falo com você às vezes, porque, primeiro, você quis que a gente fosse amigo, e, segundo, você quem quis parar com os filmes, carinhos, pernas entrelaçadas e gargalhadas. Vai ver a minha risada não era a coisa mais encantadora do mundo, vai ver você precisava ouvir outras para decidir.

Mas eu não te chamei por quatro dias, e todas as vezes que você estava online que eu queria conversar com você e não conversei matou um pouquinho de coisas dentro de mim, apesar de eu me sentir um pouco mais forte cada vez. Mas você falou comigo, você me contou tudo sobre seu dia e depois me mandou um link de um quadrinho engraçado no Facebook, como se nada tivesse mudado. Vai ver o fantasma da sua presença é o principal causador dos meus sonhos. Vai ver o fato de você não conseguir ficar quatro dias sem falar comigo também quer dizer que você fica olhando pra ver se eu estou online ou quando visualizei por último.

Vai ver você precisa pensar no que isso significa. Pode ser que minha opinião não seja lá a mais imparcial de todas, mas eu diria que quer dizer que você quer minhas risadas de volta.

Beijos,
Carol Santana
Textos
06/06/2015

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Sabe o que é, você estava errado. Eu não posso deixar de te amar. No que a gente transforma o amor? O amor deixa de existir? Ou sofre uma mutação? Você acha que um dia eu vou olhar pra você e sentir outra coisa? O amor não é um integrante dos power rangers que você ativa um maldito relógio e morfa para outra coisa completamente diferente.

O amor continua. É uma planta que cresce e a menos que você a mate, vai existir para sempre. Eu não posso matar o amor, porque ele não é meu. O amor que te dei é seu, não posso recolher, não posso tomar de volta só porque você não quer mais. Será que esse amor, que não é mais de ninguém, fica pairando no ar até encontrar alguém que queira assumi-lo e tomar conta dele como se fosse novo? Como se fosse dele?

Você disse que eu te preenchi por completo, imagino que agora você vá se esvaziando, vagarosamente até ficar completamente murcho. E um dia já não vou mais existir em você. Um balão vazio que não pode voar. Mas eu achei que podíamos voar juntos. Achei que fosse uma boa ideia, e por isso eu dei tudo de mim. Preenchi mesmo, não nego. Preenchi porque eu tive uma necessidade tão grande de me fazer existir em você como você existia em mim.

E se você se esvazia do amor que dei, ele desce pelo ralo? Eu preciso saber o que acontece com o amor, quando a pessoa que é dona dele decidi não ser mais. Eu espero que você saiba. Eu espero que você me conte. As lágrimas que a gente chora secam, mas o sal continua na pele. Vai ver tem uma parte do amor que evapora, mas uma parte que é mais densa fica sempre presa conosco.

E eu fico aqui pensando se eu sou tão tóxica que você precisa tirar de dentro de você tudo que é meu. Vai se esvaziar para se encher do que depois? Eu queria ter sido o bastante. Eu queria que você tivesse olhado para mim e dito que não precisava de nada mais,  que eu era suficiente. Mas eu não fui. E tudo bem que eu não fui, o problema não é ter deixado de ser, o problema é que eu só consigo pensar: nos power rangers, nas tardes que passamos deitados sem fazer nada apenas dando risada, no amor que não vamos mais compartilhar e nos vôos que não podemos fazer mais, porque fomos deixados com um balão que não pode mais voar.

Eu não posso cortar a raiz dessa planta que é amor. Eu não posso porque não fui eu quem a adubei. Não a coloquei no sol e nem dei água. Ao menos não sozinha, por isso você não pode esperar que eu arranque fora as raízes e esqueça que essa planta um dia existiu. Eu queria que ela florescesse.

Como cortar pela raiz, se já deu flor. Como inventar um adeus, se já é amor? Não quero reescrever as nossas linhas, que se não fossem tortas não teriam se encontrado. Não quero redescobrir a minha verdade se ela me parece tão mais minha, quando é nossa.

Espero que um dia ela floresça em você novamente. Nada me fez tão feliz na vida como fingir que nasci para a jardinagem dupla, ao seu lado.

 

Beijos,
Carol Santana
Textos
02/06/2015

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O problema do amor é que quando a gente conhece alguém e se apaixona, a gente acha que essa pessoa acabou de brotar ali, novinha em folha pra gente amar, sem qualquer ferida, sem qualquer passado, sem qualquer bagagem ou cicatriz. E a gente se esquece de quem feriu a gente também, e esquece o porquê fizeram isso.

Não é porque são pessoas cruéis que elas machucam as outras. Sim, existem algumas pessoas maldosas que machucam pelo prazer de presenciar a dor. Mas eu acho que a grande maioria só está ferida demais para conseguir dar alguma coisa diferente do receberam. E assim todos os relacionamentos vão continuando em cadeia, até que alguém perceba que não precisa imitar as ações do outro. Até que alguém decidi que se o Sol nasce todos os dias é porque é possível seguir em frente.

Até que você decide.
Você perdoa todas as pessoas que partiram seu coração. Você faz isso não porque você é muito bom e puro, mas porque já não faz sentido culpar pessoas por oferecerem o que tinham para oferecer. Alguém os machucou, eles machucaram você, e o que você vai fazer com isso? É simplesmente tão libertador quando a gente percebe isso.

Eu espero que você perceba. Eu espero que você descubra que há mais em você do que as pessoas colocaram, e que você pode dar mais do que te deram. Eu espero que você perceba que a felicidade é uma coisa que se produz dentro do corpo humano, não fora, e que você, membro ativo da comunidade homo sapiens, possui um cérebro capaz de fazer contas e pular fora dessa equação cuja soma não resultou em nada além de corações quebrados.

Demora até você perceber que você sangra, que você quebra os outros. Que você é tão culpado quanto todos que vieram antes de você e não passaram nesse teste com mais do que uma equação marcada com canetas vermelhas. A equação é o seu relacionamento que você colocou os números errados e não olhou que enquanto um for menos e o outro for mais vai dar negativo. As marcas em vermelho são todas as dores que você causou por não saber somar. Mas a gente aprende. Ninguém reprova pra sempre.

A gente aprende a quebrar o ciclo vicioso de dor, e descobre que isso é muito libertador, que de repente até mesmo dois menos somam positivo. Que não é porque alguém te feriu que você vai morrer. A vida não termina depois de um 0. Tudo bem que a gente quebra a cara algumas vezes. Tudo bem que às vezes a gente precisa de uma prova de recuperação, tudo bem que às vezes a gente acha que colar é o único jeito de acertar.

Mas a gente aprende, e descobre que é apenas uma questão de tempo e perspectiva até encontrar o menos que vai se juntar a nós pra fazer a equação mais positiva de toda a nossa vida. Então a gente vê um simples Sol, com todo seu esplendor e glória e esse Sol, que esteve lá a vida inteira, te faz entender que você foi vítima, e foi bandido. Esse Sol te faz entender que já basta de receber equações marcadas em vermelho, que você não precisa culpar quem te feriu, ou quem errou com você. Quem foi menos quando você era mais. Quem foi mais quando você era menos. Quem usou a própria bagagem de dor para te ferir.

Você perdia porque estava o tempo todo querendo somar com quem nunca ia ser compatível com o resultado positivo que você queria. Você perdoa porque equações matemáticas viciosas que só resultam negativo não são mais importantes para você.  O importante é o amor, a paz, você e a pessoa que te ensinou a fazer a equação perfeita.

Beijos,
Carol Santana
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