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Sabe o que é, você estava errado. Eu não posso deixar de te amar. No que a gente transforma o amor? O amor deixa de existir? Ou sofre uma mutação? Você acha que um dia eu vou olhar pra você e sentir outra coisa? O amor não é um integrante dos power rangers que você ativa um maldito relógio e morfa para outra coisa completamente diferente.

O amor continua. É uma planta que cresce e a menos que você a mate, vai existir para sempre. Eu não posso matar o amor, porque ele não é meu. O amor que te dei é seu, não posso recolher, não posso tomar de volta só porque você não quer mais. Será que esse amor, que não é mais de ninguém, fica pairando no ar até encontrar alguém que queira assumi-lo e tomar conta dele como se fosse novo? Como se fosse dele?

Você disse que eu te preenchi por completo, imagino que agora você vá se esvaziando, vagarosamente até ficar completamente murcho. E um dia já não vou mais existir em você. Um balão vazio que não pode voar. Mas eu achei que podíamos voar juntos. Achei que fosse uma boa ideia, e por isso eu dei tudo de mim. Preenchi mesmo, não nego. Preenchi porque eu tive uma necessidade tão grande de me fazer existir em você como você existia em mim.

E se você se esvazia do amor que dei, ele desce pelo ralo? Eu preciso saber o que acontece com o amor, quando a pessoa que é dona dele decidi não ser mais. Eu espero que você saiba. Eu espero que você me conte. As lágrimas que a gente chora secam, mas o sal continua na pele. Vai ver tem uma parte do amor que evapora, mas uma parte que é mais densa fica sempre presa conosco.

E eu fico aqui pensando se eu sou tão tóxica que você precisa tirar de dentro de você tudo que é meu. Vai se esvaziar para se encher do que depois? Eu queria ter sido o bastante. Eu queria que você tivesse olhado para mim e dito que não precisava de nada mais,  que eu era suficiente. Mas eu não fui. E tudo bem que eu não fui, o problema não é ter deixado de ser, o problema é que eu só consigo pensar: nos power rangers, nas tardes que passamos deitados sem fazer nada apenas dando risada, no amor que não vamos mais compartilhar e nos vôos que não podemos fazer mais, porque fomos deixados com um balão que não pode mais voar.

Eu não posso cortar a raiz dessa planta que é amor. Eu não posso porque não fui eu quem a adubei. Não a coloquei no sol e nem dei água. Ao menos não sozinha, por isso você não pode esperar que eu arranque fora as raízes e esqueça que essa planta um dia existiu. Eu queria que ela florescesse.

Como cortar pela raiz, se já deu flor. Como inventar um adeus, se já é amor? Não quero reescrever as nossas linhas, que se não fossem tortas não teriam se encontrado. Não quero redescobrir a minha verdade se ela me parece tão mais minha, quando é nossa.

Espero que um dia ela floresça em você novamente. Nada me fez tão feliz na vida como fingir que nasci para a jardinagem dupla, ao seu lado.

 

  • dia 08/06/2015

    Também queria que o amor se transformasse em outra coisa. Bastante decepção e raiva, porque quando me decepciono e fico com raiva de alguém dificilmente volto atrás e sei que fica bem mais difícil de cultivar o amor. Queria demais olhar pra essa pessoa e não sentir nada, como sempre foi. Queria que, no final das contas, elas só se tornasse uma lembrança qualquer. Mas tô trabalhando nisso e vou conseguir. A gente tem mesmo que seguir em frente, porque nem sempre dá pra viver morrendo pelos outros. Adorei o texto! <3

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  • dia 31/07/2015

    Oi Carol,
    Eu deveria comentar em um texto mais recente, eu sei. Mas dei uma olhada em todo o seu blog e escolhi esse, primeiro, porque tem como inspiração uma música da Sandy. Sim, sou fã, muito, muito, muito fã. Ganhou meu coração de início esse texto.
    Daí eu li, e caramba, quanto sentimento, quanta verdade. Quando o cd com essa música foi lançado, eu tinha acabado, quero dizer, foi exatamente no mesmo dia em que eu terminei um namoro. Consegue imaginar o quanto eu me apaguei nessa música? Pensava exatamente isso “Eu não posso cortar a raiz dessa planta que é amor. Eu não posso porque não fui eu quem a adubei. Não a coloquei no sol e nem dei água. Ao menos não sozinha, por isso você não pode esperar que eu arranque fora as raízes e esqueça que essa planta um dia existiu. Eu queria que ela florescesse.”.
    Por isso me identifiquei tanto com esse texto. Hoje em dia, eu já superei essa história e agora tenho um novo amor florescendo, mas sempre que escuto essa música sinto uma dorzinha no coração. É tão verdadeira, tão linda.
    Enfim, eu amei o seu texto e todos os outros que eu li no seu blog, Adorei tudo por aqui! :)

    Beijos
    http://www.miragemreal.com

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    Carol Santana,
    dia 31/07/2015

    Oi @Maria Carolina Araujo,
    Eu também sou muito fã da Sandy, principalmente porque achei os trabalhos solo dela muito reais, as letras são lindas e a melodia dá uma paz, né? Essa é a minha favorita, apesar de ser, como você disse, um pouquinho dolorosa.
    Obrigada, fico feliz que você tenha gostado dos textos.

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  • dia 09/09/2015

    This piece was cogent, welniwr-ttel, and pithy.

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