Se ele pudesse ler isso acharia que escrevi para ele. Acharia que escrevo pra ele. Parece arrogância, eu sei, mas ele acharia, porque é desses que costuma tomar tudo para si, inclusive todas as verdades do mundo.

Essa aqui não, essa aqui é pra mim. Essa aqui é a minha verdade.

E já ouvi que a verdade é uma questão de perspectiva, sabe? Que as pessoas tem direito à interpretação de texto, e que o ponto de vista dos outros deve ser respeitado. Nesse contexto isso não é nada além de uma mentira. E aqui escrevendo essa carta eu quero dizer que a mentira também é importante, porque só através dela é que descobrimos o que é verdade. Só pode haver a verdade porque há a mentira.

Essa carta não é sobre um ponto de vista, porque a verdade não é sobre como as pessoas entendem os fatos: a verdade é sobre os fatos. Logo, essa carta não é sobre a percepção, ou como ele usou a percepção dele para ferir, magoar e ser dono da verdade. As pessoas tomam perspectivas para si, e constroem castelos com tijolos de mentira, desconsiderando completamente a verdade de quem modelou o barro: isso não é ponto de vista, isso é se aproveitar de quem não pôde se posicionar com explicações. E há tantas pessoas que se cercam de um imaginário e nunca permitem que você o desconstrua.

Quando as pessoas vão embora, independente do porquê, o como é o que nos diz o que elas não disseram quando chegaram.

Dylan Furst

A verdade dói. Ela sempre vai doer em alguém. Às vezes ela dói em quem não é forte o suficiente para proclamá-la, às vezes ela dói em quem não é forte o suficiente para ouvi-la, tem outras chances de ela doer em quem a forjou sob ferro e fogo temperados a força em labaredas de ódio. Disfarçam muitas coisas de verdade, sabe? Se ele pudesse ler isso acharia que escrevi para ele, porque ele me feriu com verdades forjadas mais de uma vez, e aceitei as marcas quentes de sua incompreensão pois é fácil aceitar quando uma pessoa te culpa, quando você a ama a suficiente para esquecer de quem você é.

Mas não é sobre isso. Não pode ser. Você precisa aprender que há uma vida, – é a sua – e há uma verdade, – é a sua – e o que as pessoas tentaram te fazer acreditar além disso não é sobre você, é sobre elas. O que você viveu, o que você fez com isso, quem você é, o que você escolheu fazer com o que te deram, a pessoa que você construiu, as intenções que teve, as pessoas de quem abriu mão, e até as de quem não abriu – mas foram mesmo assim. É sobre você. Você é o dono dessa verdade, não deixe que nenhum amor no mundo te faça abrir mão disso: quem você é a verdade, não quem te disseram que você é.

Eu sei que a gente teve tudo. Ele e eu, é o que quero dizer. E foi por esse motivo que por muito tempo eu não entendi quando foi que a gente se desfez um do outro. Como, ou porquê foram respostas difíceis, tijolos pesados, entende? Mas quando nunca é uma resposta precisa o suficiente, porque o tempo nos muda e com ele perdemos a perspectiva e precisão dos fatos: adquirindo outras. Novas verdades são refeitas com o tempo, e é por causa dela que estou aqui. Não por causa do que existiu, não por causa do que foi contado, não por causa de quem viveu isso, não por causa do que poderia ter sido, não por causa do ponto de vista de quem contou histórias sem saber delas.

É por mim.

A verdade sempre vai doer em alguém. Conhecer a dele, forjada em brasa e ferro, me feriu. Por muito tempo procurei explicações para pecados que eu não cometi, me desculpei por falhas que não foram minhas, me humilhei por um perdão de que nunca precisei, chorei por sonhos que não destruí e tentei remendar corações que eu não parti. Mas essa dor não é minha, porque a dor da minha verdade é dele que nunca a ouviu e construiu castelos sobre tijolos de mentiras mal interpretadas.

E é tão fácil imaginar a grandeza dos reinos construídos às pressas nas carcaças dos sonhos dos outros. Por isso deixamos.

Mas não posso deixar mais, não posso. É por mim. Só posso contar essa verdade porque há uma mentira, e eu não posso mais deixa-la queimando por ai. Então, sei que se ele pudesse ler essa carta ele acharia que é pra ele, e ele a queimaria como fez com todo o resto que precisou destruir para fundamentar seu palácio forjado sob um ponto de vista egoísta e enganoso. Não posso lutar contra tais chamas, por isso eu diria – se fosse pra ele – que a queimasse então.

Pela última vez pra ele.

Pela primeira vez por mim. E a verdade está aqui agora, e não me dói proclamá-la, e me sinto forte o suficiente em ouvi-la, e me orgulho em como ela se manteve aqui por mim, e da integridade em meu castelo e da coragem que tenho em habitar nele. É tão difícil para as pessoas admitirem que erraram, principalmente quando elas ferem os outros, flambando-os em seus comos, quandos e porquês. Por isso eu não acho que minhas explicações resolveriam qualquer coisa, e antes era esse o motivo de eu não tentar me explicar, mas agora é por mim.

É por mim que eu estou aqui. É por mim esse castelo.
Foi por mim. Que sobrevivi, que escrevi, que dancei, que acreditei.
Mas não vou me explicar, e esse é o motivo de essa carta também ser por mim. Porque hoje eu sei que mais do que não precisar mais: eu não quero. Eu acredito em mim, e isso basta. Eu sei quem eu sou e nenhum ponto de vista corrompido pode mudar isso, nenhum falso amor pode me torturar para que eu acredite que preciso.

As pessoas sempre vão embora. Quando elas precisam, porque já não podem mais ficar onde não lhes cabe. O como é o que mascaram em labaredas inflamáveis e perigosas para não admitirem de que é por elas – nos fazem acreditar de que foi por nós. O como é o que fica. Hoje eu sei que não foi por mim. Aqui do alto dos meus tijolos rearranjados eu vejo que o porquê não foi por mim, apesar do que o como tentou fazer parecer. Por isso eu diria a ele que queimasse essa carta se pudesse lê-la.

Mas não pode, porque teria que por a mão no fogo primeiro.

Meu quando é agora, meu como é essa carta
o porquê agora você já sabe.

É por mim, e isso basta.

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proud and standing,
alive and healed,

absolutely sure and honest,
cs

É bem comum no meu aniversário eu me aventurar na tradição de fazer listas. Amo listas e faço com uma frequência recorrente na minha vida, por isso gosto de traze-las pra cá quando consigo: são uma parte importante da Carol – hahaha.

Falar sobre o que eu vivi nos meus 23 acabou se tornando um momento que esperei por certo tempo, afinal, foram muitos aprendizados e lições valiosas no último ano. Lições que a Carol de 2017 suou bastante pra aprender e das quais sou muito grata. Hoje eu quero falar sobre isso. Sobre as lições – sim – mas, e especificamente, sobre gratidão.

1. Estar vivo é um presente. Sei que há pessoas que talvez descordem disso, que refletem muito sobre a morte como a melhor opção de cessar a dor e eu, que nunca fui uma pessoa com hábitos de ficar super ultra animada no meu aniversário, esse ano me vi ansiosa e feliz quando essa data chegou. Quer dizer, parabéns por ter não ter sido atropelada por um ônibus?, eu pensava, há pouco mérito em viver. Mas a verdade é totalmente o contrário: há sim muito mérito em estar vivo e esse ano eu entendi isso. Decidi comemorar meu aniversário e o motivo não poderia ser mais óbvio, e que nem sempre eu observei: eu sou uma sobrevivente. E sou grata pela vida, e eu acho que ser capaz de enxergar pequenas coisas como presentes também facilita em muito nossos conflitos.

2. Mas viver é uma coisa muito difícil. Tomar decisões, amadurecer, deixar pessoas, seguir sonhos, encontrar forças em si mesmo para se curar de feridas que os outros vieram e deixaram em ti, isso requer muita força. Força essa que nem sempre eu tive. Então eu também quero agradecer Àquele que não apenas me deu a vida, mas também tornou muito fácil para mim vive-la. Eu não teria chegado até aqui sem Deus, e hoje – e pra sempre! – Ele é a primeira pessoa a quem eu agradeço. As pessoas sempre dizem que Deus é Pai e por isso todo mundo é filho dEle, mas isso não é verdade. Família se escolhe, não se impõe a paternidade a alguém. Deus criou todas as coisas, sim, e Ele é Pai, sim, mas Ele é Pai daqueles que o escolhem como Pai. E ter escolhido ser abrigada em seus braços de amor foi a escolha que eu mais acertei por toda a vida: ela é que torna possível e suportável todas as outras que vieram, que virão.

3. Eu amo o amor. Eu não me canso dele, eu não me canso de falar dele, eu não me canso de proclamá-lo. E eu sou grata aos meus pais por me apresentarem a ele na instância mais simples e intensa que existe: o de amar alguém como uma pessoa livre. Eu sinto que os 23 foi um ano divisor de águas para mim. Porque todas as coisas ruins e conflituosas que vivi desde 2014 ficaram para trás em 2016 e fui capaz de aproveitar 2017 como meu primeiro ano de decisões livres. Eu me senti adulta com 23 anos e eu não fiquei (sempre) assustada. Porque meus pais não apenas me deram muitos gibis e amor quando eu era criança, eles me ensinaram o lema da família e todos os dias isso fez toda a diferença. Liberdade com responsabilidade.

4. Eu sou grata aos meus pais não apenas pela criação e amor que me deram. Mas eu também quero agradecer seus infinitos esforços em cuidar de mim e tentar, dia após dia, que eu não tivesse nada menos do que eu merecia. As condições nem sempre foram favoráveis, e é por isso que eu aprendi o valor das coisas: caro é o que se paga quando alguma coisa não vale a pena. Porque há um custo que é preciso respeitar para conquistar coisas, e esse custo é o valor. Não poder pagá-lo não significa que seja caro, caro é o que não vale a pena e saber disso me inspira, até hoje, a valorizar o que tenho e correr atrás do que preciso.

5. Sou grata às minhas amigas.
Meu Deus, como eu sou grata às minhas amigas. Falar sobre elas é, impreterivelmente, falar sobre como eu me descobri uma mulher de força. É falar sobre como eu aprendi a amar mulheres sem nunca julgá-las por como se parecem ou poderiam ser, mas amando-as por quem são. Minhas amigas são responsáveis por me mostrar uma versão de mim mesma que nem sempre fui capaz de enxergar e depois que enxerguei nunca mais pude fechar os olhos. Conhecer mulheres inspiradoras é uma parte muito importante de ressignificar todas as inverdades que ouvimos por toda a vida sobre o que significa ser mulher.

6. Esse post é muito especial porque cada foto aqui foi pensada e produzida especialmente para ele, e são fotos que amei idealizar e fazer. Com isso eu também quero dizer que eu sou grata à fotografia. Eu sempre fui muito ligada à diversas formas de expressões artísticas, escrevo desde muito nova e sou apaixonada por cinema desde que eu me entendo por gente, mas a fotografia foi a principal arte que me salvou em meus momentos muito difíceis. Tirar todos é fragmentar o mundo através de um olhar, e se enxergar sob a lente do outro também faz parte do processo de saber como eu posso me enxergar, foi assim que, mais de uma vez, eu vi coisas que me inspiraram a ser e fazer; me inspiraram também a acreditar.

7. Eu sou grata por você.
Meu amigo leitor, minhas amigas leitoras. Eu sinto que eu tenho uma rede muito fiel e querida de pessoas que se conectam com esse espaço. O Horinhas de Descuido é uma parte essencial de quem eu me tornei. Quem me conhece desde a época do blog antigo sabe que quando migrei pra cá eu estava muito determinada a fazer uma coisa diferente, e eu amo que eu tenha conseguido manter a essência do blog – escrever cartas – mas tendo muita liberdade pra falar sobre uma porção de outras coisas em formatos muito diferentes. Aqui a gente tem os textos em inglês lá do facebook, e os projetos do instagram, o canal de Descuido, e é através dos amigos leitores, e para os amigos leitores que essa rede continua. Obrigada, porque eu amo muito ser escritora, mas eu não poderia ser escritora pela metade, e a outra parte de escrever também é ser lido – não faria sentido pra mim gritar e gritar sem ninguém para me ouvir. Gratidão real ♥.

8. Não consigo falar sobre a mulher que eu me tornei sem agradecer à garota que eu fui. Eu me descubro constantemente em construção, mas eu sei que há coisas sobre mim intrínsecas demais para um dia desaparecerem, e me erguer sobre os escombros de uma carol do passado significou ter forças para deixa-la lá, no passado. Eu sou grata pela coragem dessa garota em saber o momento de deixar ir o que doía demais para segurar, e ainda mais grata por ter conseguido descobrir o que manter. Se construir é também – e o tempo todo – se desconstruir.

9. Eu sou grata a Deus pela paz. É o melhor sentimento que já experimentei, e não sei como seria capaz de prosseguir na vida sem uma consciência leve e um espírito certo de que há esperanças. A paz é o sentimento que me mantém firme nas minhas escolhas e me guia pelos labirintos de dúvidas: me assento onde meu coração se acalma.

10.Eu sou grata pela vida. Sim, já falei isso. Mas sou realmente muito grata. Porque passei muito tempo focada em sobreviver, e foi comum que eu nem sempre lembrasse que viver e sobreviver são coisas distintas. Mas eu me sinto viva hoje, e eu sou grata por isso. Sonhos morrem, amigos morrem, partes de nós morrem. A vida é cheia de morte, tanto que a própria vida se rastejar pelas frestas de luz até a superfície entre tantos túmulos chega a ser um milagre. Eu sou grata pelas várias mortes que se fazem necessárias, sou grata até pelos túmulos em si – há coisas pesadas demais para levar pra eternidade, deixar coisas para trás e enterra-las é uma parte importante da leveza de seguir adiante – mas, e principalmente, sou grata pela luz que se esgueira em meio a escuridão.

Obrigada a cada um de vocês que me dá a oportunidade de estar aqui, gritando a plenos pulmões e refletindo luzes em seus momentos de dor, abraçando com palavras corações cansados e compartilhando juntos esse milagre que é viver. Sei que há muita vida pela frente, e é hoje – e sempre – um prazer poder dividir isso com quem escolhe estar aqui.

Tem uma pessoa sem a qual esse post não poderia ter sido concluído. O cara que se engajou muito em pensar nas fotos, produzi-las, editá-las e me ouvir falar sobre eu mesma, o blog e minha escrita por muitas madrugadas, sempre rindo e animado apesar dos meus horários malucos. Pra ver um zilhão de fotos sensacionais é só clicar aqui e conhecer o Igor, um presente descuidado de 2018.

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com amor,
cs

Eu não lembro quando foi a última vez  que eu me sentei para escrever sobre o amor e as palavras vieram alcançar a ponta dos meus dedos como quem corre uma maratona de 5km pela primeira vez e quer muito cruzar a linha de chegada pra provar que conseguiu. Dessa vez vieram. Eu olhei para um lado, olhei para o outro e lá estavam elas sentadas ao redor da mesa com as mãos cruzadas uma sobre a outra me encarando como quem espera um posicionamento importante de uma pessoa que toma sérias decisões.

As palavras me esperaram aqui.

Sinto que ficaram paradas por muito tempo, e mesmo correndo e me esforçando muito eu não estava pronta para alcança-las. Falar de amor é – sempre – falar sobre o tempo. E impreterivelmente, mesmo que implicitamente, estamos presos dentro do diâmetro do relógio. E podemos correr, correr, correr, mas nunca sair pra fora dele. E podemos correr, correr, correr, os ponteiros eventualmente vão nos alcançar.

Os ponteiros me alcançaram aqui.

Foi num por do sol desenhado pelo dedo de Deus que enxerguei cores que há muito tempo vinham correndo pra longe de mim. É tão engraçado as cores que Papai escolhe pintar certos capítulos. Dessa vez o amor veio numa paleta de verdes e tons terrosos. As palavras que dançaram na ponta dos meus dedos e me esperaram, por muito tempo, até que eu estivesse pronta para entender onde deveriam estar e sobre quem gostariam de falar, despontaram num horizonte da hora mais dourada e escapuliram pra fora de uma boca através de uma risada, escalando por uma bochecha redondinha até se içarem pelos meus ouvidos desbravando territórios há muito tempo perpetuados pelos meus tons frios de azuis e lilases.

As cores dele me encontraram aqui.

E eu lembro que eu não percebi. Eu lembro que eu não vi acontecer. Me falaram que talvez acontecesse, me avisaram que poderia acontecer, me disseram quando saí de lá que talvez tivesse acontecido, mas foi tão natural a junção daquelas cores que eu não enxerguei até que o quadro tivesse bem misturado. Era uma imagem bonita de se ver, olhando pra ela é como se eu tivesse passado muito tempo me dedicando a pintá-la mas foi tão mais rápido do que todos aqueles quilômetros em que corri das palavras, corri contra – e atrás – (d)o tempo, escrevi – mas principalmente apaguei – sobre o amor.

A arte dele me coloriu aqui.

Eu não sei por quanto tempo ele rascunhou num quadro em branco. Não sei sequer se estava procurando essas cores – não fui autorizada a fazer essas perguntas -, não sei se ele achou a pintura bonita, se ele gostaria de pendurá-la por ai. Por vezes temo que perguntar seria disparar suas pernas em uma corrida longa demais contra ponteiros que não posso mais tentar alcançar. Eu senti o amor dele, ou o que poderia ser esse amor. Mas falar sobre isso é – sempre – falar sobre o tempo, e apesar de esse ter sido um dos relatos mais fáceis e sinceros que já consegui pintar com palavras, tenho medo de que eu vá fazer perguntas e ao olhar ao redor da mesa elas ainda estarão lá com as mãos cruzadas umas sobre as outras esperando respostas que eu não posso dar.

Tampouco se elas me perguntarem sobre o amor eu não saberei responder, pois corro ao redor do relógio sendo perseguida – e às vezes perseguindo – um ponteiro de amor que é pincel numa tela que não pinto sozinha.

As respostas dele não estavam naquela colina verde naquele dia, e se estavam a luz do sol em seu sorriso me ofuscou o olhar com tantas cores que eu não lembrava que existiam. Mas pra sempre espero a primavera, é quando nascem as mais bonitas flores roxas.

Você não imagina que arte linda vai encontrar por ai, natureza afora. Há tanto mundo depois do horizonte que é o diâmetro do relógio. O negócio é que não é, nunca, possível correr deles. É preciso esperar o tempo dos ponteiros nos alcançarem, e às vezes, só de vez em quando, sabe? Numa badalada entre as doze, um clique acontece e a arte sobrevive, colorindo o mundo inteiro novamente quando duas paletas se encontram.

 

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