Chegou aquela que só participa de projetos fotográficos!

Rufem os tambores, estou aqui para apresentar o Essential Book, um projeto que a Nina, do blog Nina é Uma me convidou para participar. A proposta é fotografar, uma vez por mês, a essência de um personagem, mas, por ser um projeto bem livre não tem nenhuma personagem pré-estabelecida, e sim uma temática em comum. O tema de fevereiro foi a essência de uma personagem feminina – que pode ser a protagonista ou não.

Não tinha como ser diferente, né migos, vamos lá que eu decidi começar com Hermione Granger, e como ela dispensa apresentações vou direto para as fotos.

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I. Não sei como vocês se sentem em relação à Emma Watson mas eu sei que eu a amo, e apesar de ter sido a atriz no trio principal que mais conseguiu se livrar da estigma de ficar eternamente marcada como “Aquela menina do filme do Harry Potter”, ela é para mim a Hermione perfeita.

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II. Tentei ir separando ao longo dos sete livros os meus momentos favoritos da Hermione, mas não botei todos pra não ficar um montão de fotos, hahaha. Qualquer pessoa que me conhece sabe que o meu livro favorito da coleção de Harry Potter, é, sem dúvida, o Prisioneiro de Azkaban. Os motivos são infinitos (são mesmo, já tentei contar!) mas uma das razões é o quanto da personalidade da Hermione podemos conhecer.

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III. Em contrapartida com o livro anterior, O Cálice de Fogo é o livro que eu menos gosto! Vou revelar um segredo aqui: Eu custei terminar de lê-lo. Me orgulho em dizer que já li a série Harry Potter várias vezes mas a verdade é que O Cálice de Fogo eu custei ler uma, e, PASMEM, fui pulando algumas páginas porque não tenho paciência com tanta lenga lenga. Acho que a J.K.Rowling é uma mulher de infinitos talentos mas lidar com sentimentos amorosos da adolescência não é o maior deles, então acho difícil engolir que um livro daquele tamanhão é só pra falar que o Voldemort voltou.

Masss, a verdade precisa ser dita, um dos melhores acontecimentos da série é o “relacionamento” que a Hermione tem com Victor Krum. O Baile de Inverno inicia tudo, e é nele que Rony começa a perceber como pode ser chata a vida sem a sua melhor amiga. Uma das melhores cenas tanto do livro como do filme, para mim, é quando Rony vê Mione toda arrumada chegando na festa, a-d-o-r-o! Compensa todas outras cem mil páginas do livro.

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IV. Chegou o meu segundo livro favorito. Não, não é coincidência que as histórias que eu mais goste são as que dão mais destaque aos marotos e ao Sirius, é a verdade da vida mesmo que eu sou apaixonada por eles e amo ler tudo que tem a ver com o universo deles, inclusive foi assim que comecei a escrever fanfics e virei escritora. A Ordem da Fênix é um livro mais pesado, acho que assim como no Prisioneiro aqui o trio começa a encarar uma nova realidade e por causa disso são forçados a crescer. A Armada de Dumbledore é uma iniciativa da Hermione, e eu decidi fotografar esse pergaminho, que é uma cópia com a assinatura de todos os participantes da AD, porque acho que poucas coisas são tão nossas quanto nossa caligrafia. Achei que a da Mione combina muito com ela.

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V. Não sei falar pra vocês o quanto eu esperei pela cena que selaria o amor (ao meu ver já muito evidente) entre Ron e Mione. Mas nem nos meus melhores sonhos eu podia esperar que seria um beijo tão leve, fofo e natural quanto esse. Me lembro até hoje de quando Harry Potter e as Relíquias da Morte foi lançado e a Máfia dos Livros foi traduzindo e soltando capítulo por capítulo e eu lendo ao longo da madrugada com a minha irmã no mesmo computador, esse dia foi loco, quando chegamos nessa parte quase tivemos um ataque.

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VI. Não tinha como falar da Hermione e não falar da paixão pelos livros, né? Apesar de As Relíquias da Morte ser um livro bem corrido e com muitos acontecimentos, a parte da caça às horcruxes, depois que o trio foge e passa a se refugir em florestas, eu acho meio parada. Um dos meus maiores confortos é quando eles vão visitar o sr. Lovegood e a Hermione associa a história com o livro que o Dumbledore deixou para ela. Só um aficionado por livros poderia apostar tanto em uma história de dormir, o próprio Rony que já conhecia a história desde sempre não imaginava que podia ser real. Na minha opinião Dumbledore foi muito mestre em deixar presentes tão relacionados a cada um deles, às vezes fico me perguntando o que ele me daria.

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VII. Sempre tive dificuldades em lidar com a divisão dos personagens nas casas de Hogwarts porque, em primeiro lugar, eu acho que não deveria haver essas casas, e, em segundo lugar, a maioria dos personagens eu acho que foi pra casa errada. Então eu sempre fiquei me perguntando porque a Hermione não estava na Ravenclaw.

Resolvi responder meus próprios conflitos com uma das cenas que mais mexe comigo, quando a Hermione conta aos meninos que apagou a memória dos pais dela para evitar que eles fossem capturados, torturados e revelassem qualquer informação aos comensais sobre ela ou sobre Harry. Ou seja, os pais dela deixam de saber que ela é filha deles, deixam de saber, na verdade, até que ela existe. Não tem prova de lealdade maior do que essa.

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Espero que tenham gostado do projeto e da personagem que eu escolhi. Quem tiver mais informações sobre a Hermione que gostaria de adicionar à minha postagem deixe aqui nos comentários que eu posso até adicionar outras fotos depois!
Para conferir as postagem sobre a essência de uma personagem feminina em outros blogs é só clicar abaixo.

Segredos de uma cerejeira | Amantes da leitura | Raphael Sulivã |
Livro arbítrio | SammySacional | Nina é UmaCupcakeland |
Pensamentos valem ouro | Outro capítuloNaive heart
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Lá na época do Caixa-A-A eu fiz  uma postagem na qual falei um pouco sobre os 3 dias que passei na Irlanda. Quem lembra? Não foi o suficiente. Eu não fazia a menor ideia de que ia me apaixonar tanto pela Ilha Esmeralda. O principal motivo pelo qual fomos lá foi para conhecer o Cliffs of Moher, um penhasco no qual gravaram as cenas da caverna onde o Voldemort esconde o medalhão em Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Mas foi tudo muito rápido pois o objetivo da viagem era partir pra Londres e visitar os Estúdios do Harry Potter em Leaversdeen.

Sempre tem aquela viagem que a gente sonha a vida inteira e passa mais mil anos pagando, né? Londres sempre foi essa viagem pra mim. Mas quando eu desembarquei em Dublin me arrependi na hora: eu só tinha separado três dias pra gastar ali e o lugar era muito mais do que eu podia imaginar mesmo nos meus melhores sonhos. Não ia dar tempo.

A Irlanda me conquistou não foi nem em dois tempos, foi em um só mesmo. E depois de apenas três diazinhos, um dos quais viajei até Cliffs of Moher, ficou em mim a fome eterna de saber tudo sobre esse lugar. E foi por causa desse desejo e pesquisas incansáveis que eu conheci o E-Dublin, um site AWESOME que te ajuda em tudo (e qualquer coisa) se você quiser fazer uma viagem para a Irlanda (quero!) ou estiver apenas procurando informações sobre esse lugar (também quero!).

Passei muito tempo navegando por lá só procurando informações sobre o lugar porque depois da minha viagem em 2014, eu que me achava super madura e bem organizada com viagens perdi totalmente a esperança de voltar lá tão cedo. Não é falta de fé não, minha gente, e muito menos falta de amor. É falta de euro e lembrem-se que eu sou apenas uma professora tentando subir na vida, ou seja, meu salário não é a melhor coisa do mundo.

Na realidade eu sempre tive um fascínio muito grande por Londres porque foi o primeiro lugar de língua inglesa que eu tive contato (obrigada Mary Poppins) e isso ficou comigo pelo resto da vida, tanto que cá estou eu, fazendo faculdade de Letras tentando aprender o idioma porque us pais nunca conseguiram pagar cursinho de idiomas. O negócio é que a Irlanda é tão encantadora quanto toda a fantasia que eu tinha pela Inglaterra, e talvez ainda mais porque quanto mais eu pesquiso sobre a mitologia desse lugar mais apaixonada eu fico. Já pensou se eu pudesse estudar inglês por UM MÊS e ainda explorar cada partezinha dessa terra?

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Acho que agora finalmente o E-Dublin vai me servir para programar a viajar ao invés de ficar apenas namorando o site e depois chorando embaixo da cama em posição fetal. Eles saíram com um concurso cultural em parceria com a Time2Travel e o vencedor do concurso vai ganhar uma viagem de 1 mês com tudo pago para estudar inglês lá na Irlanda. Isso é o que eu chamo de uma shit-motherfucker-fuck-shit-situation! (referência)

Para participar do concurso tinha que gravar um vídeo de no máximo um minuto falando porquê euzinha mereço ser a escolhida para ir estudar, com tudo pago, na Irlanda. Eu cheguei a conclusão que não tinha jeito de falar nada sobre mim em um minuto então pensei em um gênero onde as pessoas geralmente falam rápido e eis o que saiu, meu vídeo segue abaixo, se você gostou deu um like, vai me ajudar muito e só tem 1 minuto :)

Fingers crossed para que eu ganhe! Além de me ajudar muito no trabalho eu ainda ia poder aprender TUDO sobre esse país que vira e mexe tá aparecendo por aqui (exemplo) e ainda por cima compartilhar muito com vocês, que, eu tenho certeza, também vão se apaixonar por esse lugar. Quem quiser participar ainda dá tempo de mandar vídeo até o dia 29/01/2015. Lá no E-Dublin tem todas as informações.

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“Julgar uma pessoa não define quem ela é. Define quem você é.”

2015 foi um ano muito bom para diversos movimentos. Tivemos a oportunidade e a consciência para nos posicionarmos em diversos casos que foram entrando cada vez mais em evidência a medida que eram discutidos. Teve feminismo, homofobia, racismo e vários outros tópicos que por muito tempo ignoramos, mas quando a bomba explodia com algum caso absurdo de alguém que sofreu algum tipo de abuso, chegava a hora de falar sobre isso, e principalmente de falar sobre o porquê não falamos antes.

Quando a Jout Jout, em fevereiro de 2015, gravou um vídeo no seu até então não tão conhecido canal de Youtube falando sobre relacionamentos abusivos e a necessidade de manter o batom vermelho como uma forma de posicionamento sobre o seu abusador, não apenas o canal dela explodiu como a internet virou o tribunal onde começamos a julgar o que é um relacionamento abusivo, quem está em um relacionamento abusivo, como podemos ajudar essa pessoa a se livrar de um relacionamento abusivo, entre outras coisas.

Veja bem, julgar é um ato necessário para o bem da nossa existência. Se os nossos antepassados não tivessem aprendido a julgar uma frutinha na floresta entre venenosa ou não venenosa é possível que a raça humana tivesse se extinguido (droga, ancestrais!). Julgamos se uma vizinhança é segura para frequentarmos, julgamos se é seguro sentar ao lado de pessoa X no ônibus, julgamos se vai chover e se devemos ou não levar um guarda-chuva. É normal fazer isso pois existe mais de uma definição sobre o verbo julgar.

jul·gar

verbo transitivo

1. Proceder ao exame da causa de.
2. Decidir (como juiz, árbitro, etc.).
3. Sentenciar.
4. Formar juízo acerca de.
5. Imaginar.
6. Crer, supor.
7. Ter na conta de.

verbo intransitivo

8. Pronunciar sentença.
9. Formar conceito.

verbo pronominal

10. Ser juiz de si mesmo; avaliar-se; crer-se.

Quando julgamos se vai chover, ou se uma frutinha na floresta é venenosa estamos, conforme sugere a definição 4 do dicionário, formando um juízo acerca daquilo e dos efeitos que aquilo pode ter para nós, é um ato necessário pois para o nosso próprio bem é melhor que não peguemos um resfriado, ou sejamos envenenados.

No entanto, apesar da necessidade de se julgar algumas coisas, é fato que o verbo se estendeu para outros aspectos da vida, como o julgamento de pessoas, por exemplo.  E estou aqui para destacar como esse julgamento pode facilmente (e imperceptivelmente) se transformar em um relacionamento abusivo e como isso é tão perigoso como uma frutinha envenenada.

Estamos ouvindo em todo lugar, a todo momento e de todo mundo que devemos ser quem somos e as pessoas precisam aceitar isso. Quando a realidade é que isso não é verdade. Quando eu vejo uma mulher assassinar seu esposo à sangue frio meu cérebro tenta, automaticamente, baseado nos meus valores, emitir um julgamento sobre essa mulher. Por exemplo, nos meus valores está claro e explícito que nenhuma pessoa possui o direito de tirar a vida de outra pessoa. É simples assim, preto no branco. 8 ou 80. E então a discussão segue e descobrimos que essa mulher do exemplo citado, a assassina, apanhou de sua vítima por toda a vida, e sofreu diversos abusos psicológicos, foi impedida, através de chantagens ou força física, de fazer muitas coisas que sempre quis –  como ir à escola, por exemplo – e em um surto de consciência resolveu por um fim no seu abuso, por isso botou fim na vida de seu abusador.

O caso citado pode ou não ser verdade, mas o importante é entender que a mesma pessoa é várias pessoas. Uma vítima é uma vítima porque alguém a fez uma, ou porque ela permitiu que a fizessem. A mulher, que era vítima e então virou assassina, poderia ter escolhido um caminho diferente para sua história. Mas ela escolheu se submeter a esses abusos, permitindo que esse esposo fizesse o que quisesse com ela, e então posteriormente escolheu não se submeter mais a esses abusos. O abusador, por sua vez, também tem uma histórica única e singular que só ele sabe, mas que ele escolheu permitir que o transformasse em um abusador, e ele foi muitas coisas antes de ser a vítima. Embora, na minha cabeça, uma coisa não justifique a outra e eu já esteja julgando mesmo que eles sejam apenas personagens deste texto.

Mas eu não posso julgá-la. Porque eu não sou ela. Eu não andei onde ela andou, não estive onde ela esteve, e por mais que tente não a entendo. Porque eu não passei por isso. Eu não reagi da maneira que ela reagiu e eu não sei como é viver com isso. O abusador, cuja realidade também não conheço e, na minha cabeça, poderia ter escolhido não ser um babaca completo, também não sou eu.

Eu espero que vocês entendam que o que quero com esse texto não é elaborar uma lei para que as pessoas saiam impunes sobre as suas atividades, mas dei exemplo extremista para mostrar que nada na vida é branco no preto. Em um mundo ideal onde só o que existe é a verdade e a justiça esse esposo não teria morrido, e essa mulher não teria sido abusada. Cada pessoa encontra uma forma de lidar com as nuances de injustiça e conflitos entre o branco e preto da paleta da vida, mas o que ninguém conta é que a maneira que escolhemos lidar com essas nuances de cores da vida, a maneira que escolhemos responder às partes que não são pretas no branco, isso muda quem nós somos.

Se outrora era uma pessoa homofóbica e possui um filho gay, pode mudar de opinião. Se outrora era budista mas conheceu Cristo, pode mudar de opinião. Se era cristã e conheceu Buda, pode mudar de opinião. Se era prostituta mas não quer ser, pode mudar de opinião. Se era arrogante mas quer ouvir a opinião dos outros, pode mudar de opinião. O problema é que não sabemos lidar com mudanças. Para ter pleno controle sobre as pessoas queremos que elas nos deem satisfação sobre tudo: com quem andam, aonde trabalham, quanto ganham. E se alguma dessas coisas muda eu preciso elaborar uma nova forma de exercer controle sobre essa pessoas porque ela mudou e o meu controle antigo já não funciona mais.

Os meus valores são para mim, e vão conduzir a minha vida. Quem você é diz respeito apenas  a você. Se você é egoísta porque cansou de se importar com as pessoas eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou. Se você é prostituta porque porque a vida não te deu oportunidades eu não posso compreendê-la, porque eu não sei o que você passou. Se você é gay porque simplesmente é assim desde que se lembra eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou. Se você é um babaca porque foi ensinado a ser assim e essa é a única realidade que você conhece eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou.

O ponto principal que arruina um julgamento é tentar elaborá-lo a partir da nossa visão do mundo. Porque são poucas as situações em que julgamos a nós mesmos. Então usamos os nossos valores para julgar o outro, quando o outro, na verdade, tem sua própria carga e os próprios valores que vão guiar quem ele é. E ele pode escolher mudar isso, mas não cabe a mim embutir nele a minha visão do mundo e tentar mudá-lo a partir disso.

Não funciona usar as suas experiências para julgar o outro. E é aqui que nasce um relacionamento abusivo invisível. “Por que você não dá atenção suficiente à sua amiga?”, “Por que você não se esforça para ser uma filha melhor?”, “Por que você não dá atenção aos seus filhos?”, “Por que você trabalha em tantos empregos e não fica um pouco em casa?”, “Por que você só fica nesse quarto?”, “Por que você nunca para em emprego nenhum?”, “Por que você não termina logo essa faculdade?”.

Queremos tanto que as pessoas façam as coisas à nossa maneira que quando desaprovamos a atitude de alguém a tendência é a de querer puni-la. “Você não lavou a louça? Pois eu não vou lavar o banheiro!”, “Você não foi à festa comigo? Pois eu não vou te dar presente de aniversário!”, “Você não quis ir pra praia passar o ano novo comigo? Pois nem vai fazer falta!”, “Você não quis fazer almoço pra mim? Pois eu não vou te passar a senha do Netflix.”, “Você não me emprestou seu batom? Pois eu não vou te emprestar minha bolsa!” E isso constitui o controle que caracteriza um relacionamento abusivo.

Lendo assim parece a quinta série. Mas são atitudes que permanecem mesmo depois do doutorado simplesmente porque existem pessoas que não aceitam que as coisas não vão funcionar à maneira delas, que as pessoas não vão funcionar à maneira delas. É como se quiséssemos mandar em alguém para que ela faça tudo na vida dela conforme nós faríamos na nossa vida e quando alguém se enche dessa dominação, desses abusos, e simplesmente decide que não está nem aí para o que os outros pensam ou dizem, ou julgam, essa pessoa – aos nossos olhos – se torna egoísta. “Você só pensa em você.”, “Você não facilita.”, “Você faz tudo do seu jeito.”, “Você não é flexível.” Perpetuamos o discurso do respeito dizendo pra todo mundo ir e ser quem é, mas julgamos uma pessoa por uma ação achando que essa ação a define. Quando isso é longe de ser verdade porque o mundo não é preto no branco e uma única ação não define quem nós somos.

Eu não sei o que define, mas eu acho que é um conjunto de decisões que tomamos, ao invés de uma decisão só. Acho que quem nós somos também é um pouco do que fizeram de nós, à medida que aceitamos isso. Podemos também ir pelo caminho inverso e não fazer a menor ideia de quem somos, apesar de uma grande noção do que não somos. Independente de quem você é, eu espero que você saiba que julgar pode ser : 1. Proceder ao exame da causa de alguém, 5. Imaginar, 6. Crer, supor, ou 7. Ter na conta de. Mas que no que diz respeito à pessoas você vai estar abusando e causando dor à essa pessoa se tentar: 2. Decidir (como juíz, árbitro), 3. Sentenciar, 8. Pronunciar sentença sobre ou 9. Formar conceito sobre ela ou sobre a vida dela.

Se você não compreende porque uma pessoa é da forma que ela é, não decida sobre ela, não sentencie-a, não forme nenhum conceito e principalmente não a puna como se você fosse uma criança de sete anos que quer controlar de toda forma cada único aspecto da vida do outro. Lide com isso pois o fato de você não compreendê-la não é problema dela, é problema seu. Você pode imaginar ou supor e até tentar proceder ao exame de causa dessa pessoa. Mas não cabe a você julgar quem ela é. Um relacionamento abusivo não se constitui apenas por uma surra, ou por um estupro, as suas palavras, dominação, controle e imposições tem efeitos nas pessoas.

Se você não tiver entendido nada até agora, eu te explico: a você cabe apenas ser juiz de si mesmo, avaliar-se e saber quem você é.

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