Oba! Chegou a dos projetos fotográficos! ❤❤❤

Acho que a essa altura vocês já estão familiarizados com o Essential Books, né? É aquele projetinho lindo em que eu me reúno com um grupo de blogueiras e postamos fotos literárias sobre o mesmo tema. Já tivemos Personagem Feminina Favorita no mês de Fevereiro, e Quote Favorita no mês de Março, mas esse mês a proposta foi fotografar elementos relacionados à nossa capa favorita.

Esse foi o tema que menos me gerou dúvidas, nos outros meses eu fiquei sofrendo entre mil possibilidades e dessa vez só tinham duas possíveis capas que eu queria falar sobre, que era Sorte ou Azar da Meg Cabot ou Coração de Tinta da Cornélia Funke, mas por motivos extras de amor pela história escolhi falar sobre Coração de Tinta porque essa história além de bem escrita, com personagens fodas, e um contexto incrível fala sobre justamente a coisa que amamos mais: livros.

Talvez vocês não estejam familiarizados com ela com ela, mas se trata de Mortimer, um restaurador de livros que possui o dom de ler para fora dos livros os personagens. Agora Capricórnio, um vilão que Mo leu pra fora da história Coração de Tinta está atrás dele para que ele leia outros personagens para fora do livro. Paralelo a isso Mortimer tem uma filha, Meggie, que é vidrada por livros e está tentando entender porque apesar do amor por livros seu pai nunca leu nenhuma história para ela, onde está sua mãe, e por que eles tiveram que entrar correndo no trailer e sair sem rumo novamente. Essa história ganhou um adaptação cinematográfica de mesmo nome em 2008, que, claro, não é tão boa quanto o livro mas representa bem a essência da história, se você não conhece vale dar uma olhada.

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I. FALA SÉRIO! Olhem bem pra essa fonte, e essa arte e esses galhos! É muito amor pra um livro que fala de livros! ❤❤❤

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II. Além de ter a capa maravilhosa a Cia das Letras arrasou muito na composição do livro, é muito caprichado: cada capítulo tem uma ilustração que remete ao universo mágico de Coração de Tinta (o livro de dentro do qual Mortimer leu Capricórnio para fora).

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III. Referências. Esse livro tem muitas referências incríveis de literatura!

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IV. C-I-T-A-Ç-Õ-E-S. Nem sei se devo continuar, não fica melhor do que citações antes dos capítulos.

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V. e VI. Comecei a pensar sobre como representar o coração de tinta da história, que basicamente é um coração – uma pessoa – que ama tanto as histórias, os contos de fadas, que em suas veias corre tinta ao invés de sangue. Coloquei as duas fotos juntas e com níveis diferentes de sangue (vermelho) e tinta (negra) para representar a evolução que acontece ao longo dos volumes na trilogia. Não vou dar spoilers mas você podem observar pelos títulos.

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Notas sobre essa postagem:

1) A foto destaque da postagem anterior a essa (o texto “Letramento do Amor”) foi tirada inicialmente pensando na proposta deste ensaio, porém senti que ela combinou muito com o texto e eu preferi usá-la do que aqui, até porque senão essa postagem ficaria muito grande.
2) Para conferir as outras postagens do projeto com o tema “Capa favorita” é só visitar os blogs abaixo:

Segredos de uma cerejeira | Amantes da leitura | Raphael Sulivã |
Livro arbítrio | SammySacional | Nina é UmaCupcakeland |
Pensamentos valem ouro | Outro capítuloNaive heart
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Ah se soubéssemos a fórmula mágica do amor! Que mundo bonito seria esse em que amamos uma pessoa e ela nos ama de volta: andamos de mãos dadas pela praia, rimos descontroladamente até parar de sair som ou até sair água pelo nariz, nos aconchegamos na batida do coração do outro, e o peito se encaixa como se não houvessem duas peças de lego tão perfeitas.

Mas não sabemos.

Quando se convive com crianças tanto quanto eu convivo fica fácil identificar e passar por cima das mancadas da vida. Quando começamos a andar só caímos até que chegou o dia em que nosso peso já não era tão pesado assim e o equilíbrio deu um jeito de nos manter de pé apesar de sentirmo-nos mais confortáveis no chão. As crianças também sofrem pra aprender a ler e escrever. Eu diria que é a parte mais difícil, terminei minha licenciatura sem saber direito como num belo dia um monte de letras vão se amontoar para fazer sentido de palavras. Mas seguimos crescendo, andando apesar das quedas e lendo apesar das palavras diferentes que não conhecemos e precisamos encontrar o significado. As crianças me ensinaram que tudo bem errar.

O amor é como a alfabetização. Não dá para explicar como funciona, como um belo dia você percebe que aqueles pedaços quebrados de sonhos, erros, histórias, qualidades, passado, defeito, bagagem, dor, acertos e esperança se amontoam numa pessoa e ela faz sentido enquanto aquela que você quer ao seu lado até o fim da eternidade.

E escrevemos muito errado, sabe? Leva um tempo até começarmos a entender a nossa própria caligrafia. Não é da noite pro dia que entendemos as nossas próprias palavras, não é da noite pro dia que a nossa história começa a fazer sentido. Tem vezes que queremos apagar tudo e começar de novo, tem dias que a página já está tão borrada que não aguenta a força de mais uma borracha e se rasga. Existem histórias cujos personagens só sofrem, e existem escritores que se cansam da história que escreveram e decidem jogar esse livro fora porque ele parou de fazer sentido.

Eu não sei qual é o momento em que o cérebro faz sentido das letras, tampouco sei qual é o momento em que a história para de ser feliz. O que eu sei é que como não nascemos sabendo andar – é preciso cair – e nem sabendo ler – é preciso errar – também não vamos acertar de primeira no amor, e tudo bem, sabe? É difícil pra uma mente que nunca viu isso antes na vida saber que a voltinha do “q” é para um lado e a do “g” é para o outro. É difícil, leva um tempo até cair a ficha. É difícil, vamos escrever muitos geitos e muitos queigos.

O equilíbrio aparece um dia, quando menos esperamos e nos mostra que dá pra andar sem cair – embora isso não signifique que não haverão buracos na estrada pra nos fazer tropeçar -. É ali, no meio da praça, durante a aula de matemática, o meio do almoço, na hora do desenho que a criança percebe o que é “j” e o que é “g” e a partir daí dificilmente vai errar.

O problema é que ninguém nasce sabendo disso, e a alfabetização é sofrida, lenta e nem sempre resulta em um bom escritor. Mas é importante saber disso: só porque uma história foi mal escrita não quer dizer que ela é ruim. A alfabetização não acontece na mesma velocidade para todas as crianças, não quer dizer que os retardatários não vão aprender nunca, eles só precisam de mais tempo.

Claro, vamos precisar enfrentar palavras desconhecidas, soletrar palavras que nunca lemos antes e isso nos causa uma dúvida, às vezes até erramos porque a intuição foi pro lado errado, ler mil histórias antes de aprendermos como dar voz aos nossos próprios protagonista e alguns escritores vão decidir que um conto de fadas deixou de ser mágico e por isso vão guardá-los para sempre na gaveta dos fracassos. Mas aprendemos.

Achamos que a página vai rasgar da próxima vez que precisar ser apagada, achamos que não é forte o bastante pra aguentar a reescritura da história que aprendemos a escrever, achamos que não aprendemos nada e por isso logo mais adiante a borracha vai precisar entrar em ação novamente, achamos que quando ficar pronta ninguém vai achar essa história boa o suficiente e por isso ela nem merece ser escrita. Achamos que é preciso computador, depois mudamos pra manuscrito, tem gente que só consegue na máquina de escrever. Mas aprender a fazer sentido das pequenas frações pra enxergar a obra completa leva tempo, ler leva muito tempo, escrever demora ainda mais.

Não podemos achar que todas as etapas da história serão tão bonitas quanto como os personagens se conheceram, também não dá pra pular todo o meio até chegar no clímax. Todo livro que se preze precisa passar por um conflito antes de chegar à resolução, mas é por causa deste conflito e do que ele desperta em nós que acontece aquele clique em algum lugar da mente e descobrimos que algumas letras viram pra direita, outras viram pra esquerda e todas elas formam palavras. Só precisamos aprender quais palavras formam as melhores histórias, mas o escritor sabe, que como no amor, todas as histórias valem a pena – elas só precisam de alguém que saiba como escrevê-las.

 

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Lá em janeiro falei aqui no blog que eu queria muito fazer looks do dia com maior frequência, né? Juro que estou tentando cumprir com a promessa! Não só porque prometi, mas porque é uma das coisas mais divertidas que esse blog me deu a oportunidade de fazer. Reparem que eu não tenho muito jeito e todos os ensaios tem as mesmas poses, mas ainda assim acabo descobrindo coisas novas sobre mim quando preciso estar do lado da lente ao invés de do lado do visor.

Houveram algumas fotos que já fiz que não gostei, e até algumas que nunca chegaram aqui no blog, mas esse ensaio definitivamente não é um deles, achei ele tão eu que é até difícil explicar. Ano passado foi um ano muito conturbado, e o primeiro trimestre de 2016 foi o tempo que eu precisei pra entender e resolver cada um dos meus problemas, então minha fase atual é de paz interior, sossego e calma. Espero que as fotos falem por si só.

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Vestido/Camisão: Marisa / Camisa da cintura: Penney’s / Colar e Brinco: Moranna / Botinha: Dafiti / Fotos: Carol Ozzy

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