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Querida Shar,

Não sei como começar a escrever pois não sinto que há algo que deva ser dito, tenho medo de que você possa interpretar essa carta como um declaração de amor, não é. Não sinto amor, Shar. Senti raiva por algum tempo, e depois um certo nojo e uma vontade meio doida de fugir pra praia e não te ver nunca mais, mas amor não sinto. Não sinto nada.

Você dizia que a indiferença é o pior sentimento que podemos ter por alguém, eu achava que era a desconfiança mas hoje acho que você tá certa. Tem algumas coisas que eu acho que você tá certa, me levou muito tempo para entender mas (olha outra coisa que você tava certa) as pessoas realmente mudam.

Me sinto indiferente não apenas para com você, mas há uma falta de tesão em fazer as coisas, como se aquela energia boa de poder te contar depois, compartilhar, fosse mais excitante até do que a coisa em si. Mas você sabe, eu tenho querido viver coisas diferentes há algum tempo. Daquela vez que eu fui saltar de paraquedas e não te chamei, lembra? Você tinha razão em ficar triste, sinto muito não ter te incluído nesse momento da minha vida.

Sabe, Shar, você ficou muito perdida uma época e eu sequer notei, então sei que você precisou de muita coragem e força – que você achava que não tinha – para descobrir como consertar as coisas e encontrar o caminho de volta pra si mesma, e tem uma coisa que eu nunca te disse, mas, acho admirável que você tenha conseguido. A escalada para a superfície é longa e cansativa, mas eu vejo hoje como é fácil se jogar no fundo do poço e não querer sair de lá – é quentinho, confortável – nunca mais. Queria que você soubesse que eu te admiro muito por ter conseguido fazer isso sozinha, também me sinto um pouco mal por não sido capaz de te ajudar – eu nem sequer sabia que você tinha caído lá embaixo.

Me doeu muito quando você me abandonou quando eu mais precisava, essa dor se transformou em uma desconfiança que crescia a cada dia: a qualquer momento agora, nesse minuto ou no próximo ela vai embora. Mas também tem uma coisa que você não sabe, Shar, eu decepcionei você também. 

Quando você fechou a porta e partiu você logo viu que cometera um erro e tentou de todas as formas consertar, mas quando eu fiz exatamente a mesma coisa eu só conseguia pensar em como você não era mais a garota por que eu me apaixonara e eu me esqueci de olhar para quem você havia se tornado e não olhei em como você amadureceu com seus erros, o quanto eles a mudaram e tornaram seu couro mais grosso, sua mente mais preparada, seu coração mais macio e quente. Eu não devia ter seguido seus passos e fechado a porta no momento em que você mais precisava dela aberta. Eu não fui nenhum pouco melhor do que você, mas como você teve seu tempo para pensar eu tive o meu, e apesar de hoje estar tão desprovido de amor e armado com essa indiferença eu espero que você saiba que eu podia ter tentado te olhar mais uma vez com meus olhos de carinho.

Você pediu uma única coisa que o meu coração orgulhoso não podia te dar: não era um livro, não era um boneco de pelúcia, não era chocolate, não eram flores, não era uma jóia. Você queria esquecer o que passou, e eu hoje sei que embora o nosso passado é aquele que nos transforma em quem nós somos, nós também temos o poder de escolher o nosso futuro. E eu podia ter escolhido o perdão, o olhar carinhoso. 

Você sabe o que dizem sobre o tolo, né, Shar? O inteligente, como você, aprende com seus erros, o sábio aprende com os erros dos outros mas o tolo não aprende nunca. Eu não quero ser aquele que nunca enxerga, que nunca aprende. Eu podia ter aprendido com você, mas tem uma certa magia em quebrar a cara – deixa a gente mais humilde e preparado, acho que meu coração precisou passar por isso pra ser menos orgulhoso.

Tem uma coisa que eu aprendi, Shar: O amor é incondicional. Lembra quando você tentava de tudo para fazer com que eu te perdoasse e sentisse de novo como me sentia antes? Você não precisava ter passado por isso, não precisava ter tentado até sangrar.

O amor não ama porque você dá um presente a mais ou a menos. O amor não ama porque você deixou todas aqueles bilhetinhos espalhados mesmo que eu continuasse não fazendo os desenhos que você tanto queria. O amor não ama porque você fazia almoços para me agradar. O amor não ama porque você gostava de ficar com seu livro do meu ladinho fazendo nada além de estar ali enquanto eu jogava.

O amor simplesmente ama. Sem os se. Não se pode amar alguém se essa pessoa for boa, não pode amar alguém se essa pessoa não errar nunca. Não se pode amar uma pessoa se ela concordar com você. O amor não é uma coisa que você dá esperando o que vai receber de volta, eu não devia ter exigido que você fosse tanto para mim quando você mal podia ser para você mesma.

Você sabia disso muito antes, Shar. Você tratava as pessoas como se elas fossem suas melhores amigas, dava presentes para quem acabou de conhecer, falava bom dia na rua, perdoava com o coração, essas coisas são questão de amor, você tinha muito mesmo quando tinha pouco.

Espero que esteja feliz, minha Sharona. E que a pessoa que for ficar com você saiba disso: o amor é incondicional. Você não precisa se desdobrar para merecê-lo, você vai errar de novo, você não é perfeita. Mas amor é o que fica quando a tempestade passa e as nuvens vão clareando o céu até irem embora e o sol chegar. Amor é o que fica depois da briga, depois da desconfiança, depois do medo, depois do desespero, depois do desistir, por trás do voltar atrás. Amor é o que faz querermos uma pessoa na nossa vida sabendo que ela vai cometer erros depois.

Me desculpe por não ter podido te dar o que você mais quis, e me desculpe por não ter aprendido com seu erro e ter ido embora quando você precisou de mim. Você tinha razão. Nós não precisamos de alguém que nos salve, o que nós precisamos é de alguém que vai permanecer ao nosso lado enquanto nos afogamos, nos debatemos, erramos e lutamos para salvar a nós mesmos.

Tenha um ótimo dia, um feliz aniversário, sinto muito ter escolhido deixar meu amor por você de lado, sinto muito não ter podido dar o que você mais queria. A gente erra muito antes de acertar, mas o amor não erra, transborda. Porque é incondicional.

Um beijo,

Daryl.

 

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Acho que tá na hora de fazer o primeiro balanço trimestral de 2016. Sim, o ano novo não foi ontem, já fazem três meses desde que você disse que sua vida ia ser diferente.

Tá sendo?

Você não precisa dos rituais de encerramento para fechar um ciclo, pode criar os seus próprios rituais. Não precisa pular 7 ondas para conseguir realizar seus sonhos, e tampouco a cor da sua calcinha vai esclarecer qual fator vai influenciar a sua vida pelos próximos 12 meses.

Você pode tentar começar de novo agora. E de novo depois, ou mais tarde do que isso se falhar, ou quando realmente sentir que está pronta. Para encerrar um ciclo e ver novas oportunidades nascendo é necessário enterrar o quê já não combina mais.

As coisas novas só chegam quando abandonamos aquilo que não encaixa. Abandone apenas o quê realmente você não quer ter nunca mais. Às vezes quando estamos quase certos – mas não muito – de que queremos uma coisa nós abandonamos outra (e pelos motivos errados). A calça que fica pra trás dificilmente vai servir novamente daqui 2 anos.

Você provavelmente tem umas duas calças que usa sempre e outra que fica ali guardada no fundo do armário, você não sente que ela faz parte de você, só comprou porque estava em liquidação e além de ter gastado dinheiro com isso parece que não pode comprar outras novas porque vai sair acumulando coisas.

Doe essa calça pra alguém e encerre esse ciclo.

Na vida às vezes é necessário se livrar dessa calça para conseguir uma que sirva melhor. Essa calça pode ser qualquer coisa. Pode ser, inclusive, você. Tem gente que precisa de uma calça nova e vai te jogar fora por causa disso. Tem dias que quem precisa de uma calça nova é você. Tem dias que é necessário se despir de tudo que somos e andarmos nus para tirar todo excesso de cima de nós. 

Seja como for, se livre. Seja mais leve. Deixe no mês de março todas as vezes que você mentiu para agradar alguém. Deixe no mês de março todas as desconfianças que você teve mesmo quando não queria ter, todas as pessoas que tentou confiar mas não podia porque estava ferido demais. Que fique para trás, fechado junto com o ciclo velho, todas as vezes que você achou que não podia fazer – o que quer que seja que você quis fazer.

Que esteja para sempre enterrado no ontem a calça que te disse que você não era boa o bastante, mesmo que seja você quem te disse “você não é bom o bastante.”

É sim.

Ser bom o bastante não quer dizer que as coisas vão funcionar e fluir na mais perfeita paz só porque você está conduzindo-as. Ser bom o bastante quer dizer ter convicção do que te importa e não abandonar isso. Ao longo da nossa vida seremos forçados a fazer escolhas e deixar calças velhas para trás, e isso nos muda, mas ser bom o bastante é saber qual pessoa, caminho, relacionamento, trabalho, cidade, sonho você quer levar para o próximo ciclo e permanecer firme com isso independente do quão difícil é.

Você não vai descobrir de primeira – às vezes para ser bom o bastante primeiro somos ruins o bastante, e não é porque somos genuinamente ruins, mas porque não aprendemos ainda qual é a calça certa – chegou a hora de deixar no ciclo de ontem a culpa.

Acredite em mim, você é boa o bastante.

Agora que você já sabe que é pode finalmente se libertar do medo e simplesmente ser. Abre se diante de você uma infinidade de verdades, de calças que antes não serviam mas agora ficam confortáveis no corpo do seu novo eu – porque não é mais o mesmo. Use-as. 

Um ciclo se fecha e o outro se abre. Três meses são apenas 90 dias. 90 diazinhos pequenos e corridos onde nada parece mudar, 2160 horas que você viveu sem necessariamente se dar conta de que mesmo estando estático um mundo inteiro se move, se abre, se muda e se encerra ao seu redor e isso muda você sim.

Abrace o braço que te acolhe e abra os seus para o ciclo que se abre. Ele vem chegando sorrateiramente, e, de repente, quando você menos esperar, abril-se. Acredite em mim, eu não estou mentindo: abriu-se.

Eu não pensei, jamais, que eu faria uma postagem dessas aqui no blog. Sinceramente, nunca, nunquinha mesmo. Mas chegou o momento e não posso mais evitá-lo. Hoje vamos falar sobre Fanfics, porquê elas são importantes e o que eu decidi publicar aqui no blog.

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“Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.”

Paulo Leminski

Para começo de conversa, sinto que preciso me apresentar novamente. Esse blog está prestes a fazer um ano de idade e quando eu o criei foi porquê eu sentia que o Caixa-A-A, o blog que eu mantive por 5 anos, não mais representava quem eu sentia que era, e por isso eu quis começar novamente. Mas desde essa época, quase um ano atrás, eu deixei uma parte de mim muito grande de lado. Talvez a maior parte, na verdade. Mas o desaparecimento dela foi fazendo com que aos poucos eu desaparecesse de mim também, então chegou a hora de reaver essa carol.

A Carol Escritora.

A história começa mais ou menos aqui: Era uma vez, uma garota, que era apaixonada por um garoto, que não gostava dela. Eu sei, é a história mais velha do mundo, mas vamos lendo aqui porque eu devo muito, devo tudo, pra essa garota de 13 anos.

Quando eu tinha 13 anos eu era apaixonada por um garoto (não estou tentando enganar ninguém, ainda sou total e completamente apaixonada por esse mesmo cara, embora essa seja uma outra história!) e como eu não sabia muito bem como lidar com o fato de que seríamos para sempre apenas amigos, eu encontrei na escrita uma forma de contar a nossa história de amor da maneira que eu quisesse. E foi graças à minha grande paixão por Harry Potter que eu conheci o site filhinho do Potterish, o Floreios e Borrões, e lá comecei a escrever e postar minhas próprias histórias, onde eu podia usar de personagens que já existiam (e portanto eu não precisava desenvolvê-los muito bem, porque eles já possuiam uma personalidade muito bem desenvolvida!) e colocá-los em qualquer contexto que eu quisesse para contar qualquer história que eu desejasse.

A fanfic é o grande desejo de um jovem escritor. Justamente porque, apesar de o personagem não te pertencer, você pode torná-lo quem você quiser. Lily e James Potter, famosos por serem os pais de Harry Potter, se tornam então adolescentes vivendo sua história de amor e tentando se encontrar na vida. Ou podem viver em um Universo Alternativo (a famosa fic UA que eu amo!) e serem apaixonados um pelo outro, mas serem, na realidade, espiões internacionais. Ou podem se mudar para Paris e viver de culinária. Ou podem.. ou ainda.. Na verdade eles podem tudo que eu quiser.

Nasceu a Marlene.

Se você já leu Harry Potter você talvez não se lembre de uma personagem que não foi muito discutida, não é famosa, não tem destaque e cuja história não sabemos muita coisa: Marlene Mckinnon. De acordo com a escritora, J.K.Rowling, Marlene foi uma grande amiga de Lily Evans e James Potter, estudou com eles em Hogwarts, e, como muitos membros da Ordem da Fênix, morreu na Primeira Guerra bruxa em algum momento entre 1978 e 1981. O fato é que, no universo das fanfics que falam sobre os Marotos (pais do Harry em sua época de Hogwarts!), a Marlene costuma ser retratada como a melhor amiga da Lilian e como um interesse romântico de Sirius Black.

Acontece que o cara por quem eu era apaixonada nessa época era estranhamente parecido com Sirius Black. Moreno, lindo de morrer, cabelo bagunçado, sorriso maroto como quem não quer nada e não sabe o quão lindo é, fã de uma certa bagunça, com um leve desprezo pela ordem social, não estudava muito e por isso tinha muito tempo para bagunçar mas ainda assim tirava notas boas e era o grande pupilo dos professores. Os amigos o idolatravam, ele era o pegador da turma, não parecia querer se amarrar ou se apaixonar por ninguém em nenhum momento da vida.

Encontrei na Marlene um estilo de vida. Foi graças à personagem dela – que encontrei na ficção – que eu aprendi a me portar perto desse cara, e por isso nos tornamos amigos, e graças à essa amizade ele mudou por mim e ficamos juntos por sete anos. Sem ela eu não teria sabido como fazer nada disso, e deixá-la de lado no ano passado foi uma perda muito maior do que posso descrever – em muitos sentidos.

E pensar que eu podia ser qualquer coisa que não me permitisse ser ela foi um erro. A Marlene é mais do que uma personagem da ficção. É mais do que um livro que eu li, mais do que uma história que eu inventei, em algum momento da história eu me fundi com ela de modo que quando abri mão dela eu fui junto. Isso já me aconteceu antes. Escrevi um texto em 2013 falando sobre como eu me sentia sobre não conseguir tirá-la do papel, mas nessa época ela ainda morava por lá. Hoje em dia eu poderia facilmente ir ao cartório e trocar de nome, porque ela vive em mais do que qualquer coisa.

É por causa disso, e porquê eu nunca deveria ter deixado de escrevê-la que eu decidi trazer algumas das minhas fanfics aqui para o blog. Vou trazer as fanfics que se passam no mundo real ao invés das que se passam no mundo da magia, e basicamente vocês lerão histórias diferentes que se passam em contextos variados porém com os mesmos personagens de sempre. A personagem principal costuma ser a Marlene e eu vou começar repostando uma fanfic antiga que eu nunca terminei, mas pode ser que eu decida começar uma nova fanfic depois disso e só Deus sabe o que pode acontecer.

Na realidade eu sinto que além de me fazer ser uma pessoa muito melhor a Marlene em mim faz com que eu queira escrever sobre sentimentos, e portanto ela me faz escrever, me faz existir. Passei tanto tempo tentando evitar e não sentir o que estava acontecendo na minha vida que eu abafei a Marlene também, porque ela é a parte sensível de mim, a parte que sente, chora e resolve. Mas acho que nunca é tarde para tentar novamente, e no que cabe a mim eu hoje sei que sempre vou precisar sentir, chorar e resolver então trazer a Marlene/Carol Escritora para mais perto até que ela fique tão intrinsecamente fundida comigo que seja impossível distinguir quem é quem é o que eu quero para a vida.

O fato é que eu nunca me sinto tão eu mesma do que quando me sinto Marlene, como na época da escola quando eu tinha 13 anos e a Marlene me transformou em uma garota mais firme e forte. Eu preciso dela hoje e sei que ela está por ai nas palavras e histórias que por algum motivo eu parei de escrever, mas agora é hora de voltar. É hora de sentir, é hora de chorar, é hora de ser firme e forte, ser Marlene de novo. É hora de escrever.

Espero que gostem, volto em breve com informações sobre a próxima fanfic. ;)

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