Textos
27/06/2015

large

Existe uma palavra no Inglês cuja melhor tradução para o Português é “ou”, mas o “ou” não exprime exatamente a condição que essa palavra quer expressar. A palavra Either representa uma escolha que a pessoa precisa fazer. É uma condição na qual você não pode escolher mais de uma coisa, então, digamos que chega uma pessoa na sua casa e você quer oferecer café ou água pra essa pessoa: “You can have either coffee or water.” Tudo bem, talvez esse não seja o melhor exemplo porque vai que o seu convidado quer as duas coisas, você vai estar sendo grosso se não der.

Mas a condição do Either é que ele não te permite ter os dois. Se você escolher o café vai ficar sem água, se você escolher a água vai ficar sem café. O interessante das línguas é que a gente nunca aprende uma coisa só. O cérebro vai fazendo associações tipo hiperlinks no wikipédia e adicionando informações pra gente aprender mais. O Either é comumente ensinado junto com o Both e o Neither, ambos também relacionados à escolhas e opções, mas, calma isso aqui não é uma aula de gramática, a gente chega lá.

O Both é o que no Português conhecemos como “ambos”. “You can have both, coffee and water.” Também pode ser “tanto um como o outro”, é difícil traduzir porque a maioria das expressões do Português são muito maiores do que uma palavra só, mas o Both quer dizer que é possível ter mais de uma coisa. Para o que vamos ver aqui o Both não é muito interessante porque dificilmente teremos como ter as duas coisas.

A humanidade está presa em uma constante competição cujo vencedor é aquele for mais. Desde que nascemos nos falaram que a gente tinha que ser o melhor. Não tem espaço pra todo mundo, porque se todo mundo for médico, quem vai catar o lixo? Tem que se destacar pra poder ter uma chance, pequena, quase insignificante de escolher.

E vão nos moldando pra isso, mas ninguém nos prepara para a escolha. Nunca é fácil escolher nada, porque quando a gente escolhe, escolhe de verdade sem oportunidade de ter as duas coisas, a gente escolhe uma coisa no lugar de outra. Café ou água. Não ambos. E vamos poder ter e levar apenas uma coisa para o resto de nossas vidas.

O que não é verdade, porque as coisas não são assim. Falaram várias vezes que a gente precisa escolher, que a gente precisa saber. Mas nem toda escolha é irrevogável, as pessoas tem direito de mudar de ideia e começar tudo de novo, o problema de começar de novo é que é preciso abrir mão de algumas coisas para começar de novo, então as pessoas geralmente não optam por fazer isso, mas continuar em sua zona de conforto, mesmo que com o passar do tempo ela se mostre não tão confortável assim. Dos males o pior.

Se você me perguntar, acho que essa constante competição não é nenhum pouco saudável e nem válida. Trabalho duro é trabalho duro, não importa se você está fazendo bolos desde às seis da manhã, malabarismos no sinal ou preenchendo colunas coloridas no Excel. E algumas pessoas querem fazer bolos, mas escolhem outras coisas porque isso paga melhor e ai de você se não atualizar as redes sociais com uma foto perfeita em um lugar inusitado pra mostrar pra todo mundo o quando sua vida é boa e você é feliz.

Você achou que com 25 anos estaria ganhando seis mil reais e cavando poços na África porque não queria a mercearia e os dois filhos que os seus pais tinham com 25 anos, mas sim um Iphone e dinheiro na poupança para fazer viagens pro Nordeste no feriadão. Alguns dos seus amigos do colégio postam fotos de casamento, e alguns inclusive já até se divorciaram, outros foram largados no altar, e tem gente que já está no terceiro filho! Você não faz a menor ideia do que vai fazer porque parece que todo mundo falou o tempo todo que você só podia ter café ou água, nunca ambos e a verdade é que você não sabe.

A geração Y, que foi criada para ser CEO’s, ter ideias, salvar o planeta, se voluntariar em ONG’s, doar dinheiro pra caridade, preservar o meio ambiente e adotar crianças vai passar, já passou ou está passando por essa crise de identidade onde ninguém sabe se quer água ou café, e quem escolheu água se arrependeu e quem escolheu café continua com sede, mas ninguém fala sobre isso porque todo mundo está ocupado demais postando fotos muito felizes no Instagram porque aí de quem não usa a Hastag Feliz.

E a Felicidade vai sendo colocada como a coisa que todos precisam ter e quem não tem é fracassado. E o pior não é não ser Feliz, o pior é ver esse famoso estado de espírito ser associado com o carro na sua garagem, a quantidade de likes que você recebeu e quantos retweets te deram. Acontece que vocês entenderam tudo errado.

O Neither é a terceira palavra que a gente aprende no Inglês que diz respeito às escolhas, e no Português a tradução mais perto que temos é “Nem um nem outro” existem outros usos, como por exemplo quando você quer concordar com uma afirmação negativa da pessoa Maria não gosta de cerveja, “Neither do I”, significando Eu também não gosto. Mas o uso que eu mais gosto é o “nem um nem outro”, então, se você oferecer água ou café pra uma pessoa, e ela quiser chá, ela provavelmente vai te responder: “Neither, I’d like tea, please.”

Vão existir momentos em que você vai estar Feliz, e outros em que você não vai estar Nada. Não precisa ter uma Hastag pra cada momento da sua vida, e muitas vezes você vai sentir coisas que não há adjetivos para descrever. E tudo bem. Você não precisa achar que vai acordar um dia e todo o trabalho de sua vida vai estar, de repente, trabalhando pra você. Sabe aquele filme em que todo mundo sofre bastante e no final estão felizes tomando champagne em Paris? É só um filme.

Você vai sofrer um pouco, não vai saber de nada às vezes, e vai sentir que está cada vez mais distante do que um dia achou que fosse ser “A Felicidade”. Mas a felicidade não é uma entidade que está lá tão longe e você tem que correr para alcançar. Não é um destino que você traça a rota no GPS e depois de alguns barrancos, chegou. É mais como um estado de espírito relacionado ao que você sente quando pensa sobre quem você é e quem você tem. E você pode sentir isso hoje, e amanhã não sentir mais, e depois sentir de novo.

Não é errado se sentir triste ou querer ficar sozinho. Não é errado ter medo. Só porque tem várias pessoas casando não quer dizer que você precise fazer isso. Só porque eles se divorciaram não quer dizer que isso também vá acontecer com você. Existe um medo absurdo rondando todo mundo de que não vamos conseguir ser felizes, e de que temos que tomar uma decisão, e de que tem que ser café ou água.

Mas você pode fazer o que precisa fazer, quando precisar fazer. E pode fazer bolos, malabarismo no sinal, preencher tabelas coloridas no Excel, ter uma mercearia, furar poços na África, ou fazer qualquer outra coisa que queira fazer, desde que saiba o porquê de estar fazendo, e que isso te faça bem.

Você não precisa ser nem Feliz e nem Triste, e com certeza não precisa descobrir agora, e com certeza pode mudar de ideia se descobrir que tomou a decisão errada. Pode ser que você não tenha nenhum plano para os próximos seis meses, e não precisa surtar por causa disso só porque tem gente fazendo várias coisas e postando fotos felizes. Vai ver eles descobriram que querem é água mesmo. Vai ver não descobriram e estão metendo a cara pra descobrir. Ensinaram que a gente devia fazer de tudo e gastar todas as nossas forças tentando ser Feliz, e que só a Felicidade ia poder nos acalmar. Mas a felicidade é só uma consequência do que a gente sente, quando tem paz.

Se você disser que não faz a menor ideia do que vai fazer com a sua vida, não tem problema. Neither do I.

 

 

Beijos,
Carol Santana
Book do dia
21/06/2015

0Eu terminei essa semana de ler o livro novo da Carolina Munhóz, Por um Toque de Ouro, e posso dizer com certeza que esse livro cumpriu seu papel no mundo e mexeu um pouquinho comigo (o motivo pelo qual ainda não rolou resenha dele é porque eu vou fazer todas as resenhas em vídeo, e como eu tô de mudança no próximo sábado, tá tudo encaixotado e/ou fora do lugar). Em Por um Toque, onde conhecemos Emily O’Connell saudades Daniel Gordinho da Irlanda e vivemos toda a descoberta dela acerca de sua real identidade como um Leprechaun, descobrimos que os Leprechaun possuem um lugar sagrado onde fica concentrado seu poder mágico. Esse lugar é um lugar físico, geralmente atrelado à boas memórias e sentimentos que temos. O lugar sagrado de Emily chama Malahide.

Coincidiu de eu fazer as fotos desse look em um lugar muito especial pra mim, uma praça que fica perto da casa onde morei por quase vinte anos. Então, aproveitem meu Malahide, e, se você leu Por um Toque de Ouro, deixe um comentário aqui pra mim porque vai ser o primeiro vídeo do canal novo e eu estou tão apaixonada por esse livro que mal posso esperar para fazê-lo.

4 63

 

Casaco Corações: Feira Gaúcha / Saia: Brechó / Blusa esquilo: Marisa / Sapato: Melissa / Livro: Saraiva

Beijos,
Carol Santana
Textos
15/06/2015

largeEu sonhei com você nessa madrugada. Foi engraçado quando eu abri meus olhos e percebi que não era de verdade, porque era tão real. Era tão, tão real. A gente no sofá vendo um filme, e aí no meio você para e começa a fazer cócegas em mim. É uma coisa boba e pequena, mas a risada gostosa me fez acordar. Ou vai ver foi o susto de me ver sorrindo ali perto de você. Sabe aqueles sonhos que a gente vê a cena acontecendo como se estivesse de cima? Então, foi um desses.

Eu vi a gente ali com as pernas entrelaçadas e você rindo das minhas gargalhadas. Às vezes você parava para olhar pra mim, e aí era como se aquela minha risada fosse a coisa mais encantadora do mundo, suficiente para fazer você nunca perder o seu fascínio por mim.

Eu acordei e chequei no celular, você estava online por último há sete minutos. Se eu tivesse acordado sete minutos antes teria te pegado online, mas eu não teria falado com você, então, realmente, que diferença faria isso? Racionalmente eu sei disso, mas sempre que estou online olho para ver quando você visualizou por último e quando você está online eu me sinto um pouquinho confortada, como se pelo menos em alguma coisa nós ainda estivéssemos em sintonia.

Você disse que queria tempo para pensar, e eu te dei todo o tempo do mundo, mas exatamente quando faziam quatro dias que eu não te falei nada, você me chamou inbox para falar de uma coisa que aconteceu no trabalho. E aí como da primeira vez que eu me afastei de você, você veio falar comigo.

Haviam váaarias palavras escritas na tela, e saudades não era nenhuma delas, mas tudo que eu lia eram entrelinhas e elas diziam “sinto sua falta”, “quero falar com você”, “não se esqueça de mim”, “cadê minha melhor amiga”. Você não podia nem esperar dar uma semana, tinha que falar comigo sempre que eu parava de falar com você.

Eu consigo não me lamentar, e consigo sentir sua falta na minha. E até falo com você às vezes, porque, primeiro, você quis que a gente fosse amigo, e, segundo, você quem quis parar com os filmes, carinhos, pernas entrelaçadas e gargalhadas. Vai ver a minha risada não era a coisa mais encantadora do mundo, vai ver você precisava ouvir outras para decidir.

Mas eu não te chamei por quatro dias, e todas as vezes que você estava online que eu queria conversar com você e não conversei matou um pouquinho de coisas dentro de mim, apesar de eu me sentir um pouco mais forte cada vez. Mas você falou comigo, você me contou tudo sobre seu dia e depois me mandou um link de um quadrinho engraçado no Facebook, como se nada tivesse mudado. Vai ver o fantasma da sua presença é o principal causador dos meus sonhos. Vai ver o fato de você não conseguir ficar quatro dias sem falar comigo também quer dizer que você fica olhando pra ver se eu estou online ou quando visualizei por último.

Vai ver você precisa pensar no que isso significa. Pode ser que minha opinião não seja lá a mais imparcial de todas, mas eu diria que quer dizer que você quer minhas risadas de volta.

Beijos,
Carol Santana
Páginas«1 ...1819202122232425»