Quem lembra daquela postagem que eu fiz sobre a Hermione? Era um projeto fotográfico, o Essential Books, no qual todo mês um grupo de blogueiras se organizam para postar fotos diferentes sobre um mesmo tema que envolva literatura. No mês passado o tema era personalidade de uma personagem feminina e esse mês o tema é uma quote, ou citação que nos marcou.

Confesso que apesar de ter delirado quando decidimos a proposta do mês eu comecei a entrar em desespero total depois de um tempo. Desespero esse motivado pela minha incapacidade em escolher apenas uma citação para representar minha vida. Graças à Nina, criadora do projeto e minha grande amiga, decidi me aquietar em uma quote de C.S.Lewis, que me representa muito enquanto ser humano, cristão e escritor.

Uma vez decidido o autor eu fui à caça de uma citação que se não pudesse definir minha vida pudesse ao menos expressar o que estou sentindo nesse momento. É com alegria que posso dizer que encontrei uma que me fez refletir muito. Trata-se de uma parte no livro As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa na qual um sentimento de tristeza é expressado.

Vocês vão entender melhor a minha proposta com essas fotos quando eu fizer um vídeo explicando sobre a minha relação com a personagem Tristeza no filme Divertidamente, mas, por enquanto, esse vídeo ainda não saiu (semana que vem, posso ouvir um Amém, irmãos?) então me resta, antes de apresentar as fotos, pedir para que vocês ativem a parte do cérebro de vocês responsável pela sensibilidade e pelo carinho, do contrário essas fotos não serão capazes de te tocar. Mas tenham em mente que a tristeza não precisa ser uma coisa ruim da qual fugimos incessantemente, e que ela sempre vem com outros sentimentos a tiracolo. Bons sentimentos, e uma libertação da dor.

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I. Quando eu conversei com a Nina (alguma coisa como “NÃO SEI QUAL CITAÇÃO ESCOLHER, ME AJUDE!”) ela disse “Faz Lewis, nada grita Carol tanto quanto Lewis.” A verdade é que As Crônicas de Nárnia foi a primeira obra de fantasia com a qual eu tive contato na minha vida (obrigada, mãe!). E eu carrego, até hoje, um carinho muito grande por essa história e por esse escritor.

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II. Segue a citação:

“Espero que ninguém que esteja lendo esta história alguma vez na vida tenha sido tão infeliz quanto Susana e Lúcia naquela noite. Mas se você sabe o que é isso, se já passou a noite toda acordado e chorou até acabarem as lágrimas.. Então sabe que, no fim, desce sobre a gente uma grande calma. Chegamos até a ter a sensação de que nada mais nos poderá acontecer.”

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III. Então, o primeiro sentimento que essa quote desperta em mim: A tristeza. Dessa de apertar o olho e soluçar no choro. Ela existe, e não tem porquê se envergonhar de senti-la. Sentir dor quer dizer que estamos vivos.

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IV. Quando eu vejo essa frase eu também penso sobre as coisas que me despertam para ser eu mesma. Uma necessidade de sentir alguma coisa além da dor, então eu sinto uma certa quietude, eu comigo.

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V. Quando eu pensei sobre as sensações do quote, essa era pra ser a primeira. O negócio é que depois eu fui reparar, as emoções implícitas nessa citação podem trocar de ordem, podem vir uma antes ou depois, mas sempre será necessário que enfrentemos essa: A solidão. Existe solidão boa e solidão ruim, né? O problema é que elas andam juntas.

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VI. A calma.
Acalma.
Uma grande, imensa e inesgotável calma que a gente não poderia sentir se não estivesse sido preparado pela tristeza de antes.

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Notas sobre essa postagem:
1. Apesar de ter pensado sobre cada sensação e como expressá-la, essa postagem não teria sido possível sem a minha grande e amada Carolina Ozzy, que sempre consegue captar a ideia na minha cabeça e executá-la com leveza e beleza incomparável. Meu muito obrigada de sempre.
2. Vocês podem conferir outras citações, de outros escritores, nos blogs abaixo:
Segredos de uma cerejeira | Amantes da leitura | Raphael Sulivã |
Livro arbítrio | SammySacional | Nina é UmaCupcakeland |
Pensamentos valem ouro | Outro capítuloNaive heart

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Não diz que tá mais uma noite sem dormir. Não me diz. Seria melhor se eu não tivesse que ouvir você dizer que não sabe o que rolou conosco. Seria melhor pra sanidade, melhor pra gastrite, melhor pra taquicardia.

O negócio dos relacionamentos é que o ser humano precisa fazer o que precisa fazer, e por mais que eu gostaria de dizer que eu fui aquela que te curou acho que na verdade eu te quebrei. Talvez você não tenha reparado, afinal, partir um coração não necessariamente envolve uma traição, uma discussão e uma batida de porta. Chega aqui perto que eu vou sussurrar um segredo: Às vezes a gente parte um coração um pouquinho de cada vez.

Assim como o amor nem sempre vem avassalador tirando nossos pés do chão e resumindo, numa mão dada à nossa, toda a segurança do mundo, o fim dele também pode ser sutil. Geralmente é. Ninguém acorda numa manhã de quinta-feira e diz: Bem, acho que não amo mais o grande amor da minha. Francamente, por que eu pensei que essa guria era o amor da minha vida, pra começo de conversa?

Não é assim.

O nosso cérebro vai catalogando as coisas que gostamos de sentir e as que não gostamos e associando isso com certas pessoas. Então quanto mais tempo dura um relacionamento maior a quantidade de sensações partilhadas entre o casal. É apenas natural que ali enterradas no meio das alegrias tenham algumas decepções, né?

É mesmo? Você acha?

Vai depender do peso que cada um atribui para os fracassos. Internamente acho que possuímos uma balança emocional e às vezes dá na telha que uma decepção significa tão mais do que 21 alegrias. E quanto mais peso atribuímos a essas decepções menos enterradas e mais perto das superfície elas vão ficando.

A muitos escapa a percepção de que poderíamos ter atribuído um valor diferente. Poderíamos não, podemos. A vida não nos conduz, nós a conduzimos, e seguimos magoando e sendo magoados não porque o Universo quis assim mas porque fomos a) orgulhosos, b) insensíveis c) egoístas d) mimados e) cegos f) imaturos demais para agir de outra forma, tomar outra decisão ou até relevar.

E se parte. Creck.

Como o celular cuja tela quebrou quando você, desastradamente, o derrubou o amor se fragmenta em frações menores que não são o suficiente para formar a imagem completa. Falta aquela coisa dentro de nós. Alguma coisa se perdeu na queda, aquilo que permitia aos pequenos pedaços se unirem para formar um belo quadro. E a sensação é de que nada nunca vai pulsar novamente chega bem de mansino e se instala ali no cantinho mais empoeirado.

E o que era “Para com isso, eu te amo, tá louca?” vira um “Eu te amo muito, mas não gosto mais de você.”, o que era um “É claro que vamos superar isso juntos.” vira um “Eu te amo, mas não como antes.”, o que era um “Vamos viajar, casar, ter filhos.” se torna um “Eu não te amo mais.”, o que era um “Não tem nada que eu não faria por você.” se torna um “Eu não quero mais fazer isso.”

E nós nos acostumamos tanto a ver conforto, alegria e futuro naquela pessoa que a gente também se parte. Veja bem, um término nunca é fácil para ninguém. Se for é porque não há sentimento. Um término é uma perda, uma morte, uma ausência. É natural que haja um luto, um sofrimento, uma adaptação.

Então não me diz que passou mais uma noite sem dormir se remoendo e sofrendo por tudo que podia ser e não foi, por tudo que devia ter feito e não fez.  O negócio da vida é que às vezes a única coisa que podemos fazer é aquela única coisa que vai nos completar e nos fazer sentir vivos novamente. E nenhuma pessoa pode ser isso para a outra.

É por isso que às vezes precisamos fazer o que precisamos fazer. E isso não é da conta de ninguém. O problema é que ninguém nos avisa que o “doa a quem doer” dói muito, principalmente àquele que o proclama sem perceber o que está fazendo.

Acho que o que eu gostaria de ter dito na última vez que nos vimos é: Não se preocupe, parece muito ruim agora mas você vai se sentir melhor. Às vezes passamos por coisas que nos quebram e nos mudam e sofremos, mas é assim que aprendemos a ser o nosso próprio herói e salvar a nós mesmos. Não espere que ninguém vá te salvar.

A vantagem de estar quebrado é tentar encontrar aquilo que vai nos juntar em um só pedaço novamente. Um dia alguém vai te abraçar tão forte que você talvez seja capaz de sentir cada parte se juntando a outra novamente como se nunca tivessem se partido.

Espere, vai pulsar.

Eu cozinhei uma lata de leite condensado na panela de pressão para comer doce de leite enquanto escrevo essa postagem. Ela merece uma comemoraçãozinha porque é diferente de tudo que eu já escrevi na minha vida.

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“Você não tem uma alma, você é uma alma. Você tem um corpo.” – C.S.Lewis

 

Eu sempre fui a garota mais gorda do meu grupo de amigos. Pelo menos na minha cabeça essa era a realidade, até que eu fui olhar umas fotos minhas do colégio e eu descobri que eu não era nenhum pouco gorda. Vi aquela garota e a achei linda, magra até. E eu simplesmente não tenho lembranças de ela ter existido.

Mas eu nunca tive problemas com bulimia nem com anorexia. Para falar a verdade eu não sei falar o que me separou das meninas que lutam contra isso, porque já passou pela minha cabeça. Acontece que meus pais sempre me falaram que eu posso fazer o que eu quiser e ser quem eu quiser e a única coisa que eu preciso preocupar na vida são as consequências das minhas ações, então com a mesma velocidade doida que essas ideias idiotas apareciam na minha cabeça elas iam embora. O maior medo da minha vida é eu morrer e não ver meus livros – minhas palavras, minha alma e todo o meu imenso universo – nunca serem compartilhados com o mundo, então eu sempre soube que precisava ficar bem, e ficar viva para ver isso acontecendo.

Mas eu nunca uso shorts. Opa, quer dizer, eu não usava shorts.

Nessa minha mente de quem se achava gorda eu detesto minhas coxas (por enquanto ainda não gosto mas não foi isso que mudou). Na verdade eu não sei falar o que mudou. Eu olho aqui e tudo continua o mesmo. Meus livros continuam na estante, minhas ideias na cabeça e um monte de rascunhos em um moleskine, surprise surprise, quem mudou fui eu. Eu comecei a olhar as minhas fotos antigas e pensei: Quanto tempo eu perdi achando que minhas coxas eram feias demais para ficarem em evidência. Quanto tempo eu me abstive do que eu queria por causa do que as pessoas iam pensar. Quanta vontade já passei atoa por achar que não ia ficar tão bom em mim quanto ficou na moça da propaganda.

Só que agora eu não tô nem ai. Minhas pernas continuam cheias de celulite, mas eu descobri que eu posso usar shorts mesmo assim e o centro gravitacional da Terra vai continuar o mesmo, ou seja: a única pessoa que é afetada por isso e se importa sou eu. Euzinha, ninguém mais. Eu comprei um short imenso, um número maior que o meu que é para garantir que não ia ficar apertado, e eu me amei tanto dentro dele que eu comecei a me exercitar e comer melhor para poder usar todos os shorts do mundo. Só que eu perdi tanto peso que agora ele tá dois números maior que eu. Eu não fazia ideia de que shorts são tão bons, porque eu nunca tinha usado um antes.

O problema é que eu me amei tanto dentro dele que comprei logo dois e agora eu estou com dois shorts imensos e lindos que eu não consigo parar de usar.

Hoje é o primeiro, em 20 dias que eu como um doce e eu estou muito, muito feliz. Não é que eu ache que eu preciso parar de comer doce para me ver feliz comigo mesma, é que eu me comprometi a domar a compulsão, e eu consegui. E vou continuar praticando só para provar a mim mesma que consigo. Eu não me lembro de nunca ter me sentido assim, ainda preciso perder 12 quilos para chegar ao meu peso ideal mas eu estou fazendo essa postagem hoje não é para mostrar o look do dia, é para dizer que eu estou muito feliz.

Estou feliz com meu corpo. Feliz com essas fotos lindas que a Caroline Ozzy, minha parceira linda, tirou, e feliz porque eu estou usando um shorts nelas, e eu estou me achando muito linda. Os meus seios ainda tem estrias e eu não estou dizendo que as amo, mas eu decidi que vou usar biquíni assim mesmo. Eu parei de pintar meu cabelo porque eu queria usar os cachos dele naturais e para reparar o dano da tintura eu costumava fazer selagem – que alisa o cabelo -, só que apesar de já ter cortado mil vezes ainda tem uma parte dele com química, mas nesse dia eu quis usar tudo natural. Eu tava tão animada para mostrar o shorts que eu esqueci de colocar qualquer brinco, anel ou colar. Esqueci de mostrar a bolsa porque eu tava tão leve e dançando nesse dia que era como se eu fosse um pássaro.

A gente passa tanto tempo tentando se encaixar, tentando ser aquilo que as pessoas esperam de nós que nos esquecemos de ser quem nos cabe. E a vida vai passando e nós escolhemos o que nos define enquanto pessoas, mas eu não quero que o meu corpo me defina. Eu preciso dele para fazer todas as coisas que quero fazer, então preciso cuidar dele. Mas ele é só onde eu moro, a casa da minha alma.

Queria poder explicar a mudança que deu aqui, mas é como se eu tivesse girado um botão e o click acendeu uma luz que antes estava apagada, mas agora eu posso ver melhor. Se você não gosta do que vê você pode mudar. Vá com calma, não se desespere. O corpo é parte de quem você é, mas não é tudo. Você não tem uma alma, você é uma alma. Você tem um corpo.

Você não precisa amar tudo em você. Mas você não precisa deixar de querer uma roupa, deixar de ir em um evento, deixar de usar uma peça porque disseram que você não podia. Seja livre. Livre das paranoias da sua própria cabeça, livre da pressões externas, livre da manipulação das lojas que querem fazer você se sentir como se apenas um modelo te coubesse. E se você não acha que merece, espero que hoje saiba que você pode, que você merece e não são as roupas que escolhem você, mas você quem as escolhe: escolha o que quiser.

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Shorts: C&A / Top Cropped: Marisa / Casaquinho: Feira de Malhas/ Tênis: Allstar / Batom: Sapatilha – Dailus

Esse post não é um publieditorial mas eu não tinha como terminar essa postagem sem agradecer à C&A por ter criado esse short. Vocês mudaram a minha vida de tal forma que não fazem ideia. Muito obrigada de coração.

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