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Eu queria ouvir a sua voz. Eu liguei porque eu estava vendo umas fotos nossas, e aquele teu sorriso ficou impresso na minha mente de uma forma tão precisa, que a necessidade de ouvir a sua voz me inundou. Fiquei com medo de ter esquecido, então eu liguei pra confirmar. Mas você estava fora se divertindo com seus amigos e aquela menina que você ficou bem depois de a gente terminar. Parece que foi ontem e a gente tava rindo para aquelas fotos, dai hoje já fazem semanas que eu não tenho notícias suas.

Desculpa, eu não devia ter ligado. Eu me forcei a não ligar. Eu queria não ter ligado, queria ter sido forte o bastante pra até esquecer que você existe. Queria nunca ter ouvido o barulho alto do bar que você estava bem quando você disse Alô!. Mas a verdade é que eu sempre quero muitas coisas.

Queria que você ficasse ao meu lado para o que der e vier, acho que isso é uma das coisas que eu mais quis. Passei tanto tempo achando que era isso que ia acontecer que nem parei para pensar em como ia ser a vida quando você não fosse mais estar ali comigo porque, quem ia imaginar que esse dia fosse chegar? Chegou.

Queria que a gente fosse um daqueles casais de velhinhos que estão juntos há cinquenta anos. Enquanto eu olhava as nossas fotos eu achei várias muito engraçadas que iam ficar bem legais naqueles clipes zoados de casamento. Fotos da praia, dos vários natais que passamos juntos, você com um super bolo de aniversário, depois você de careta, uniforme, depois a sua primeira selfie, depois você de terno. Foram tantas fotos, de tantos momentos de tantas lembranças que compartilhamos. Mas enquanto eu pensava sobre tudo isso e na falta que você me faz, você estava em um bar.

É por isso que eu queria não ter te ligado. Porque eu preciso parar com essa mania de achar que você sente a minha falta, preciso parar com essa mania, que é quase uma morte lenta e dolorosa, de pensar que você mudou de ideia, e que agora tá tudo bem. Nada está bem. Mas teria ficado se eu não tivesse ligado. Se por um dia a mais eu tivesse simplesmente continuado a minha vida e afastado todos os pensamentos dolorosos da minha cabeça, gritando o tempo todo que independente do quão doloroso é ficar sem você, foi isso que você escolheu enquanto ainda poderíamos estar juntos e por isso só posso concluir que estar comigo não era lá o que eu achei que fosse pra você, se por um dia a mais eu tivesse esquecido essas vozes e não ligado, talvez eu não soubesse que você estava em um bar, e ai por mais um dia, eu estaria bem.

Mas não foi isso que aconteceu, né?

Achei no mínimo interessante como essa coisa de ficar solteiro funcionou pra você, porque todo mundo muda, é verdade, mas você mudou de uma forma que eu já não vejo mais quem você era. Engraçado que você sempre identificou a gente como Ross e Rachel, e hoje mais que nunca eu acho apropriado. Existe um episódio no qual a Rachel diz ao Ross que ele era a pessoa que ela mais confiava no mundo, porque era uma pessoa que ela sempre acreditou que nunca a machucaria, e agora ele parecia uma pessoa completamente diferente, por isso ela não podia mais confiar nele. Mas quando a gente está em um relacionamento a gente nunca acha que aquela pessoa vai ser capaz de nos ferir, a magia do Amor é acreditar que ele vai ser forte e bondoso, fiel e eterno, amigo e presente, parceiro e leal. A magia é acreditar que vai durar.

E teria dado certo, teria ficado bem se pelo menos eu não tivesse te ligado pra descobrir que você estava em outro lugar, com outras pessoas, não pensando em nada disso e vivendo a sua vida, tão mais diferente agora que eu não estou nela.

Foi por isso que eu desliguei.

 

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É engraçado como a gente sobrevive depois que um relacionamento morre. Quando estamos envolvidos em uma relação damos tudo de nós e aquele relacionamento passa a ser uma parte grande da nossa vida e de quem somos, então quando o relacionamento deixa de existir ficamos um pouco perdidos ali no limbo esperando alguma coisa acontecer, esperando para sermos felizes novamente, e o limbo vira um lugar confortável onde você não sabe quem é – porque achava que o relacionamento era quase tudo, e essa pequena porção da sua vida que não era o relacionamento parece pequena demais para preencher todo o espaço deixado pela ausência de uma relação – e não sabe o que quer fazer de agora em diante porque todos os planos que você tinha para a vida incluíam outra pessoa, e agora você precisa reescrever esses planos para que sejam planos individuais.

Mas tudo bem ser assim, e é por isso que esse período que a gente vive no limbo é confortável, porque é um tempo que você é obrigado a entrar em contato consigo mesmo e analisar o que quer. O fato de não ter ninguém por perto pra te dizer o que fazer só faz com que você seja forçado a tomar decisões por si mesmo, e por muitas vezes, isso nos faz crescer como pessoas. Então a gente sobrevive. Nunca pensando que isso podia acontecer, antes a gente achava que se o outro se afastasse a gente ia morrer. Não morre.

Hoje eu estava aqui pensando sobre você e me deu um apertinho no coração. Um apertinho no coração daquele tipo que fazia tempo que não dava, acho que é porque fazia algum tempo que eu não pensava em você. Mas hoje eu pensei e enquanto pensava me lembrei de várias coisas. Lembrei por exemplo, das viagens que a gente nunca fez. É uma coisa que sempre dissemos que íamos fazer e nunca fizemos. Achamos que tínhamos muito tempo.

Nós também tínhamos o costume de cozinhar juntos, agora eu prefiro comida de restaurante. Parece inútil cozinhar pratos individuais, e não tem diversão nenhuma ficar na cozinha sem alguém pra ficar rindo e conversando junto. A gente comprou uma edição especial do jogo que permitia que nos dois jogássemos juntos, mas isso também nunca mais aconteceu, pode ver, R$ 40,00 que nunca teremos de volta. Essas são coisas bobas e pequenas, mas eu fico pensando sobre o que poderia ter feito você abrir mão dessas coisas.

Sabe, todo mundo tem problemas. Você disse que estava passando por crises e conflitos que só poderia resolver descobrindo quem realmente era, e eu entendo isso. É muito fácil se perder. É muito fácil ter certeza de uma coisa, e depois ver que não era aquilo. É muito fácil não saber o que fazer depois. Mas eu não acho que seja fácil saber. Eu não acho que a gente pode se isolar do mundo inteiro e esperar que a solidão nos dê as respostas para os próximos vinte anos. O que eu acho, aliás, o que eu sei, é que as coisas importantes da vida a gente mantem apesar dos problemas. O que eu sei é que não é certo dizer Adeus a alguém porque ela é a melhor coisa da sua vida, e sentir tudo isso por alguém te impede de sentir outras coisas. Você pode até tentar não sentir nada por mim, mas ainda vai sentir outras coisas, ainda vai sentir todo o resto! Então se quis ficar sozinho na esperança de que a dor por estar perdido fosse diminuir, ou que você simplesmente não fosse senti-la, eu sinto muito, não vai funcionar.

Eu poderia ter sido sua bússola. Eu teria te ajudo encontrar o caminho certo. Eu teria feito isso, e teria ficado muito feliz em ser pra você quem você foi pra mim. Mas você queria encontrar o caminho sozinho. E quando eu lembro dessas coisas que você disse, sobre não saber, sobre ter dúvidas, sobre não ser, sobre estar perdido, tudo isso me faz imaginar o Pequeno Príncipe no deserto. Eu teria sido a rosa que te dá esperanças. Aquela rosa que fez com que o Pequeno Príncipe percebesse que sentia saudades de casa, sabe? Eu teria te dado esperanças, eu teria sido a sua rosa. Se você estivesse perdido e não soubesse o caminho de volta, eu teria sido a estrela que te indica a direção e se você tivesse feito um pedido, eu teria realizado.

Você nunca entendeu que eu teria sido tudo, porque você preferiu que eu não fosse nada. E é por isso que quando um relacionamento termina a gente acha que vai morrer, porque estar em um relacionamento é acreditar que teremos alguém do nosso lado em quem podemos nos apoiar quando precisarmos de conforto e ajuda, e é também ter a consciência de que existe alguém que vai se apoiar em você. Eu achei que você fosse se apoiar pra mim. Que eu seria seu Norte, sua Esperança e sua Direção. Mas você preferiu sua própria bússola quebrada que apontava lugar nenhum, um vaso sem flores e nunca olhou pra cima.

Mas a gente não morre. A gente vive.

Pode até ser uma surpresa quando nos encontramos de pé depois de uma tempestade, com uma bússola capaz de nos mostrar o caminho certo, uma rosa para não nos deixar esquecer o que é importante, e olhando estrelas no céu. Mas isso acontece, e não olhamos mais pra trás com arrependimentos ou dor. Às vezes a gente nem se dá ao trabalho de olhar, porque não tem motivos pra ver esperanças em quem não viu nada em nós.

 

Eis que chegou o Inverno e eu não sei vocês, mas eu não poderia estar mais feliz. Primeiro porque dá pra ir trabalhar a pé sem chegar lá suada. Segundo porque se alguém me chamar pra sair e eu falar que não vou porque tô com frio, ninguém tem o direito de achar ruim (de qualquer não tem direito de achar ruim, mas geralmente acham). E a melhor coisa sobre o Inverno, é claro, é poder ver todas as séries, filmes e livros do mundo e a gente fica meio preguiçoso então sobram algumas horinhas pra descuido.

O 6 on 6, que é um projetinho aqui do blog para mostrar mais da minha visão sobre um tema específico, vamos ver então como é o Inverno por aqui.

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I. Vamos pegar os nossos DVD’s e maratonar Harry Potter. Fiz um 6 on 6 um pouco potterhead porque o mês de Julho é o mês mais potterhead da vida, então foi difícil não me inspirar. Na vibe do frio rolam muitos filmes, e apesar de achar que foi uma adaptação fraca, eu gosto bastante da Ordem da Fênix porque apesar de ser potterhead de carteirinha (literalmente) eu tenho mil vezes mais preferência pela história dos pais do Harry do que pela história do Harry mesmo. A foto da Armada é meio pixelada e desfocada pra dar o aspecto de velho, e ela perde ainda mais um pouco do foco porque se você vira ela na mão contra a luz os personagens mudam de lugar pra dar a ideia das fotos que se movem no mundo mágico.

II. Pra ficar mais aconchegante no frio em frente à TV para maratonar Harry Potter, nada melhor do que meu cosplay, que é bem quentinho. Me julguem (ou não, whatever).

III. O Prisioneiro de Azkaban é sem dúvida o meu livro favorito. Conta a história do Sirius, que é meu personagem favorito, e a história dos pais do Harry, que pra mim é a melhor parte da saga inteira. Além do mais é o livro em que os dementadores mais aparecem, logo, frio e esse capítulo é muito especial porque até hoje tenho dúvidas profundas sobre qual é a minha casa de verdade. Fui colocada três vezes na Corvinal pelo Pottermore, mas cresci com carinho pela Grifinória, hoje me identifico mais como Corvinal apesar de o meu cosplay – que é bem antigo – ser da Grifinória.

IV. Falem o que quiserem, mas as melhores histórias do mundo – ou pelo menos as minhas histórias favoritas – envolvem viagem no tempo. Como podia ser diferente com essa sendo que ela ainda é focada na Hermione? Impossível.

V. E aí, como a vida não é só Harry Potter (mas devia ser), separei as coisas que eu mais gosto de usar no Inverno: as botinhas. Pra falar a verdade eu uso no verão também e não tô nem aí, mas tem dias que estão quentes demais e não dá pra aguentar. No Inverno além de poder usá-las livremente ainda chegam mais opções nas lojas. Muito amô.

VI. E já que estamos falando sobre as principais escolhas fashion do Inverno, tá liberado usar batom escuro. Usem mais que tá pouco. Aí estão os meus favoritos: O Cabernet da Eudora, o Framboesa da Avon e o Rebel da MAC. Reparem que estão todos acabando, então, quem quiser mandar de presente tô aceitando.

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É isso pessoal, espero que tenham gostado das minhas escolhas favoritas de Inverno, não deixem de conferir as fotos das meninas, tá bem?

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