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Eu estava em uma mesa de bar com uns amigos na semana passada depois do trabalho, e depois de alguns vários chopps que eles tomaram alguém resolveu levantar a questão do amor. Afinal, aparentemente pessoas em bares sem a total capacidade de raciocínio lógico, parecem ser as mais propensas a desvendar os mistérios do coração.

Estavam na mesa: uma amiga de quase trinta anos que nunca teve um relacionamento duradouro, uma amiga que foi traída pelo namorado que mora em outra cidade, o namorado dessa amiga – o qual ela perdoou – uma terceira amiga que foi traída pelo esposo, o esposo que por questões financeiras ainda mora com ela, mas está fazendo de tudo para ser perdoado e reatar o relacionamento, um amigo que levou um chá de sumiço de um cara por quem estava apaixonado e euzinha, que pelos últimos sete anos achei que estivesse muito bem, obrigada, nas questões do coração, mas isso se provou uma inverdade há seis meses atrás quando meu relacionamento de mais de meia década terminou.

Como você talvez possa prever, foi uma discussão um pouco longa com uma conclusão nem tão conclusiva assim. Mas eu voltei pra casa naquele dia e fiquei pensando o porquê de tanta gente querer racionalizar um sentimento que não faz o menor sentido. Aliás, ele faz todo o sentido se for sentido, mas não faz sentido se for racionalizado.

Pensando sobre isso também não cheguei tão longe, mas acho que é um sistema de controle que a pessoa faz, algumas vezes até involuntariamente, para sentir que pode entender e talvez por meio desse entendimento, controlar, o bendito sentimento.

Entrei na onda dos pensadores de bar com phd em elucidações não conclusivas, e cheguei ao seguinte resultado: Amar é um verbo, tem até conjugações. Eu amo, tu nem tanto, ele não se importa, nós nos separamos, vós ficais sozinho, eles não entenderam nada. Ou algo do tipo.

Pra ser verbo requer ação, e é nisso que muita gente falha, porque todo mundo quer entender o Amor – que é um substantivo e, portanto evidencia a substância, a essência de alguma coisa – mas quase ninguém quer entender o Amar – que é um verbo, e, portanto requer uma pessoa executando-a.

É um verbo que começa diferente, começa, por exemplo, com Ouvir. Você conhece uma pessoa e ela vai te contar algumas coisas sobre ela, então você vai Ouvir pra conhecê-la um pouco. Depois vem Entender, Respeitar, Encantar (-se), Compartilhar, Acompanhar, Dividir e de repente Amar. Às vezes muda a ordem, às vezes adicionam alguns outros verbos no caminho porque não é receita de bolo que tem um passo a passo e todo mundo que seguir exatamente daquela forma vai conseguir o resultado final. Mas funciona mais ou menos assim mesmo com as certas peculiaridades que cada relacionamento tem.

Mas não é simples assim, certo? Por que se fosse todo mundo que você conhece estaria feliz na companhia de alguém. E a verdade é que tem gente sozinho, muito bem, obrigado, e tem gente infeliz acompanhado, e tem gente que não sabe o que tá fazendo ou sentindo e ai resolve chutar o pau da barraca com qualquer um que tente oferecer uma coisa que eles não sabem, racionalmente, processar.

O motivo pelo qual isso acontece? Acho, que eles passam a ver Amar como um verbo completo e independente que não precisa de nenhum de seus antecessores, e se esquecem de que Amar só é possível porque houveram várias outras ações que juntas produziram esse sentimento. Ouvir, Entender, Respeitar e todo o resto fica em segundo plano porque acham que Amar vai se realizar por si só.

Você não precisa meditar sobre esse verbo se não quiser. Eu não tenho esperanças de que a minha pequena reflexão vá mudar alguma coisa na maneira como você enxerga essa ação. Esse texto é para os pensadores de bar com elucidações não conclusivas, se você não é um desses talvez não vá entender. Talvez você seja um daqueles que não liga para a construção de um sentido racional da palavra, e sim ao sentido do seu peito. Pra falar a verdade, acho que é assim que tem que ser, já que tem tanta gente amando sem razão não era sem tempo de a gente aprender que a razão não combina com Amar, que a razão não combina com Amor, e é por isso que tem gente até hoje esperando tudo mudar, mesmo que racionalmente isso não faça o menor sentido.

Voltei com o Lenstrick, e o tema desse mês foi Natureza usando a técnica Macro. Confesso que foi difícil no começo, ajustar o foco e tentar não deixar todas as fotos centralizadas, mas depois acabei me soltando e aprendi algumas coisinhas, vamos ver os resultados? Ficaram bem coloridinhas e tá muito amor. Quem quiser mais informações sobre a técnica é só clicar AQUI.
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Como vocês sabem o Lenstrick é um projeto em grupo, então, para conferir os resultados das meninas é só conferir nos links abaixo:

 / Tati / Luanna / Lory / Aléxia / Nicolle / Mari / Julie /

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Existe uma palavra no Inglês cuja melhor tradução para o Português é “ou”, mas o “ou” não exprime exatamente a condição que essa palavra quer expressar. A palavra Either representa uma escolha que a pessoa precisa fazer. É uma condição na qual você não pode escolher mais de uma coisa, então, digamos que chega uma pessoa na sua casa e você quer oferecer café ou água pra essa pessoa: “You can have either coffee or water.” Tudo bem, talvez esse não seja o melhor exemplo porque vai que o seu convidado quer as duas coisas, você vai estar sendo grosso se não der.

Mas a condição do Either é que ele não te permite ter os dois. Se você escolher o café vai ficar sem água, se você escolher a água vai ficar sem café. O interessante das línguas é que a gente nunca aprende uma coisa só. O cérebro vai fazendo associações tipo hiperlinks no wikipédia e adicionando informações pra gente aprender mais. O Either é comumente ensinado junto com o Both e o Neither, ambos também relacionados à escolhas e opções, mas, calma isso aqui não é uma aula de gramática, a gente chega lá.

O Both é o que no Português conhecemos como “ambos”. “You can have both, coffee and water.” Também pode ser “tanto um como o outro”, é difícil traduzir porque a maioria das expressões do Português são muito maiores do que uma palavra só, mas o Both quer dizer que é possível ter mais de uma coisa. Para o que vamos ver aqui o Both não é muito interessante porque dificilmente teremos como ter as duas coisas.

A humanidade está presa em uma constante competição cujo vencedor é aquele for mais. Desde que nascemos nos falaram que a gente tinha que ser o melhor. Não tem espaço pra todo mundo, porque se todo mundo for médico, quem vai catar o lixo? Tem que se destacar pra poder ter uma chance, pequena, quase insignificante de escolher.

E vão nos moldando pra isso, mas ninguém nos prepara para a escolha. Nunca é fácil escolher nada, porque quando a gente escolhe, escolhe de verdade sem oportunidade de ter as duas coisas, a gente escolhe uma coisa no lugar de outra. Café ou água. Não ambos. E vamos poder ter e levar apenas uma coisa para o resto de nossas vidas.

O que não é verdade, porque as coisas não são assim. Falaram várias vezes que a gente precisa escolher, que a gente precisa saber. Mas nem toda escolha é irrevogável, as pessoas tem direito de mudar de ideia e começar tudo de novo, o problema de começar de novo é que é preciso abrir mão de algumas coisas para começar de novo, então as pessoas geralmente não optam por fazer isso, mas continuar em sua zona de conforto, mesmo que com o passar do tempo ela se mostre não tão confortável assim. Dos males o pior.

Se você me perguntar, acho que essa constante competição não é nenhum pouco saudável e nem válida. Trabalho duro é trabalho duro, não importa se você está fazendo bolos desde às seis da manhã, malabarismos no sinal ou preenchendo colunas coloridas no Excel. E algumas pessoas querem fazer bolos, mas escolhem outras coisas porque isso paga melhor e ai de você se não atualizar as redes sociais com uma foto perfeita em um lugar inusitado pra mostrar pra todo mundo o quando sua vida é boa e você é feliz.

Você achou que com 25 anos estaria ganhando seis mil reais e cavando poços na África porque não queria a mercearia e os dois filhos que os seus pais tinham com 25 anos, mas sim um Iphone e dinheiro na poupança para fazer viagens pro Nordeste no feriadão. Alguns dos seus amigos do colégio postam fotos de casamento, e alguns inclusive já até se divorciaram, outros foram largados no altar, e tem gente que já está no terceiro filho! Você não faz a menor ideia do que vai fazer porque parece que todo mundo falou o tempo todo que você só podia ter café ou água, nunca ambos e a verdade é que você não sabe.

A geração Y, que foi criada para ser CEO’s, ter ideias, salvar o planeta, se voluntariar em ONG’s, doar dinheiro pra caridade, preservar o meio ambiente e adotar crianças vai passar, já passou ou está passando por essa crise de identidade onde ninguém sabe se quer água ou café, e quem escolheu água se arrependeu e quem escolheu café continua com sede, mas ninguém fala sobre isso porque todo mundo está ocupado demais postando fotos muito felizes no Instagram porque aí de quem não usa a Hastag Feliz.

E a Felicidade vai sendo colocada como a coisa que todos precisam ter e quem não tem é fracassado. E o pior não é não ser Feliz, o pior é ver esse famoso estado de espírito ser associado com o carro na sua garagem, a quantidade de likes que você recebeu e quantos retweets te deram. Acontece que vocês entenderam tudo errado.

O Neither é a terceira palavra que a gente aprende no Inglês que diz respeito às escolhas, e no Português a tradução mais perto que temos é “Nem um nem outro” existem outros usos, como por exemplo quando você quer concordar com uma afirmação negativa da pessoa Maria não gosta de cerveja, “Neither do I”, significando Eu também não gosto. Mas o uso que eu mais gosto é o “nem um nem outro”, então, se você oferecer água ou café pra uma pessoa, e ela quiser chá, ela provavelmente vai te responder: “Neither, I’d like tea, please.”

Vão existir momentos em que você vai estar Feliz, e outros em que você não vai estar Nada. Não precisa ter uma Hastag pra cada momento da sua vida, e muitas vezes você vai sentir coisas que não há adjetivos para descrever. E tudo bem. Você não precisa achar que vai acordar um dia e todo o trabalho de sua vida vai estar, de repente, trabalhando pra você. Sabe aquele filme em que todo mundo sofre bastante e no final estão felizes tomando champagne em Paris? É só um filme.

Você vai sofrer um pouco, não vai saber de nada às vezes, e vai sentir que está cada vez mais distante do que um dia achou que fosse ser “A Felicidade”. Mas a felicidade não é uma entidade que está lá tão longe e você tem que correr para alcançar. Não é um destino que você traça a rota no GPS e depois de alguns barrancos, chegou. É mais como um estado de espírito relacionado ao que você sente quando pensa sobre quem você é e quem você tem. E você pode sentir isso hoje, e amanhã não sentir mais, e depois sentir de novo.

Não é errado se sentir triste ou querer ficar sozinho. Não é errado ter medo. Só porque tem várias pessoas casando não quer dizer que você precise fazer isso. Só porque eles se divorciaram não quer dizer que isso também vá acontecer com você. Existe um medo absurdo rondando todo mundo de que não vamos conseguir ser felizes, e de que temos que tomar uma decisão, e de que tem que ser café ou água.

Mas você pode fazer o que precisa fazer, quando precisar fazer. E pode fazer bolos, malabarismo no sinal, preencher tabelas coloridas no Excel, ter uma mercearia, furar poços na África, ou fazer qualquer outra coisa que queira fazer, desde que saiba o porquê de estar fazendo, e que isso te faça bem.

Você não precisa ser nem Feliz e nem Triste, e com certeza não precisa descobrir agora, e com certeza pode mudar de ideia se descobrir que tomou a decisão errada. Pode ser que você não tenha nenhum plano para os próximos seis meses, e não precisa surtar por causa disso só porque tem gente fazendo várias coisas e postando fotos felizes. Vai ver eles descobriram que querem é água mesmo. Vai ver não descobriram e estão metendo a cara pra descobrir. Ensinaram que a gente devia fazer de tudo e gastar todas as nossas forças tentando ser Feliz, e que só a Felicidade ia poder nos acalmar. Mas a felicidade é só uma consequência do que a gente sente, quando tem paz.

Se você disser que não faz a menor ideia do que vai fazer com a sua vida, não tem problema. Neither do I.

 

 

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