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“Julgar uma pessoa não define quem ela é. Define quem você é.”

2015 foi um ano muito bom para diversos movimentos. Tivemos a oportunidade e a consciência para nos posicionarmos em diversos casos que foram entrando cada vez mais em evidência a medida que eram discutidos. Teve feminismo, homofobia, racismo e vários outros tópicos que por muito tempo ignoramos, mas quando a bomba explodia com algum caso absurdo de alguém que sofreu algum tipo de abuso, chegava a hora de falar sobre isso, e principalmente de falar sobre o porquê não falamos antes.

Quando a Jout Jout, em fevereiro de 2015, gravou um vídeo no seu até então não tão conhecido canal de Youtube falando sobre relacionamentos abusivos e a necessidade de manter o batom vermelho como uma forma de posicionamento sobre o seu abusador, não apenas o canal dela explodiu como a internet virou o tribunal onde começamos a julgar o que é um relacionamento abusivo, quem está em um relacionamento abusivo, como podemos ajudar essa pessoa a se livrar de um relacionamento abusivo, entre outras coisas.

Veja bem, julgar é um ato necessário para o bem da nossa existência. Se os nossos antepassados não tivessem aprendido a julgar uma frutinha na floresta entre venenosa ou não venenosa é possível que a raça humana tivesse se extinguido (droga, ancestrais!). Julgamos se uma vizinhança é segura para frequentarmos, julgamos se é seguro sentar ao lado de pessoa X no ônibus, julgamos se vai chover e se devemos ou não levar um guarda-chuva. É normal fazer isso pois existe mais de uma definição sobre o verbo julgar.

jul·gar

verbo transitivo

1. Proceder ao exame da causa de.
2. Decidir (como juiz, árbitro, etc.).
3. Sentenciar.
4. Formar juízo acerca de.
5. Imaginar.
6. Crer, supor.
7. Ter na conta de.

verbo intransitivo

8. Pronunciar sentença.
9. Formar conceito.

verbo pronominal

10. Ser juiz de si mesmo; avaliar-se; crer-se.

Quando julgamos se vai chover, ou se uma frutinha na floresta é venenosa estamos, conforme sugere a definição 4 do dicionário, formando um juízo acerca daquilo e dos efeitos que aquilo pode ter para nós, é um ato necessário pois para o nosso próprio bem é melhor que não peguemos um resfriado, ou sejamos envenenados.

No entanto, apesar da necessidade de se julgar algumas coisas, é fato que o verbo se estendeu para outros aspectos da vida, como o julgamento de pessoas, por exemplo.  E estou aqui para destacar como esse julgamento pode facilmente (e imperceptivelmente) se transformar em um relacionamento abusivo e como isso é tão perigoso como uma frutinha envenenada.

Estamos ouvindo em todo lugar, a todo momento e de todo mundo que devemos ser quem somos e as pessoas precisam aceitar isso. Quando a realidade é que isso não é verdade. Quando eu vejo uma mulher assassinar seu esposo à sangue frio meu cérebro tenta, automaticamente, baseado nos meus valores, emitir um julgamento sobre essa mulher. Por exemplo, nos meus valores está claro e explícito que nenhuma pessoa possui o direito de tirar a vida de outra pessoa. É simples assim, preto no branco. 8 ou 80. E então a discussão segue e descobrimos que essa mulher do exemplo citado, a assassina, apanhou de sua vítima por toda a vida, e sofreu diversos abusos psicológicos, foi impedida, através de chantagens ou força física, de fazer muitas coisas que sempre quis –  como ir à escola, por exemplo – e em um surto de consciência resolveu por um fim no seu abuso, por isso botou fim na vida de seu abusador.

O caso citado pode ou não ser verdade, mas o importante é entender que a mesma pessoa é várias pessoas. Uma vítima é uma vítima porque alguém a fez uma, ou porque ela permitiu que a fizessem. A mulher, que era vítima e então virou assassina, poderia ter escolhido um caminho diferente para sua história. Mas ela escolheu se submeter a esses abusos, permitindo que esse esposo fizesse o que quisesse com ela, e então posteriormente escolheu não se submeter mais a esses abusos. O abusador, por sua vez, também tem uma histórica única e singular que só ele sabe, mas que ele escolheu permitir que o transformasse em um abusador, e ele foi muitas coisas antes de ser a vítima. Embora, na minha cabeça, uma coisa não justifique a outra e eu já esteja julgando mesmo que eles sejam apenas personagens deste texto.

Mas eu não posso julgá-la. Porque eu não sou ela. Eu não andei onde ela andou, não estive onde ela esteve, e por mais que tente não a entendo. Porque eu não passei por isso. Eu não reagi da maneira que ela reagiu e eu não sei como é viver com isso. O abusador, cuja realidade também não conheço e, na minha cabeça, poderia ter escolhido não ser um babaca completo, também não sou eu.

Eu espero que vocês entendam que o que quero com esse texto não é elaborar uma lei para que as pessoas saiam impunes sobre as suas atividades, mas dei exemplo extremista para mostrar que nada na vida é branco no preto. Em um mundo ideal onde só o que existe é a verdade e a justiça esse esposo não teria morrido, e essa mulher não teria sido abusada. Cada pessoa encontra uma forma de lidar com as nuances de injustiça e conflitos entre o branco e preto da paleta da vida, mas o que ninguém conta é que a maneira que escolhemos lidar com essas nuances de cores da vida, a maneira que escolhemos responder às partes que não são pretas no branco, isso muda quem nós somos.

Se outrora era uma pessoa homofóbica e possui um filho gay, pode mudar de opinião. Se outrora era budista mas conheceu Cristo, pode mudar de opinião. Se era cristã e conheceu Buda, pode mudar de opinião. Se era prostituta mas não quer ser, pode mudar de opinião. Se era arrogante mas quer ouvir a opinião dos outros, pode mudar de opinião. O problema é que não sabemos lidar com mudanças. Para ter pleno controle sobre as pessoas queremos que elas nos deem satisfação sobre tudo: com quem andam, aonde trabalham, quanto ganham. E se alguma dessas coisas muda eu preciso elaborar uma nova forma de exercer controle sobre essa pessoas porque ela mudou e o meu controle antigo já não funciona mais.

Os meus valores são para mim, e vão conduzir a minha vida. Quem você é diz respeito apenas  a você. Se você é egoísta porque cansou de se importar com as pessoas eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou. Se você é prostituta porque porque a vida não te deu oportunidades eu não posso compreendê-la, porque eu não sei o que você passou. Se você é gay porque simplesmente é assim desde que se lembra eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou. Se você é um babaca porque foi ensinado a ser assim e essa é a única realidade que você conhece eu não posso compreendê-lo, porque eu não sei o que você passou.

O ponto principal que arruina um julgamento é tentar elaborá-lo a partir da nossa visão do mundo. Porque são poucas as situações em que julgamos a nós mesmos. Então usamos os nossos valores para julgar o outro, quando o outro, na verdade, tem sua própria carga e os próprios valores que vão guiar quem ele é. E ele pode escolher mudar isso, mas não cabe a mim embutir nele a minha visão do mundo e tentar mudá-lo a partir disso.

Não funciona usar as suas experiências para julgar o outro. E é aqui que nasce um relacionamento abusivo invisível. “Por que você não dá atenção suficiente à sua amiga?”, “Por que você não se esforça para ser uma filha melhor?”, “Por que você não dá atenção aos seus filhos?”, “Por que você trabalha em tantos empregos e não fica um pouco em casa?”, “Por que você só fica nesse quarto?”, “Por que você nunca para em emprego nenhum?”, “Por que você não termina logo essa faculdade?”.

Queremos tanto que as pessoas façam as coisas à nossa maneira que quando desaprovamos a atitude de alguém a tendência é a de querer puni-la. “Você não lavou a louça? Pois eu não vou lavar o banheiro!”, “Você não foi à festa comigo? Pois eu não vou te dar presente de aniversário!”, “Você não quis ir pra praia passar o ano novo comigo? Pois nem vai fazer falta!”, “Você não quis fazer almoço pra mim? Pois eu não vou te passar a senha do Netflix.”, “Você não me emprestou seu batom? Pois eu não vou te emprestar minha bolsa!” E isso constitui o controle que caracteriza um relacionamento abusivo.

Lendo assim parece a quinta série. Mas são atitudes que permanecem mesmo depois do doutorado simplesmente porque existem pessoas que não aceitam que as coisas não vão funcionar à maneira delas, que as pessoas não vão funcionar à maneira delas. É como se quiséssemos mandar em alguém para que ela faça tudo na vida dela conforme nós faríamos na nossa vida e quando alguém se enche dessa dominação, desses abusos, e simplesmente decide que não está nem aí para o que os outros pensam ou dizem, ou julgam, essa pessoa – aos nossos olhos – se torna egoísta. “Você só pensa em você.”, “Você não facilita.”, “Você faz tudo do seu jeito.”, “Você não é flexível.” Perpetuamos o discurso do respeito dizendo pra todo mundo ir e ser quem é, mas julgamos uma pessoa por uma ação achando que essa ação a define. Quando isso é longe de ser verdade porque o mundo não é preto no branco e uma única ação não define quem nós somos.

Eu não sei o que define, mas eu acho que é um conjunto de decisões que tomamos, ao invés de uma decisão só. Acho que quem nós somos também é um pouco do que fizeram de nós, à medida que aceitamos isso. Podemos também ir pelo caminho inverso e não fazer a menor ideia de quem somos, apesar de uma grande noção do que não somos. Independente de quem você é, eu espero que você saiba que julgar pode ser : 1. Proceder ao exame da causa de alguém, 5. Imaginar, 6. Crer, supor, ou 7. Ter na conta de. Mas que no que diz respeito à pessoas você vai estar abusando e causando dor à essa pessoa se tentar: 2. Decidir (como juíz, árbitro), 3. Sentenciar, 8. Pronunciar sentença sobre ou 9. Formar conceito sobre ela ou sobre a vida dela.

Se você não compreende porque uma pessoa é da forma que ela é, não decida sobre ela, não sentencie-a, não forme nenhum conceito e principalmente não a puna como se você fosse uma criança de sete anos que quer controlar de toda forma cada único aspecto da vida do outro. Lide com isso pois o fato de você não compreendê-la não é problema dela, é problema seu. Você pode imaginar ou supor e até tentar proceder ao exame de causa dessa pessoa. Mas não cabe a você julgar quem ela é. Um relacionamento abusivo não se constitui apenas por uma surra, ou por um estupro, as suas palavras, dominação, controle e imposições tem efeitos nas pessoas.

Se você não tiver entendido nada até agora, eu te explico: a você cabe apenas ser juiz de si mesmo, avaliar-se e saber quem você é.

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Lucy nem ao menos tem namorado (para falar com franqueza, ela nem tem assim tanta sorte no amor). Mas a senhora Nolan jogou o tarô e previu que Lucy estará entrando na igreja, a caminho do altar, dentro de um ano.
As amiga que dividem o apartamento com Lucy ficaram estarrecidas com a notícia. Se ela for embora, isso vai acabar ponto fim ao seu maravilhoso estilo de vida, que consiste em comer quentinhas, beber muito vinho, levar rapazes para o apartamento e jamais fazer uma faxina na casa. Mas Lucy as tranquiliza, dizendo que anda ocupada demais brigando com a mãe e se preocupando com o irresponsável do pai para pensar em se casar.
E há um pequeno problema: não existe nenhum namorado na jogada. Entretanto, Lucy conhece Gus, o lindo e anda confiável Gus, e começa a se perguntar: será que ele poderá ser o futuro Senhor Lucy Sullivan?
Ou quem sabe Chuck, o americano bonitão? Ou Daniel, o maior paquerador do mundo?
Ou quem sabe Jed, o novo rapaz que foi trabalhar na firma?

Título Original: Lucy Sullivan is getting married
Autora: Marian Keys
Editora: Bertrand Brasil
Páginas: 642
Ano de Lançamento no Brasil: 2005
Nota: ♥♥♥♥

Lucy Sullivan é jovem adulta irlandesa de 26 anos que mora em Londres e trabalha no escritório de uma grande distribuidora de peças junto com três amigas que fazem seus dias no escritório mais divertidos (e bagunçados!). Hettie é uma mulher certinha, casada e responsável, Meredia está acima do peso, usa roupas extravagantes e tenta fazer os homens notá-la, e Megan, uma australiana de espírito livre e aventureira que está nesse emprego chato só de passagem até conseguir dinheiro o suficiente para sua próxima viagem.

Quando a vida delas se torna muito chata e sem emoção Meredia marca uma consulta com uma vidente, a Sra. Nolan, para que elas tenham algum tipo de esclarecimento sobre seus futuros. Nossa protagonista não se identifica com esse tipo de crença. Principalmente porque a Sra. Nola previu que Lucy terminaria o próximo ano casando e visto que ela não tem nem mesmo namorado ou sequer um candidato à namorado o quadro geral não é muito bom para que a previsão se realize.

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É quando as previsões de Meredia e Megan se realizam que Lucy começa a considerar que seu caso pode não estar tão perdido assim. No entanto, quem pode se interessar por Lucy? Insegura de suas qualidades e com um longo registro de namorados vagabundos que a usam como fonte de dinheiro, Lucy dá o braço a torcer e decide sair com seu melhor amigo Daniel, já que ele é um mulherengo e não existe nenhuma possibilidade de ela se apaixonar por ele. É nesse dia que eles terminam em uma festa e ela conhece Gus, um cara espontâneo, boêmio e criativo por quem Lucy se apaixona desesperadoramente e a partir desse dia passa a ter certeza de que é sobre Gus que a profecia da Sra. Nolan se referia.

Fica claro para o leitor que Lucy tem problemas com homens, e mais tarde entendemos que isso é por causa da sua relação com o pai. No entanto é por causa de sua mãe, que decide pedir o divórcio, que a vida de Lucy muda por completo. Sendo uma narrativa em primeira pessoa é interessante que a escritora consiga mostrar a visão da protagonista sobre os acontecimentos mas ainda assim apresentar um plano geral sobre tudo aquilo que Lucy não enxerga e é essencial para sua aceitação como uma mulher feliz.

É importante dizer que Lucy tem um histórico de depressão que volta para assombrá-la de vez em sempre, e por isso ela acredita que não nasceu para ser feliz, sabotando intencionalmente as situações que podem trazer a ela essa felicidade. As partes divertidas ficam por conta das conversas de Lucy e Daniel e das brigas de Megan e Meredia mas toda a narrativa faz com que desejemos bater e depois cuidar da Lucy por conta das decisões que ela toma. É um livro que nos faz rir mas também nos mata de raiva por causa das atitudes quase suicidas de Lucy.

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Apesar da diversão eu devo dizer que esperava mais da história pois são 642 páginas que explicam os acontecimentos de mais ou menos um ano, porém muito da narrativa é gasta com coisas que não interferem no resultado final. O legal é que como o livro é em primeira pessoa vamos sempre descobrindo quem Lucy é (ou o que ela acha de si mesma) por causa do livre acesso que temos aos seus pensamentos e pela maneira como ela age com outras pessoas. É um crescimento grande que ela tem da primeira à última página do livro. Com uma receita clássica de chic-lit, Marian Keys mistura humor com depressão, amizade com más decisões e conflitos com superstição.

 

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Não vou mentir. Fotografar looks do dia se tornou um dos meus grandes hobbies. Quero fazer o máximo que conseguir esse ano pra vocês. Dessa vez esqueci de levar o livro que estou lendo na semana, por isso o Book do Dia virou Look do Dia mesmo.

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Alô, 2016!

Rolou um amor muito grande por uma foto que eu coloquei no instagram usando esse vestido na minha viagem de Buenos Aires, ai eu resolvi usar o vestido novamente pra mostrá-lo a vocês, já que foi a roupa mais linda que eu comprei em 2015 e, infelizmente já usei mais do que devia.

Não sei se vocês tem disso mas quando eu compro uma roupa que é muito especial eu evito de usar que é pra ela continuar nova, HAHAHAHAHA. Sempre amei as roupas da Farm mas nunca comprei porque acho mais caro. Não é que não vale, eu acho que vale, só não é muito minha realidade. Esse vestido comprei pra ir em um casamento ao por-do-sol mais ou menos em Setembro. Espero que tenham gostado!

Vestido: Farm / Sapatilha: Melissa / Bolsa: Penney’s / Colar: Hamleys / Batom: Marsala da Dailus

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