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É engraçado como a gente sobrevive depois que um relacionamento morre. Quando estamos envolvidos em uma relação damos tudo de nós e aquele relacionamento passa a ser uma parte grande da nossa vida e de quem somos, então quando o relacionamento deixa de existir ficamos um pouco perdidos ali no limbo esperando alguma coisa acontecer, esperando para sermos felizes novamente, e o limbo vira um lugar confortável onde você não sabe quem é – porque achava que o relacionamento era quase tudo, e essa pequena porção da sua vida que não era o relacionamento parece pequena demais para preencher todo o espaço deixado pela ausência de uma relação – e não sabe o que quer fazer de agora em diante porque todos os planos que você tinha para a vida incluíam outra pessoa, e agora você precisa reescrever esses planos para que sejam planos individuais.

Mas tudo bem ser assim, e é por isso que esse período que a gente vive no limbo é confortável, porque é um tempo que você é obrigado a entrar em contato consigo mesmo e analisar o que quer. O fato de não ter ninguém por perto pra te dizer o que fazer só faz com que você seja forçado a tomar decisões por si mesmo, e por muitas vezes, isso nos faz crescer como pessoas. Então a gente sobrevive. Nunca pensando que isso podia acontecer, antes a gente achava que se o outro se afastasse a gente ia morrer. Não morre.

Hoje eu estava aqui pensando sobre você e me deu um apertinho no coração. Um apertinho no coração daquele tipo que fazia tempo que não dava, acho que é porque fazia algum tempo que eu não pensava em você. Mas hoje eu pensei e enquanto pensava me lembrei de várias coisas. Lembrei por exemplo, das viagens que a gente nunca fez. É uma coisa que sempre dissemos que íamos fazer e nunca fizemos. Achamos que tínhamos muito tempo.

Nós também tínhamos o costume de cozinhar juntos, agora eu prefiro comida de restaurante. Parece inútil cozinhar pratos individuais, e não tem diversão nenhuma ficar na cozinha sem alguém pra ficar rindo e conversando junto. A gente comprou uma edição especial do jogo que permitia que nos dois jogássemos juntos, mas isso também nunca mais aconteceu, pode ver, R$ 40,00 que nunca teremos de volta. Essas são coisas bobas e pequenas, mas eu fico pensando sobre o que poderia ter feito você abrir mão dessas coisas.

Sabe, todo mundo tem problemas. Você disse que estava passando por crises e conflitos que só poderia resolver descobrindo quem realmente era, e eu entendo isso. É muito fácil se perder. É muito fácil ter certeza de uma coisa, e depois ver que não era aquilo. É muito fácil não saber o que fazer depois. Mas eu não acho que seja fácil saber. Eu não acho que a gente pode se isolar do mundo inteiro e esperar que a solidão nos dê as respostas para os próximos vinte anos. O que eu acho, aliás, o que eu sei, é que as coisas importantes da vida a gente mantem apesar dos problemas. O que eu sei é que não é certo dizer Adeus a alguém porque ela é a melhor coisa da sua vida, e sentir tudo isso por alguém te impede de sentir outras coisas. Você pode até tentar não sentir nada por mim, mas ainda vai sentir outras coisas, ainda vai sentir todo o resto! Então se quis ficar sozinho na esperança de que a dor por estar perdido fosse diminuir, ou que você simplesmente não fosse senti-la, eu sinto muito, não vai funcionar.

Eu poderia ter sido sua bússola. Eu teria te ajudo encontrar o caminho certo. Eu teria feito isso, e teria ficado muito feliz em ser pra você quem você foi pra mim. Mas você queria encontrar o caminho sozinho. E quando eu lembro dessas coisas que você disse, sobre não saber, sobre ter dúvidas, sobre não ser, sobre estar perdido, tudo isso me faz imaginar o Pequeno Príncipe no deserto. Eu teria sido a rosa que te dá esperanças. Aquela rosa que fez com que o Pequeno Príncipe percebesse que sentia saudades de casa, sabe? Eu teria te dado esperanças, eu teria sido a sua rosa. Se você estivesse perdido e não soubesse o caminho de volta, eu teria sido a estrela que te indica a direção e se você tivesse feito um pedido, eu teria realizado.

Você nunca entendeu que eu teria sido tudo, porque você preferiu que eu não fosse nada. E é por isso que quando um relacionamento termina a gente acha que vai morrer, porque estar em um relacionamento é acreditar que teremos alguém do nosso lado em quem podemos nos apoiar quando precisarmos de conforto e ajuda, e é também ter a consciência de que existe alguém que vai se apoiar em você. Eu achei que você fosse se apoiar pra mim. Que eu seria seu Norte, sua Esperança e sua Direção. Mas você preferiu sua própria bússola quebrada que apontava lugar nenhum, um vaso sem flores e nunca olhou pra cima.

Mas a gente não morre. A gente vive.

Pode até ser uma surpresa quando nos encontramos de pé depois de uma tempestade, com uma bússola capaz de nos mostrar o caminho certo, uma rosa para não nos deixar esquecer o que é importante, e olhando estrelas no céu. Mas isso acontece, e não olhamos mais pra trás com arrependimentos ou dor. Às vezes a gente nem se dá ao trabalho de olhar, porque não tem motivos pra ver esperanças em quem não viu nada em nós.

 

Eis que chegou o Inverno e eu não sei vocês, mas eu não poderia estar mais feliz. Primeiro porque dá pra ir trabalhar a pé sem chegar lá suada. Segundo porque se alguém me chamar pra sair e eu falar que não vou porque tô com frio, ninguém tem o direito de achar ruim (de qualquer não tem direito de achar ruim, mas geralmente acham). E a melhor coisa sobre o Inverno, é claro, é poder ver todas as séries, filmes e livros do mundo e a gente fica meio preguiçoso então sobram algumas horinhas pra descuido.

O 6 on 6, que é um projetinho aqui do blog para mostrar mais da minha visão sobre um tema específico, vamos ver então como é o Inverno por aqui.

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I. Vamos pegar os nossos DVD’s e maratonar Harry Potter. Fiz um 6 on 6 um pouco potterhead porque o mês de Julho é o mês mais potterhead da vida, então foi difícil não me inspirar. Na vibe do frio rolam muitos filmes, e apesar de achar que foi uma adaptação fraca, eu gosto bastante da Ordem da Fênix porque apesar de ser potterhead de carteirinha (literalmente) eu tenho mil vezes mais preferência pela história dos pais do Harry do que pela história do Harry mesmo. A foto da Armada é meio pixelada e desfocada pra dar o aspecto de velho, e ela perde ainda mais um pouco do foco porque se você vira ela na mão contra a luz os personagens mudam de lugar pra dar a ideia das fotos que se movem no mundo mágico.

II. Pra ficar mais aconchegante no frio em frente à TV para maratonar Harry Potter, nada melhor do que meu cosplay, que é bem quentinho. Me julguem (ou não, whatever).

III. O Prisioneiro de Azkaban é sem dúvida o meu livro favorito. Conta a história do Sirius, que é meu personagem favorito, e a história dos pais do Harry, que pra mim é a melhor parte da saga inteira. Além do mais é o livro em que os dementadores mais aparecem, logo, frio e esse capítulo é muito especial porque até hoje tenho dúvidas profundas sobre qual é a minha casa de verdade. Fui colocada três vezes na Corvinal pelo Pottermore, mas cresci com carinho pela Grifinória, hoje me identifico mais como Corvinal apesar de o meu cosplay – que é bem antigo – ser da Grifinória.

IV. Falem o que quiserem, mas as melhores histórias do mundo – ou pelo menos as minhas histórias favoritas – envolvem viagem no tempo. Como podia ser diferente com essa sendo que ela ainda é focada na Hermione? Impossível.

V. E aí, como a vida não é só Harry Potter (mas devia ser), separei as coisas que eu mais gosto de usar no Inverno: as botinhas. Pra falar a verdade eu uso no verão também e não tô nem aí, mas tem dias que estão quentes demais e não dá pra aguentar. No Inverno além de poder usá-las livremente ainda chegam mais opções nas lojas. Muito amô.

VI. E já que estamos falando sobre as principais escolhas fashion do Inverno, tá liberado usar batom escuro. Usem mais que tá pouco. Aí estão os meus favoritos: O Cabernet da Eudora, o Framboesa da Avon e o Rebel da MAC. Reparem que estão todos acabando, então, quem quiser mandar de presente tô aceitando.

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É isso pessoal, espero que tenham gostado das minhas escolhas favoritas de Inverno, não deixem de conferir as fotos das meninas, tá bem?

Gema de Ovo / Sempre Linda / Diários de um Piquenique / Drawings and Dreams / Qual seu lado B? /

 

 

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Eu estava em uma mesa de bar com uns amigos na semana passada depois do trabalho, e depois de alguns vários chopps que eles tomaram alguém resolveu levantar a questão do amor. Afinal, aparentemente pessoas em bares sem a total capacidade de raciocínio lógico, parecem ser as mais propensas a desvendar os mistérios do coração.

Estavam na mesa: uma amiga de quase trinta anos que nunca teve um relacionamento duradouro, uma amiga que foi traída pelo namorado que mora em outra cidade, o namorado dessa amiga – o qual ela perdoou – uma terceira amiga que foi traída pelo esposo, o esposo que por questões financeiras ainda mora com ela, mas está fazendo de tudo para ser perdoado e reatar o relacionamento, um amigo que levou um chá de sumiço de um cara por quem estava apaixonado e euzinha, que pelos últimos sete anos achei que estivesse muito bem, obrigada, nas questões do coração, mas isso se provou uma inverdade há seis meses atrás quando meu relacionamento de mais de meia década terminou.

Como você talvez possa prever, foi uma discussão um pouco longa com uma conclusão nem tão conclusiva assim. Mas eu voltei pra casa naquele dia e fiquei pensando o porquê de tanta gente querer racionalizar um sentimento que não faz o menor sentido. Aliás, ele faz todo o sentido se for sentido, mas não faz sentido se for racionalizado.

Pensando sobre isso também não cheguei tão longe, mas acho que é um sistema de controle que a pessoa faz, algumas vezes até involuntariamente, para sentir que pode entender e talvez por meio desse entendimento, controlar, o bendito sentimento.

Entrei na onda dos pensadores de bar com phd em elucidações não conclusivas, e cheguei ao seguinte resultado: Amar é um verbo, tem até conjugações. Eu amo, tu nem tanto, ele não se importa, nós nos separamos, vós ficais sozinho, eles não entenderam nada. Ou algo do tipo.

Pra ser verbo requer ação, e é nisso que muita gente falha, porque todo mundo quer entender o Amor – que é um substantivo e, portanto evidencia a substância, a essência de alguma coisa – mas quase ninguém quer entender o Amar – que é um verbo, e, portanto requer uma pessoa executando-a.

É um verbo que começa diferente, começa, por exemplo, com Ouvir. Você conhece uma pessoa e ela vai te contar algumas coisas sobre ela, então você vai Ouvir pra conhecê-la um pouco. Depois vem Entender, Respeitar, Encantar (-se), Compartilhar, Acompanhar, Dividir e de repente Amar. Às vezes muda a ordem, às vezes adicionam alguns outros verbos no caminho porque não é receita de bolo que tem um passo a passo e todo mundo que seguir exatamente daquela forma vai conseguir o resultado final. Mas funciona mais ou menos assim mesmo com as certas peculiaridades que cada relacionamento tem.

Mas não é simples assim, certo? Por que se fosse todo mundo que você conhece estaria feliz na companhia de alguém. E a verdade é que tem gente sozinho, muito bem, obrigado, e tem gente infeliz acompanhado, e tem gente que não sabe o que tá fazendo ou sentindo e ai resolve chutar o pau da barraca com qualquer um que tente oferecer uma coisa que eles não sabem, racionalmente, processar.

O motivo pelo qual isso acontece? Acho, que eles passam a ver Amar como um verbo completo e independente que não precisa de nenhum de seus antecessores, e se esquecem de que Amar só é possível porque houveram várias outras ações que juntas produziram esse sentimento. Ouvir, Entender, Respeitar e todo o resto fica em segundo plano porque acham que Amar vai se realizar por si só.

Você não precisa meditar sobre esse verbo se não quiser. Eu não tenho esperanças de que a minha pequena reflexão vá mudar alguma coisa na maneira como você enxerga essa ação. Esse texto é para os pensadores de bar com elucidações não conclusivas, se você não é um desses talvez não vá entender. Talvez você seja um daqueles que não liga para a construção de um sentido racional da palavra, e sim ao sentido do seu peito. Pra falar a verdade, acho que é assim que tem que ser, já que tem tanta gente amando sem razão não era sem tempo de a gente aprender que a razão não combina com Amar, que a razão não combina com Amor, e é por isso que tem gente até hoje esperando tudo mudar, mesmo que racionalmente isso não faça o menor sentido.

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