Textos
30/12/2016

Digito essas palavras sorrindo, e isso é fantástico.

É fantástico porque eu não imaginaria, depois de 364 dias totalmente diferentes de qualquer coisa que eu já vivi pelos últimos 22 anos da minha curta existência, que eu poderia falar coisas boas sobre essa experiência que foi estar vivo em 2016. Mas essa talvez seja, para mim, a maior beleza do desconhecido: nossa imaginação nunca é fértil o suficiente para desvendar a quantidade de maravilhas que ele pode trazer.

Em Abril foi meu aniversário e eu fiz uma postagem muito especial – talvez a mais especial até hoje – aqui no Horinhas, listando as 22 coisas que havia aprendido até aquele dia. E, falei muito de mim nessa postagem. Sobre as minhas experiências, o que eu acredito e as verdades que propago por ai. Então, para finalizar esse ano – épico – chamado 2016 eu resolvi fazer uma nova lista contendo tudo que no dia 01 de Janeiro deste ano eu não fazia, e, de forma brusca ou muito gentil, este ano fez questão de me mostrar.

1. Ninguém vai me amar tanto quanto eu devo amar a mim mesma.

2. Algumas pessoas não estão prontas para ouvir algumas verdades, isso não significa que eu devo mentir para elas.

3. Não posso impedir as pessoas de se decepcionarem comigo porque não sou responsável pela interpretação que elas tem a respeito do que digo ou faço. Elas são.

4. Posso dar cada molécula de amor que existe em meu corpo a uma outra pessoa, e sobreviver sem essas moléculas, isso não significa que ela não vai precisar de outras coisas para se sentir completa, ou viva, ou amada.

5. Falando em amor, as pessoas que me amam vão me amar mesmo se eu pisar na bola duas ou três vezes, porque o amor independe de argumentos ou condições favoráveis. Ele é incondicional.

6. Só existe um sentimento além da dor capaz de transformar tudo que uma pessoa é, acredita e entende na vida e esse sentimento é o amor. Eu vou passar por mudanças na vida sem poder escolher por qual via elas virão.

7. As pessoas em quem mais confiamos são as que tem o maior potencial de nos magoar porque elas é que viram o que há de mais imperfeito, fraco e humano em nós. Algumas vezes elas vão usar essas imperfeições e fraquezas como desculpas para irem embora.

8. Falando em ir embora, vai quem escolher ir, isso está além da minha capacidade de ser legal, amável, bondosa, gentil ou perfeita.

9. As pessoas fazem o melhor que podem para sobreviver, e algumas vão precisar adentrar estradas que divergem da minha. Não é culpa delas.

10. Culpa, aliás, é um sentimento que não tem qualquer utilidade e devo evitar senti-lo o tanto quanto possível. As coisas aconteceram da forma que tinham de acontecer.

11. Quem realmente se importa liga, manda mensagem, manda carta, aparece no meio da madrugada com um pote de açaí e um DVD, faz o que for preciso, mas encontra uma forma de estar presente.

12. Distância, ou falta dela, não significa amor – ou falta dele.

13. Existe sempre uma reserva de stamina em algum lugar dentro de mim esperando aquele momento em que vou dizer “eu não aguento mais”, e só eu me conheço bem o suficiente para cavar no lugar certo e fazer jorrar essa reserva.

14 Às vezes é muito necessário que desconheçamos uma pessoa para sermos capazes de amá-la novamente.

15. Falando em desconhecer, não escolhemos quem vai ficar na nossa vida. E isso é muito bom, significa que todo mundo possui direitos, e opiniões, e vontades, e sonhos, e uma liberdade que não está condicionada a nós.

16. Eu também possuo direitos, opiniões, vontades, sonhos e uma liberdade que não está condicionada aos outros. E eu preciso respeitar isso e parar de condicionar quem eu sou a quem os outros esperam que eu seja.

17. Devo agir com as pessoas conforme quem eu sou, não conforme quem elas são.

18. Eu não preciso aceitar merda nenhuma que qualquer um tente me fazer acreditar que é a verdade.

19. Eterno é uma condição que damos às coisas cuja memória perdura, mesmo que a coisa em si não.

20. Se eu não souber quem eu sou vou permitir que as pessoas me digam, mas ninguém está realmente habilitado para determinar coisas tão importantes quanto meu caráter.

21. Pessoas boas fazem coisas ruins às vezes, isso não significa que não se importam. Significa que são tão humanas quanto eu.

22. Quando eu não souber mais o que fazer ou como continuar é muito importante tentar dançar até minhas pernas bambearem, ou tomar um banho, ou escrever sobre o que sinto, ou falar com alguém.

23. O que as pessoas pensam sobre mim não é quem eu sou.

24. Existem pessoas que agradecem aos céus pela minha existência, de alguma forma eu mudei a vida delas. Por que estou pensando tão pouco a respeito de mim mesma?

25. Sou a única pessoa do mundo que nunca vai me abandonar, não importa o quanto eu me afaste de mim mesma. Eu mereço algum crédito por isso.

26. Falando em abandonar, nenhum colírio no mundo é capaz de me fazer enxergar as coisas importantes da vida tanto quanto a solidão é.

27. Tudo vai passar, e eu também. Para os outros, para o mundo e até para mim mesma, mas eu preciso sentir as coisas enquanto elas estão acontecendo.

28. Se sentir fraco é o primeiro passo para encontrar toda força interior que ninguém nunca disse que eu tinha.

29. Muito mais importante do que para onde estou indo é quem vai comigo, como vamos chegar lá e porquê eu quero estar neste lugar.

30. Final é só uma coisa que eu escrevo antes de começar tudo outra vez da maneira mais diferente que eu puder imaginar.

31. Todos os relacionamentos do mundo possuem três versões: a minha, a sua e a verdade. Perspectiva é a única coisa capaz de me fazer seguir em frente.

01. Quando uma coisa termina não significa, sob nenhuma hipótese, que ela não tenha sido lendária. Obrigada por tudo, 2016!

Beijos,
Carol Santana
Book do dia
22/12/2016

Ei, Dezembro. Tudo bom?

Vim aqui falar um pouquinho sobre esse ano, as várias descobertas. O segundo look consecutivo usando o mesmo short e a necessidade de sermos quem somos (e nos reconhecermos assim, nos amarmos)! Não preciso falar que no início desse ano éramos todos pessoas muito diferentes que nem sequer imaginávamos que estaríamos aqui – eu escrevendo esse texto – doze meses depois.

Mas estamos, né? Pois a vida seguiu caminhos inesperados.

E vocês podem agora, graças à todas essas experiências, serem reapresentados à Carol ruiva. Que é a melhor versão de mim que conheci ao longo dos últimos anos – e por motivos bem específicos tentei me livrar dela. Então me vejo forçada a encarar essas fotos e ver eu mesma ruiva, usando um short, uma blusinha curta no umbigo, e toda essa felicidade que às vezes acho que vai escapar de mim de alguma forma que talvez eu não sobreviva, e só posso dizer que sou muito grata.

Para ser sincera não quero ser tão altruísta a ponto de dizer que esse ano não foi a coisa mais difícil que já enfrentei. Porque foi. Mas sou muito grata porque ele me transformou numa pessoa nova, com novas percepções da vida, novas qualidades – e defeitos – e conceitos em que me seguro com muito mais força.

Superar todas as coisas que me surpreenderam negativamente me ensinaram muita coisa sobre força e determinação que nenhuma outra circunstância na minha vida poderia ter me ensinado. Me conheço hoje como nunca conheci antes, pois em meio a toda solidão que me cercou eu fui a única capaz de me erguer novamente e essa incrível oportunidade de entrar em contato com um lado meu que eu não sabia que existia me mostrou que, puxa, eu sou foda pra caralho.

No início desse ano eu não fazia ideia de que ia amar minha imagem dentro de um short, que eu ia passar a associar o cheiro da canela com lar, que eu ia gostar de cerveja, que eu ia redescobrir cada uma das minhas amizades, que eu ia fortalecer laços já rompidos com pessoas que eu só sentia saudades, que eu ia conhecer pessoas incríveis de outros cantinhos do país graças à internet, que eu ia me tornar uma especialista no metrô de São Paulo, que eu ia encontrar a Evanna Lynch andando na rua, trocar mensagens com a Cassandra Clare e receber uma resposta da Meg Cabot e do Neil Gaiman.

Eu não imaginava que eu veria o Neil Patrick Harris, conheceria amigos de internet de longa data, choraria encolhida no chão do banheiro e descobriria que maracujá é a minha fruta favorita – por favor Nestlé, mande uns Frutares. Eu simplesmente não tive imaginação suficiente pra acreditar em mim e entender que eu sempre soube o que eu queria fazer da minha vida, apesar do medo de achar que essa é uma realidade tão distante que eu passei anos afastando essa ideia de mente, por não achar que eu era digna de realizá-la.

No início de 2016 eu não imaginava nem que o Leonardo di Caprio ia ganhar um Oscar, quanto mais que eu ia me desesperar para me livrar dos meus fios ruivos e depois, numa súbita inspiração da madrugada, me olhar no espelho pela primeira vez em meses e enxergar a verdadeira eu – que fora propositalmente deixada num cantinho escuro para ser esquecida diante da realidade.

Vamos descobrindo ao longo das jornadas que o mesmo acontecimento é recontado por pessoas diferentes de formas diferentes porque temos percepções distintas da vida. Dessa forma, 2016 foi o melhor e pior ano da minha vida. E em todos os aspectos possíveis eu não poderia estar mais feliz em ter me enganado tanto: sobre as pessoas em quem eu confiava, sobre meus amigos mais próximos, sobre quem se importava comigo, sobre eu mesma, sobre meu caráter, meu futuro, meus talentos. Já pensaram que talvez quando notamos depois de um tempo que “a vida seguiu caminhos inesperados” é apenas a nossa percepção de que não fomos capazes de, de fato, esperar que esses caminhos fossem possíveis?

Vamos perder muito ainda, amigos. Sei que vamos. Mas não podemos perder a imaginação. E que bom descobrir isso a tempo.

Bem a tempo de começar o próximo ciclo com toda a disposição possível de continuar na única direção que qualquer pessoa deveria ir: adiante.

Short: C&A / Cropped: C&A – poxa, C&a, cadê o patrocínio / Tênis: Constance /Fotos: Caroline Ozzy

Beijos,
Carol Santana
Textos
14/12/2016

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Querido,

Foi uma longa jornada até aqui.

Épica, não é mesmo? Com muitos clichês, alguns tombos. Vários altos e baixos, um coração partido aqui e ali. Meia dúzia de promessas feitas e seis dezenas de outras não cumpridas. Alguns vários potes de Nutella, numa vibe meio “beber pra esquecer os problemas”. Você sabe, cada um tem sua forma de escapar da realidade.

Meu querido, meu bem, meu amor. Foi uma estrada cheia de curvas, altos e baixos. Buracos se perdendo no desfiladeiro, lágrimas se fundindo com água no chuveiro, gritos sufocados no travesseiro. E eu quero que você saiba que eu passaria por tudo outra vez, pois eu sei que cada momento da minha vida me preparou para te encontrar. Meu novo amor.

Parece apropriado dizer meu novo amor, sabe querido? Pois sou uma nova eu. Você jamais teria me amado no passado pois foram épocas macabras em que eu mal podia amar a mim mesma. Puxa, eu magoei um bocado de gente. Fiz escolhas tortas que entortaram meu coração pra lados escuros e ainda por cima não tive certeza de quem eu era por longos anos. Mas sei hoje que você, que ainda vai me amar, vai me amar com tudo que restou, ferveu e se transformou aqui dentro.

Você que ainda vai me amar jamais vai ter que esquecer daquelas coisas tão imaturas que fiz quando procurava por mim mesma, pois você já me conheceu toda completa. Você que ainda vai me amar vai saber que eu gosto de canela, e para ti vai ser como se sempre tivesse sido dessa forma. O cheiro de café na manhã, e a canela invadindo a casa. Você que ainda vai me amar vai ter conhecido essa mulher incrível que te ensinarei a amar, pois eu a amo também.

Você que ainda vai me amar vai ter tido suas próprias memórias em desfiladeiros, chuveiros e travesseiros. E você vai saber que todas essas experiências te prepararam para estar comigo. Você vai me amar apesar de todas essas coisas, pois já perdeu o suficiente na sua vida para saber o que realmente é precioso. Você, meu querido, é completo. Não vai procurar em mim algo para preencher vazios em você, você sabe quem é. Aho, como essas certezas pessoais são preciosas em um relacionamento!

Sei que apesar dos trancos e barrancos haverão os dias em que você, que ainda não me ama, vai me amar apesar de me odiar. Vai me amar apesar do meu cabelo bagunçado, meu jeito desengonçado, meu espírito desequilibrado. Você, que ainda não me ama, vai me amar como não pensou que poderia amar outra pessoa novamente.

Mas não é novamente, meu amor. Todos os amores de nossas vidas são diferentes, entende? Pelas infinitas pessoas que nos transformamos ao longo dessa vida. Pelas infinitas pessoas que conhecemos ao longo dessa vida. Pelas infinitas experiências que nos modificam nessa vida. Pelas infinidades de infinitos que cabem em nossa vida.

Ah, meu bem. Esse amor – tão doce – de jogar as pernas para cima e jogar vídeo-game, comer pipoca, ver filmes e ler livros com a cabeça no colo um do outro, vai aquecer seus dias gelados como se nunca tivessem experienciado a solidão algum dia. Sei que você ainda não me ama, talvez seu coração ainda esteja tomando as decisões tortas da sua vida, ou talvez ele ainda esteja totalmente intoxicado pela sombra que alguém deixou.

Estamos meses separados de sequer ouvirmos falar da existência um do outro. Daqui algumas luas vamos nos encontrar na fila de um cinema, ou tentar comprar a última Nutella no mercado, ou ver um ao outro lendo o mesmo livro no metrô, e você vai se lembrar de como é a sensação de sentir que seu coração está finalmente livre de tudo aquilo que você já não ama mais, apesar de ter te transformado tanto.

É uma coisa difícil aceitar que não amamos mais tudo aquilo que passamos todos esses anos acreditando que teríamos no travesseiro ao lado pelo resto de nossas vidas, não é mesmo, meu bem? É uma sensação de engano na boca do estômago. De vazio no peito. De nó no coração. Você, que ainda não me ama, vai saber do que estou falando pois sei que você já amou antes. E acabou.

E, puxa vida, como você se sentiu sozinho depois disso. Como você teve tempo pra se conhecer e fazer tudo que realmente ama. Redescobrir suas paixões. Reestabelecer suas prioridades. Puxa, como isso te preparou para saber que seu coração estaria livre e curado um dia. Minha nossa, como isso foi importante para que seus olhos se revirassem e sua boca se curvasse num sorriso meio de esguelha naquela fila, ou naquele mercado, ou naquele metrô.

Ah, meu bem. Obrigada por segurar firme ao longo de cada desfiladeiro, chuveiro e travesseiro que teve que enfrentar sozinho antes de me amar. Sei que você poderia ter desistido em qualquer um deles, mas o fato de ter persistido é o que moverá nossos pés em direção um ao outro. Se, pelo menos, continuarmos nos movendo.

Você ainda não me ama, mas, quando finalmente estiver pronto para isso, saiba que também vivi umas coisas exageradamente fantásticas que prepararam a minha vida para ser o amor da sua. Ou, pelo menos, dessa sua versão que seguiu acreditando que me encontraria mesmo depois dos vários potes de Nutella esvaziados a uma colher só. Te digo isso agora pois quero que saiba, o amor é a coisa mais absolutamente transformadora que já vivi, e, no entanto, quão revelador é saber que precisamos mudar até estarmos prontos para amar alguém?

À você que ainda vai me amar quero dizer: estou muito feliz em saber que um dia vou te encontrar. É como se eu sempre tivesse te amado, por toda a minha vida, sem saber que todo esse amor é pra você.

Beijos,
Carol Santana
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