Textos
27/06/2016

Sem título

Sabia que na escola eu era a última a ser escolhida pros esportes? Não gostava muito de correr, isso já deixava tudo muito complicado, além disso teve um dia na carimbada em que fui buscar a bola fora da quadra e meti a cara numa árvore. Tem uma cicatriz no meu braço até hoje desse encontro com a Natureza, rasgou meu braço pra me lembrar de olhar sempre pra frente mesmo quando tem gente te chamando atrás. Não corra olhando pra trás.

Eu aprendi minha lição, não nesse dia, mas ganhei algumas cicatrizes depois de maior que se estenderam por muito mais do que meu braço e só então aprendi a não correr olhando pra trás. Apesar de eu não ser especialista em esportes eu vim dividir com vocês o que a minha experiência como corredora me ensinou. Às vezes a gente não corre porque não sabe como começar, mas o problema não é começar a correr e sim saber o momento de parar.

Nem sempre a gente corre com o propósito de chegar à algum lugar, às vezes precisamos sentir que estamos fazendo alguma coisa, tudo bem ser assim, tudo bem reagir, tudo bem não aceitar parado, mas não podemos achar que correr em círculos vai nos tirar de onde estamos, vamos continuar parados a menos que façamos caminhos que não fizemos antes, a diferença é que estaremos exaustos depois de correr rumo à lugar nenhum por tanto tempo.

A sensação de se mover vai te salvar. Você talvez não saiba disso ainda, mas se parar no mesmo lugar por muito tempo vai criar raízes em terras que não são férteis pra dar frutos. Mova-se. Agora, enquanto pode. Não necessariamente você vai querer isso, pode ser que goste da vista de onde está, pode ser que o calor do sol na manhã seja confortável mas saiba que o lugar de plantar raízes é aquele que permite aos frutos nascerem mesmo depois que o inverno levar tudo de belo. Mova-se agora porque se plantar raiz onde não é tua terra vai precisar replantar em outro lugar depois e a dor de desenraizar pode, e muito provavelmente vai, te matar.

Mova-se, a única forma de ser a pessoa que você quer ser – quem quer que ela seja – é percorrendo o caminho que separa quem você é de quem você pode ser, mova-se.

Comece caminhando, se puder corra. Se cair levante e respire, mas não pare. Ou pare, mas depois continue. Mova-se. Você merece isso, merece sentir o vento no seu rosto, o suor escorrendo frio contra seu corpo quente, merece parar e encher seus pulmões de ar, merece olhar o horizonte e ver as folhas nas árvores, o vento no lago e sentir a paz. Mova-se, porque você consegue.

Haverão dias em que você vai querer ficar na cama debaixo das cobertas e esperar o tempo levar toda a sua dor, e você pode fazer isso. Haverão dias em que você vai correr, correr, correr e correr sem qualquer destino claro pelo simples prazer de fugir, e você pode fazer isso. Mas não há distância suficiente que possamos correr pra fugir de nós mesmos, não há fuga longe o bastante pra não lembrar da estrada que andávamos antes de pegar uma bifurcação e chegar aqui.

As pessoas que não sabem onde você está indo ou não entendem porquê você vai, estarão constantemente chamando seu nome no lugar de conforto delas: volte, volte! Se você estiver indo em frente à toda velocidade não olhe pra trás, você não vai querer esbarrar no que estiver no teu caminho por conta de passado que não te abandona, mas você merece uma nova chance, continue, se puder corra mas faça o que fizer olhando para frente.

Não há lugar onde se pode correr pra fugir de si mesmo porque a redenção é interior, o perdão está exatamente no lugar onde você se encontra e a salvação, bem, a salvação está aqui. Com você. Se você não for capaz de começar porque acha que vai andar em círculos comece então do mesmo ponto de onde parou: a partir de si mesmo. Enquanto você achar que vai encontrar essas coisas em lugares externos vai se exaurir e não chegar à lugar algum.

Corra de volta pra si mesmo, ajunte os cacos, os membros quebrados e os músculos cansados e continue, você pode deixar tudo para trás mas não pode continuar sem aquilo que você é, não abandone isso. Não vá pra outra casa, pra outra cidade, pra outro país achando que tudo vai ser diferente, não vai ser igual, mas você, quem você é, isso é para sempre. Volte lá no atalho onde você se perdeu, se reencontre e continue. Ainda corro de muita coisa que eu não quero que me alcance mas eu mesma não é uma delas. Ainda corro em direção à muita coisa que não encontrei dentro de mim mas redenção não é uma delas. Você não precisa confiar em mim, eu não sei nada de esportes, o que eu sei é sobre fugir e isso me ensinou como caminhar sobre meus pés.

Eu corri muito, pra longe. Pra lugares que eu nem sabia que existiam. Pra lugares que eu não sabia que queria ir, pra lugares que eram o mais diferente possível dos lugares que eu estava porque eu não aguentava mais caminhar na mesma estrada. Tentei pegar atalhos que estavam mais pra rua sem saída e esqueci de olhar pro que estava bem na minha frente quando estava à toda velocidade. Feri o braço, o peito e a alma com cicatrizes que não mais doem, mas estão à vista como rota em mapa pra lembrar do caminho que eu já fiz. Fiquei exausta, caí no chão sem ser capaz de respirar e me vi sozinha numa estrada de pedra que doía sob meus pés e cuja linha de chegada já não era mais o lugar que eu gostaria de estar. Tive que correr pra bem longe desse lugar já com os joelhos doendo e toda minha força exaurida, porque eu sabia que se ficasse caída ali sozinha eu morreria.

Não morra. Levante, e corra. Vamos começar como fazemos todas as coisas que nunca fizemos antes e achamos que não conseguimos, pondo só um pé na frente do outro, porque a vista é linda e se dermos sorte, só um pouquinho assim de sorte, vamos chegar a tempo de ver o nascer do sol, ai poderemos sentar na pedra com as mãos nos joelhos e a respiração arfando, tomar uma água e sentir a paz acalmar o peito. Mova-se, eu te desafio.

Beijos,
Carol Santana
Fotografia
16/06/2016

Que esse ano as coisas mais incríveis do mundo estão acontecendo comigo vocês já sabem, porém nesse mês aconteceu a coisa mais incrível do mundo. Fui convidada pra mostrar aqui no blog uma ferramenta de edição de fotografia tão incrível, mas tão incrível que eu ando até postando mais fotos no instagram porque não consigo parar de editar fotos, hahaha! Se você não tá vendo segue lá @_cpadfoot :)

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O aplicativo é o BeFunky, e ele se divide em três categorias: O Editor de Fotos (pra edição de cor, filtros e acessórios fofos), a Colagem, e o Design Gráfico (esse é incrível! dá pra fazer até convite de casamento, pra não falar nos postêres do blog!) e o melhor é que tem instruções no site, tipo passo a passo de tutorial então se tiver dúvida o próprio site te conduz. Eu achei bastante instintivo e desativei o tutorial, mas pra quem tá começando a trabalhar com fotografia é bem útil.

Tem muita coisa que eu podia falar sobre o BeFunky porque os filtros deles são apaixonantes e os retoques que dá pra fazer nas fotos é surreal de tão lindo, se vocês gostarem eu volto e mostro mais funções (tô há dias brincando nele), mas resolvi começar falalando de uma função diferente que eu nunca tinha visto em outro editor e me chamou muito a atenção, principalmente porque eu tô apaixonada por fotografia e ando achando o amanhecer e o entardecer os horários que proporcionam fotos mais bonitos. Com essa função dá pra conseguir resultados parecidos sem precisar acordar tão cedo, hahaha

A função do amor é o Reflexo de Luz, e com ele dá pra, bem, colocar reflexos de luz na fotografia e deixá-la mais iluminada e com cara de álbum do Pinterest na California.

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A parte mais legal é que são efeitos de luz diferentes então mesmo que você fique viciado como e queira usar em todas as fotos os resultados não serão iguais. Esse é uma das funções pagas do editor, 4 doletas por mês ou 30 por ano, mas o que eu gostei no site é que a maioria das funções são livres. Depois do Reflexo de Luz a coisa mais diferente que eu achei foram os layouts das colagens, e o Design pra montar pôsteres, vale dar uma conferida principalmente pra fazer divulgação do blog. Ah, também tem aplicativo pra celular, tá? É de graça e com menos funções que o site, mas bem completinho ♥.

Quem usar me fale nos comentários, vou adorar saber se vocês gostam de conhecer sites diferentes e úteis assim pra quem tem blog. Fiquem livres pra deixar outras diquinhas também.

Beijos,
Carol Santana
Textos
10/06/2016

 

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Eu não sei fazer contas. Pensava que sabia pelo menos somar porém na traiçoeira matemática do amor 1+1 acabou não sendo 2 e isso não fez sentido na minha cabeça. Acho que não dá pra resumir uma pessoa num número tão pequeno quanto 1 quando na verdade cada ser é mais infinito que o próprio infinito.

Os números não parecem confiáveis por nenhuma forma que eu os olhe. Hoje é o dia 119 desde que te olhei pela última vez, 119 dias depois do dia que você olhou para mim e só viu desesperança. Falta de fé é a pior coisa que se pode sentir por alguém, porque significa não acreditar que a pessoa pode ser melhor, não acreditar que a pessoa pode mudar, surpreender.

Daqui 119 dias serão 238 dias, 5.712 horas e eu gostaria de conseguir dizer o quanto mudou nesse tempo, não sei se consigo falar sobre tudo. Tem coisas até que eu não quero compartilhar com você, mas vou falar do que aprendi: O amor não é uma aposta segura.

Daqui 2.856 horas vou conhecer outra pessoa na fila da farmácia e sem nenhuma chance de dar certo eu talvez aposte nele. Vamos ver estrelas num telescópio e rir falando sobre a Mandy Moore, vai ser engraçado porque eu nunca imaginei que estaria com alguém que sequer sabe quem é a Mandy Moore. A única atriz do mundo inteiro que você conhece é a Susana Vieira.

São 2.856 horas a mais do que essas que passaram devagar e salgadas de água desde quando te olhei pela última vez e te abracei com carinho. Mas a matemática do amor é traiçoeira e eu não tenho calculadora científica pra somar os prazeres, dividir as alegrias e diminuir as inseguranças, você sempre foi melhor na fórmula de Bhaskara, quem vai te ensinar agora sou eu: A matemática do amor é traiçoeira porque sempre tem um que tenta somar, somar, somar, enquanto o outro subtrai, subtrai, subtrai.

Se o amor fosse uma aposta segura as pessoas não perderiam casa e emprego apostando errado. Se o amor fosse matemática precisa ou ciência certa 1+1 seria sempre 2. Às vezes 1+1 é 3, às vezes é só 1, e às vezes a soma de dois infinitos se anula e vira zero. Tem gente que aposta como se tivesse cartas tão boas que fosse quebrar a banca, mas se eu tivesse dando as cartas com todas as minhas certezas eu não ia esperar por mais 119 dias extras de água salgada e subtração. Sub traição. Sub atração.

Se eu tivesse dando as Cartas eu não escolheria os números, nem subtração. Pegaria logo a Rainha de Copas porque é letra Q❤, deve ser Quero Amor, Que Amor, Querido Amor, Quanto Amor.

Eu fico nas palavras, você vai ver se eu não ganho o jogo com a Q❤.

Amor, é Bonito, boca boa, não breve.
Consegues calcular, cientista?

Depois Entendemos o Futuro,
Gostaria Hoje de Ir, Janeiro já vem e dou jeito.

Kamikaze de Loucura Me Negligenciou
Ontem Pensei Que a Rainha Sempre seria eu
Tomei Umas Verdades na Xícara da ilusão.

Walkie-talkie quebrado, desligaste sem intervenção.
Yesterday agora não é só uma música.

Zumbido vazio e zangado zarpando pro Amanhecer
Ainda sei que Bailarina e Bombeiro são Compostos de Dilemas

Não beijos, não breve.
Deu pra Entender a Falácia?

Eu fico nas palavras. Porque embora o amor não seja ciência exata, desvendada, publicada em artigos e longe de ser entendida, vale a pena. Como eu e você. Não dá pra comparar, querido. Os números marcam os dias, dizeres, dissabores e decepções. Mas infinito mesmo é sentimento, intraduzível, insaciável e incompreendido. A Rainha de Copas aposta todas suas fichas em si mesma, o jogo ainda é o mesmo, as apostas que estão em uma carta diferente. Acredito tanto nela que cegamente dobro as apostas, tateando pelas fichas que podem até me levar à falência, mas são melhores do que esperar pelas próximas 2.856 horas.

Você talvez não entenda o amor, porque ele não é matemática, mas escute o que te digo, até quem não sabe fazer contas pode ganhar. O amor é tão eterno e duradouro como as pessoas que o sentem. Essa é a beleza do jogo, amor, eu me descobri infinita. O amor não é uma aposta segura, ainda assim todos que ganharam tiveram apenas que continuar apostando.

Me dá mais uma ficha, que eu posso até não ter sorte no amor mas se o amor é um jogo e por não ter sorte no amor eu tenho sorte no jogo, é melhor continuar apostando. Ambos bem compostos de dilemas. Entende? Francamente, gosto (dos) horrores do Infinito.

Beijos,
Carol Santana
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