Eu queria muito escrever um texto sobre o amor.

Dizem que um escritor precisa escrever sobre o que conhece, e eu queria muito escrever sobre o amor. E não consegui, sabe? Foram muitas semanas – eu não disse horas, ou dias – encarando uma tela em branco e apertando muito mais as teclas que apagam do que as constroem. E eu acho que o motivo pelo qual eu não posso escrever mais sobre isso é porque, pra falar a verdade, eu não sei se eu ainda sei o que é o amor.

Sempre achei que soubesse. Puxa, como fui bem resolvida com isso por toda minha vida! Foi meio da noite pro dia que eu percebi que o amor não podia ser nada daquilo que eu criei na minha mente, porque ele estava me matando. Então a primeira coisa que eu preciso te contar sobre o que eu entendi depois de desaprender tudo que eu não sabia que não era amor é que, diferente do que achava, o amor não é uma pessoa. Hum-uhn, não senhora.

O amor não é ele ou ela. Não vai ou fica, não. O amor é enquanto você for, e deixa de ser quando você não for mais – o que quer que você seja – tudo aquilo que você for. Mas você não vai encontrá-lo nos outros, porque o amor não é uma única pessoa, é meio que um espelho que você não vai entender muito bem o que tá refletido se estiver quebrado ou sujo – mas ainda vai ser o seu reflexo.

E enquanto eu estava pensando no que escrever no meu texto sobre o amor  eu entendi que o amor não podia ser nada daquilo que até então eu pensava que era, porque o amor não destrói, ele cura. É importante que eu te conte essa segunda coisa que eu aprendi sobre o amor: a cura nunca estará em quem te feriu. Não volte pra lá tentando encontrar aconchego ou certezas, quem te feriu é porque estava, de alguma forma, ferido, e não há nada que você possa fazer para mudar essa situação, porque o amor dos outros não está em você.

Acho que, embora eu não saiba muito sobre o amor para ter certeza, sei o suficiente pra dizer que, Hey, você vai ficar bem. Seu coração já está bem, viu? Seu coração está curado. Eu sei, eu sei, você acha que não porque o seu coração pesa como se estivesse fora do eixo, e também meio partido, fora que o ritmo também não parece muito certo e você não sente a velocidade estável como sentia antes. Mas o seu coração está curado. Você precisa curar sua mente. Todas as memórias guardadas nela, todos os perfumes, texturas e sabores que você acha que nunca vai esquecer e te mantém acordada à noite é o que torna teu coração pesado, desajustado, quebrado e descompassado. Mas a sua mente vai se curar. Avise a ela, é importante que saiba disso, porque o processo começa quando você olhar para aquele espelho e o reflexo nele te sorrir de volta todo despido dos vários antes e muito ansioso por todos os depois.

Eu gostaria de poder dizer que o amor é isso ou aquilo outro, mas acho que eu ainda não aprendi direito o que ele é porque a pessoa que viveu tudo aquilo que eu achava que era amor não mora mais em minha mente – será que algum dia terei aprendido?

De modo que esse texto não é sobre o que o amor é, e sim sobre o que ele não é. O amor não é difícil e te faz sangrar, isso é outra coisa. O amor não sai por ai e te deixa sozinha para lidar com seus demônios, isso é outra coisa. O amor não te liga só de segunda à quarta e depois some, isso é outra coisa. O amor não te bate mas depois pede desculpas e compra flores, isso é outra coisa. O amor não te faz pedir desculpas por coisas que você não achava que devia, isso é outra coisa. Amar pessoas que te odeiam só significa que você não se ama o suficiente pra gostar de você. Mas eu gostaria muito que você tentasse pois enquanto você não puder encontrar dentro de você a força para ser o mundo inteiro vai te dizer para não ser. Enquanto você não puder encontrar dentro de você a força para amar o mundo inteiro vai ter o poder de não amar.

Disseram que era pra eu escrever sobre o que eu conheço, e eu não pude escrever sobre o amor porque não acho que eu saiba direito o que ele é nesse momento ou o que refletiria, mas mesmo eu, que não sei nada sobre o amor, posso escrever que o amor da sua vida – primeiro, segundo, sexto, décimo segundo – não vai ser medido, encontrado ou identificado a partir do que você sentiu pelos outros antes, então se essas histórias acabaram tomando outros rumos você trate de curar sua mente e colar teu espelho, porque até aqui o que posso dizer é que amor da sua vida não é o primeiro que mudou tudo ou o segundo que segurou sua mão depois de o primeiro ter ido embora, ou o terceiro que tirou seu fôlego e te levou pra ir ver o mundo. O amor da sua vida é o último, aquele que te faz não sentir nada tão aconchegante por ninguém nunca mais, e fica porque sabe que você também está refletindo todo o aconchego que ele também emana.

Digito essas palavras sorrindo, e isso é fantástico.

É fantástico porque eu não imaginaria, depois de 364 dias totalmente diferentes de qualquer coisa que eu já vivi pelos últimos 22 anos da minha curta existência, que eu poderia falar coisas boas sobre essa experiência que foi estar vivo em 2016. Mas essa talvez seja, para mim, a maior beleza do desconhecido: nossa imaginação nunca é fértil o suficiente para desvendar a quantidade de maravilhas que ele pode trazer.

Em Abril foi meu aniversário e eu fiz uma postagem muito especial – talvez a mais especial até hoje – aqui no Horinhas, listando as 22 coisas que havia aprendido até aquele dia. E, falei muito de mim nessa postagem. Sobre as minhas experiências, o que eu acredito e as verdades que propago por ai. Então, para finalizar esse ano – épico – chamado 2016 eu resolvi fazer uma nova lista contendo tudo que no dia 01 de Janeiro deste ano eu não fazia, e, de forma brusca ou muito gentil, este ano fez questão de me mostrar.

1. Ninguém vai me amar tanto quanto eu devo amar a mim mesma.

2. Algumas pessoas não estão prontas para ouvir algumas verdades, isso não significa que eu devo mentir para elas.

3. Não posso impedir as pessoas de se decepcionarem comigo porque não sou responsável pela interpretação que elas tem a respeito do que digo ou faço. Elas são.

4. Posso dar cada molécula de amor que existe em meu corpo a uma outra pessoa, e sobreviver sem essas moléculas, isso não significa que ela não vai precisar de outras coisas para se sentir completa, ou viva, ou amada.

5. Falando em amor, as pessoas que me amam vão me amar mesmo se eu pisar na bola duas ou três vezes, porque o amor independe de argumentos ou condições favoráveis. Ele é incondicional.

6. Só existe um sentimento além da dor capaz de transformar tudo que uma pessoa é, acredita e entende na vida e esse sentimento é o amor. Eu vou passar por mudanças na vida sem poder escolher por qual via elas virão.

7. As pessoas em quem mais confiamos são as que tem o maior potencial de nos magoar porque elas é que viram o que há de mais imperfeito, fraco e humano em nós. Algumas vezes elas vão usar essas imperfeições e fraquezas como desculpas para irem embora.

8. Falando em ir embora, vai quem escolher ir, isso está além da minha capacidade de ser legal, amável, bondosa, gentil ou perfeita.

9. As pessoas fazem o melhor que podem para sobreviver, e algumas vão precisar adentrar estradas que divergem da minha. Não é culpa delas.

10. Culpa, aliás, é um sentimento que não tem qualquer utilidade e devo evitar senti-lo o tanto quanto possível. As coisas aconteceram da forma que tinham de acontecer.

11. Quem realmente se importa liga, manda mensagem, manda carta, aparece no meio da madrugada com um pote de açaí e um DVD, faz o que for preciso, mas encontra uma forma de estar presente.

12. Distância, ou falta dela, não significa amor – ou falta dele.

13. Existe sempre uma reserva de stamina em algum lugar dentro de mim esperando aquele momento em que vou dizer “eu não aguento mais”, e só eu me conheço bem o suficiente para cavar no lugar certo e fazer jorrar essa reserva.

14 Às vezes é muito necessário que desconheçamos uma pessoa para sermos capazes de amá-la novamente.

15. Falando em desconhecer, não escolhemos quem vai ficar na nossa vida. E isso é muito bom, significa que todo mundo possui direitos, e opiniões, e vontades, e sonhos, e uma liberdade que não está condicionada a nós.

16. Eu também possuo direitos, opiniões, vontades, sonhos e uma liberdade que não está condicionada aos outros. E eu preciso respeitar isso e parar de condicionar quem eu sou a quem os outros esperam que eu seja.

17. Devo agir com as pessoas conforme quem eu sou, não conforme quem elas são.

18. Eu não preciso aceitar merda nenhuma que qualquer um tente me fazer acreditar que é a verdade.

19. Eterno é uma condição que damos às coisas cuja memória perdura, mesmo que a coisa em si não.

20. Se eu não souber quem eu sou vou permitir que as pessoas me digam, mas ninguém está realmente habilitado para determinar coisas tão importantes quanto meu caráter.

21. Pessoas boas fazem coisas ruins às vezes, isso não significa que não se importam. Significa que são tão humanas quanto eu.

22. Quando eu não souber mais o que fazer ou como continuar é muito importante tentar dançar até minhas pernas bambearem, ou tomar um banho, ou escrever sobre o que sinto, ou falar com alguém.

23. O que as pessoas pensam sobre mim não é quem eu sou.

24. Existem pessoas que agradecem aos céus pela minha existência, de alguma forma eu mudei a vida delas. Por que estou pensando tão pouco a respeito de mim mesma?

25. Sou a única pessoa do mundo que nunca vai me abandonar, não importa o quanto eu me afaste de mim mesma. Eu mereço algum crédito por isso.

26. Falando em abandonar, nenhum colírio no mundo é capaz de me fazer enxergar as coisas importantes da vida tanto quanto a solidão é.

27. Tudo vai passar, e eu também. Para os outros, para o mundo e até para mim mesma, mas eu preciso sentir as coisas enquanto elas estão acontecendo.

28. Se sentir fraco é o primeiro passo para encontrar toda força interior que ninguém nunca disse que eu tinha.

29. Muito mais importante do que para onde estou indo é quem vai comigo, como vamos chegar lá e porquê eu quero estar neste lugar.

30. Final é só uma coisa que eu escrevo antes de começar tudo outra vez da maneira mais diferente que eu puder imaginar.

31. Todos os relacionamentos do mundo possuem três versões: a minha, a sua e a verdade. Perspectiva é a única coisa capaz de me fazer seguir em frente.

01. Quando uma coisa termina não significa, sob nenhuma hipótese, que ela não tenha sido lendária. Obrigada por tudo, 2016!

Ei, Dezembro. Tudo bom?

Vim aqui falar um pouquinho sobre esse ano, as várias descobertas. O segundo look consecutivo usando o mesmo short e a necessidade de sermos quem somos (e nos reconhecermos assim, nos amarmos)! Não preciso falar que no início desse ano éramos todos pessoas muito diferentes que nem sequer imaginávamos que estaríamos aqui – eu escrevendo esse texto – doze meses depois.

Mas estamos, né? Pois a vida seguiu caminhos inesperados.

E vocês podem agora, graças à todas essas experiências, serem reapresentados à Carol ruiva. Que é a melhor versão de mim que conheci ao longo dos últimos anos – e por motivos bem específicos tentei me livrar dela. Então me vejo forçada a encarar essas fotos e ver eu mesma ruiva, usando um short, uma blusinha curta no umbigo, e toda essa felicidade que às vezes acho que vai escapar de mim de alguma forma que talvez eu não sobreviva, e só posso dizer que sou muito grata.

Para ser sincera não quero ser tão altruísta a ponto de dizer que esse ano não foi a coisa mais difícil que já enfrentei. Porque foi. Mas sou muito grata porque ele me transformou numa pessoa nova, com novas percepções da vida, novas qualidades – e defeitos – e conceitos em que me seguro com muito mais força.

Superar todas as coisas que me surpreenderam negativamente me ensinaram muita coisa sobre força e determinação que nenhuma outra circunstância na minha vida poderia ter me ensinado. Me conheço hoje como nunca conheci antes, pois em meio a toda solidão que me cercou eu fui a única capaz de me erguer novamente e essa incrível oportunidade de entrar em contato com um lado meu que eu não sabia que existia me mostrou que, puxa, eu sou foda pra caralho.

No início desse ano eu não fazia ideia de que ia amar minha imagem dentro de um short, que eu ia passar a associar o cheiro da canela com lar, que eu ia gostar de cerveja, que eu ia redescobrir cada uma das minhas amizades, que eu ia fortalecer laços já rompidos com pessoas que eu só sentia saudades, que eu ia conhecer pessoas incríveis de outros cantinhos do país graças à internet, que eu ia me tornar uma especialista no metrô de São Paulo, que eu ia encontrar a Evanna Lynch andando na rua, trocar mensagens com a Cassandra Clare e receber uma resposta da Meg Cabot e do Neil Gaiman.

Eu não imaginava que eu veria o Neil Patrick Harris, conheceria amigos de internet de longa data, choraria encolhida no chão do banheiro e descobriria que maracujá é a minha fruta favorita – por favor Nestlé, mande uns Frutares. Eu simplesmente não tive imaginação suficiente pra acreditar em mim e entender que eu sempre soube o que eu queria fazer da minha vida, apesar do medo de achar que essa é uma realidade tão distante que eu passei anos afastando essa ideia de mente, por não achar que eu era digna de realizá-la.

No início de 2016 eu não imaginava nem que o Leonardo di Caprio ia ganhar um Oscar, quanto mais que eu ia me desesperar para me livrar dos meus fios ruivos e depois, numa súbita inspiração da madrugada, me olhar no espelho pela primeira vez em meses e enxergar a verdadeira eu – que fora propositalmente deixada num cantinho escuro para ser esquecida diante da realidade.

Vamos descobrindo ao longo das jornadas que o mesmo acontecimento é recontado por pessoas diferentes de formas diferentes porque temos percepções distintas da vida. Dessa forma, 2016 foi o melhor e pior ano da minha vida. E em todos os aspectos possíveis eu não poderia estar mais feliz em ter me enganado tanto: sobre as pessoas em quem eu confiava, sobre meus amigos mais próximos, sobre quem se importava comigo, sobre eu mesma, sobre meu caráter, meu futuro, meus talentos. Já pensaram que talvez quando notamos depois de um tempo que “a vida seguiu caminhos inesperados” é apenas a nossa percepção de que não fomos capazes de, de fato, esperar que esses caminhos fossem possíveis?

Vamos perder muito ainda, amigos. Sei que vamos. Mas não podemos perder a imaginação. E que bom descobrir isso a tempo.

Bem a tempo de começar o próximo ciclo com toda a disposição possível de continuar na única direção que qualquer pessoa deveria ir: adiante.

Short: C&A / Cropped: C&A – poxa, C&a, cadê o patrocínio / Tênis: Constance /Fotos: Caroline Ozzy

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