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Quando eu era criança me cansei de ouvir as pessoas dizendo pra minha mãe “essa sua menina é fogo”. Eles não sabiam o quanto estavam certo. Provavelmente acharam que eu ia crescer e parar de fazer arte, mas quanto mais velha eu fico mais arte quero fazer. Espero que vocês ainda vejam muito da minha arte por aí, tenho tentado.

Depois que eu cresci continuaram falando “essa sua amiga é fogo”, “tua namorada é fogo”, “sua irmã é fogo”. E eu, pra ser sincera, me ofendia um pouco com isso. Sentia que não era bom ser fogo. Acho que é porque as pessoas falam em um tom de julgamento, além do mais ninguém gosta de quem “faz arte”.

Que isso, tá fazendo arte, menina? Essa menina é fogo!

Aí descobriram que meu signo é de fogo. Já era pra mim. Só porque eu nasci num dia em que o Sol tava sei lá como e os planetas não sei de que jeito – só sei que nessa época Plutão ainda era planeta – mas só porque eu nasci nesse dia começaram a reformular o “essa sua menina é fogo” pra, “toda esquentadinha”.

Pra piorar dizem que cada signo tem um complemento perfeito, que é uma pessoa regida pelo signo com 6 meses de distância do seu e que vai amenizar, balancear, completar, ou equilibrar, os efeitos do seu signo. Ou seja, o seu oposto no Zodíaco. Pra mim isso corresponde ao pessoal entre os dias 23 de Setembro e 22 de Outubro. É um signo de ar, que de acordo com a crença do Zodíaco controla o meu fogo.

Eu não acredito em signo, mas o fato é que, bem, chega uma hora vida que a gente aprende a abraçar tudo que é, de bom ou de ruim. Não tem jeito fácil de dizer isso então eu só vou dizer: é mesmo verdade, eu sou fogo. Tu sabe o que acontece com o fogo em contato com o ar? Se for chama, morre, se for incêndio, alastra.

De primeira achava ruim quando falavam pra minha mãe que eu sou fogo, depois não gostava quando diziam pras minhas amigas, pro meu namorado, pra minha irmã, que eu era esquentadinha. Achava péssimo, ofensivo até. Mas eu sou fogo.

Começou com uma faísca. Tentei abafar pra não causar muitos estragos mas comecei a me sentir adormecida, não parecia que era eu mesma, então lá fui eu atrás de um novo fósforo pra manter a chama acesa. Acendeu, brilhou, esquentou. Tremulando em azul e laranja, tá tudo certo agora. Epa, queimei. Melhor tomar cuidado com isso, depois de tanto tempo a gente esquece como é lidar com fogo, não pode é perder a prática, dizem que o fogo é traiçoeiro, e não pode ser domado.

Que mania de querer domar os outros. Por acaso alguém pode ser domado? Água pode ser domada? Terra? Ar? Acho que não, é melhor deixar cada um ser. Tem gente que tem medo do fogo, e não nego que fora de si o fogo queima. Sim, é preciso ter cuidado, às vezes eu mesma olho pra mim e falo: Essa sua menina é fogo, mulher!

Então aceitei que eu sou fogo e faço arte. Posso estar como faísca, chama, ou explosão mas sempre vou queimar. Por eu tenho fogo em mim que vem de dentro pra fora, me aquece, me dá forças e ilumina minha vida quando a pior das noites desce e eu sou tomada pela escuridão. Porque eu sou fogo. Não vou deixar de ser fogo, e gosto de ser fogo, fogo faz arte.

Já não falam mais pra minha mãe, nem pra minha irmã, pro meu namorado ou para as minhas amigas. Falam pra mim “Mas você é fogo, ein?”, e eu falo “Sou, sou sim.” e as pessoas saem com medo de serem queimadas. Tudo bem, é só instinto. Eu sei que o fogo também aquece, é luz que irradia a alma. É melhor ser fogo do que morrer de frio, corações de amor congelado é que tem medo do estrago que o fogo pode causar.

Sorte que fogo da alma tremula e dança mas não se apaga. Pena que tem sempre alguém tentando apagar o incêndio. 

I might only have one match but I can make an explosion. This is my fight song, take back my life song, prove I’m alright song. My power’s turned on starting right now I’ll be strong, I’ll play my fight song.

And I don’t really care if nobody else believes, ‘cause I’ve still got a lot of fight left in me.”

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Quando eu coloquei uma das fotos desse ensaio lá no twitter (@_cpadfoot, segue lá!) rolou uma comoção geral da galera pedindo as fotos no blog, e, confesso, esse é o ensaio que eu mais quis mostrar simplesmente porque ele ficou muito a minha cara e eu queria muito mostrar o cabelinho novo pra vocês. Fazia tempo que eu não olhava no espelho e me sentia tão ~Carol~ e esse corte de cabelo fez isso pra mim num grau que tô considerando adotar pra vida, amo forte.

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É muito interessante como a moda nos inseri ou desloca de um lugar. Emocional, psicológico e físico. Antes de cortar eu estava passando por um processo de aceitação de váaaaarias coisas que aconteceram ao longo desses últimos meses e me olhar no espelho com esse cabelo me fez perceber que me tornar uma pessoa diferente é uma coisa boa, excelente, na verdade.

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Falei com vocês naquele vídeo que fiz sobre meu cabelo que eu estava tentando tirar a química do meu cabelo e desde aquela época venho cortando e tingindo de castanho médio, a cor do meu cabelo, dessa vez pegou mesmo ao invés de ficar desbotando pro ruivo debaixo. Além disso o corte bem mais baixo tirou a selagem que alisava meu cabelo, e ele tá todo cacheadinho (nas próximas fotos vou deixar ele cacheado pra vocês verem que amô), mas estou amando usar das duas formas então não consigo escolher, realmente, qual a maneira que eu mais gosto. Só de poder usar cacheado novamente fico radiante, porque pelo período de ruivo em que eu selava ele ficava todo lisão que me dava fadiga, hahaha

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Acho que eu amei taaaaanto esse look porque ele foi um combo de coisas maravilhosas que eu aprendi esse ano, dizem muito sobre a Carol: shorts curtos, tênis branco, acessórios de pedra, cabelo castanho, e flores. Outra coisa que me deixa muito, muiiiito feliz sobre essas fotos é que eu comprei essa jardineira há uns bons 18 meses e estava guardando-a para quando emagrecesse, e agora ela me serve ❤. Mas o mais engraçado é que hoje em dia eu a acho muito curta e não me vejo usando-a regularmente, coloquei especificamente pra combinar com a árvore e armonizar as fotos, tirei as fotos e já fui trocar de roupa porque vejo que meu guarda-roupa não anda me representando mais. Como lidar?

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Esse tênis é da minha irmã, que eu já tive que devolver, mas se alguém quiser mandar eu calço 36, pelo amor de Deus, eu amo tênis branco!

Jardineira: Renner / Tênis: Adidas / Blusa: da mamãe / Colar: Ganhei, é artesanal / Anéis: Dress To / Copo: Uatt? / Fotografia: Caroline Ozzy

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Você me libertou. Não tenho como expressar o quanto estou feliz em finalmente poder dizer essas palavras. Não acho que foi, exatamente, um grande favor, afinal era só o ciclo natural das coisas. Mas você me libertou. Não me entenda mal, o que vivemos sempre será eterno mas eu não preciso mais de você para ser feliz. Você me libertou.

Quando você não se importou o quanto eu precisava ouvir a sua voz, era você me libertando. Quando você não quis me ouvir, era você me libertando. Quando você não me ligou para perguntar como eu me sentiria sobre levá-la na festa, era você me libertando. Quando você nem me apresentou a ela, era você me libertando. Quando você fingiu que não me viu, era você me libertando. Todas as vezes que você pensou em me mandar uma mensagem e não mandou, era você me libertando. Quando você não me falou tchau, era você me libertando. Quando você apertou meu braço disfarçadamente porque não tinha coragem de simplesmente balançar a cabeça e reconhecer minha existência, era você me libertando. Quando você me usou como desculpa para se afastar das pessoas que se importam com você, era você me libertando.

Eu não preciso mais de você para ser feliz, porque você libertou. Quando eu era a única pessoa para quem você queria contar sobre sua faculdade e você não me ligou, era você me libertando. Quando você deu seu casaco pra ela e eu fiquei com frio, era você me libertando. Quando eu passei tão mal que vomitei por um dia inteiro e meu corpo ficou dolorido como quem foi atropelado por um caminhão e eu não pude te ligar porque eu não faço ideia de quem você é, era você me libertando.

As pessoas tem o costume de procurar um novo amor para superar um antigo. Acham que uma presença diferente vai curar a ausência deixada por quem se foi, que uma amor diferente vai preencher com sorrisos, cozinha cheirando pão fresco. As pessoas acham que um amor diferente vai cuidar da ferida aberta que pulsa e sangra como se tivessem jogado sal sobre ela. Acho engraçado quando meus amigos terminam um relacionamento e logo depois de um mês já estão namorando outras pessoas. É fácil apagar as fotos do instagram e começar tudo de novo, deletando uma história de amor para começar uma nova. Mas não é bem assim que funciona.

É, mas não dessa forma.

Quando pegamos nosso coração, essa parte do corpo que mantém todo o resto vivo, e entregamos nas mãos de uma pessoa que não está conseguindo cuidar de seu próprio órgão, que não está conseguindo segurar em suas mãos o próprio coração, nós estamos criando um assassino. Não podemos criar um assassino, as pessoas merecem viver. Para entregar nosso coração nas mãos de alguém é necessário, em primeiro lugar, que ele esteja conosco, e você me libertou. Você me entregou meu coração de volta, ensanguentado, quase sem pulsar, remendado, cortado, ferido e divido em três, você estava me libertando.

A culpa foi minha, de ter transformado você em um assassino de corações. Ninguém devia ter tanta responsabilidade em mãos. Eu devia ter segurado meu próprio coração e cuidado dele eu mesma, mas o entreguei a você, que por um longo tempo não soube o que fazer com ele. Mas você me libertou. Eu não sinto mais dor, eu não sangro mais, e sinto esse coração pulsar tão forte e costurado como nunca esteve, sadio e liberto eu não posso evitar de te agradecer. Antes eu via flores em você, mas essa liberdade cardíaca me deu uma nova perspectiva das coisas, e eu vejo flores dentro. De mim.

Precisamos parar de entregar nossas coisas mais frágeis e preciosas àqueles que não sabem, e não querem aprender, como cuidar delas. É verdade o que dizem, realmente é necessário um novo amor para curar um coração assassinado. É o amor próprio, e ele liberta muito mais que qualquer outra coisa.

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