Eu não lembro de quando eu comecei a ler. Eu sei que eu tinha 4 anos e meio e foi a minha mãe que me ensinou – usando gibis da turma da Mônica. Mas eu não lembro de quando aconteceu. O que eu lembro é que a escrita sempre foi uma parte muito importante da minha vida, quando eu entrei na pré-escola letrada me adiantaram pro ano da frente, onde as crianças já sabiam ler e isso determinou todo o curso da minha educação, os amigos que fiz e o fato de que eu entrei na faculdade com 16 anos.

As palavras tem sido uma parte da minha vida por mais tempo do que eu posso me lembrar, e eu lembro exatamente da madrugada em que eu decidi que seria escritora: eu tinha 11 anos e conheci um site de fanfics – fiquei instantaneamente apaixonada pelas pessoas que semanalmente renovavam a magia das minhas histórias favoritas e comecei a imitá-las.

Pra mim sempre foi uma questão de sobrevivência.

Ouvir e contar histórias foi o que deu sentido a minha vida quando eu não era nada além de uma adolescente confusa, apaixonada e com medo da rejeição: era fácil projetar a felicidade em personagens perfeitos e esperar que eles vivessem minhas aventuras e felicidade, porque eu podia controlar todo o destino deles da cadeira do meu quarto e só um papel e caneta nas mãos.

Parecia perfeito.

Mas não houve nenhum momento em todos esses anos que eu achei que tivesse conseguido. Que eu achei que eu tivesse me tornado de fato uma escritora: os meus livros nunca saíram de um arquivo docx no word e eu nunca os vi em prateleiras, de modo que não sou como sempre pensei que seria, ainda não consegui ser. Tentei até não sonhar mais esse sonho, achei que ele era grande demais pra mim. Tentei deixa-lo de lado muitas vezes (escritora, eu?). Mas às vezes, só às vezes, é tão simples quanto colocar uma letra na frente da outra pra formar palavras.

2017 foi o ano que eu mais escrevi na vida. Foram 22 textos – sem contar os outros tipos de postagem – e muitas páginas de papel, centenas de notas rascunhadas no celular madrugada afora e muitos personagens novos que ainda não consegui apresentar a vocês porque espero que sejam sempre perfeitos, conforme eu sonhei com eles, para que vocês os conheçam.

Eu precisei escrever mais de 20 mil palavras pra entender o significado de uma, e foram vocês que me mostraram tudo.

Eu estava preparando uma postagem de retrospectiva com os melhores textos do blog e pedi à algumas pessoas que me dessem suas impressões mais marcantes sobre o texto do Horinhas em 2017 que mais haviam gostado, e o que eu recebi de volta foi uma coisa que eu nunca tive o descuido de imaginar, mesmo nas noites de autógrafos mais iluminadas com as quais já sonhei. Vocês decidiram sobrecarregar o meu inbox com motivos pelos quais as minhas palavras mudaram as vidas de vocês, e eu não sei se algum dia vou ser capaz de retribuir o quanto esse carinho me inspirou e fez com que eu brilhasse de alegria, mas às vezes eu acho que é tão simples quanto colocar palavras umas na frente das outras pra formar frases.

Jessy sobre o texto “Sobrevivência é uma questão de imaginação“: Comece por você. Sementes, antes de flores. Ameiiiii essa frase quando li pq acho que a maioria de nós é isso mesmo, queremos tanto colher que não temos paciência de plantar, de ser semente antes de flores. Sobrevivência é uma questão de fé, imaginação e hábitos frutíferos. maior verdade da vidaaaa. Me motivou muito esse texto! A continuar apesar das dificuldades.

Nina e Laura sobre “Esse não é um texto sobre o amor“: Eu concordo com absolutamente cada palavra desse texto. Eu achava que soubesse o que era o amor e, depois de tanto tempo, percebi que eu não o conheço o suficiente pra saber se estou acertando ou errando com ele. Ainda assim, eu sei que, conhecendo-o ou não, meu coração nunca vai se cansar dele e vai saber se curar no momento certo.

Eu gosto muito desse texto porque apesar de parecer que ele entra muito em acordo com o Carta pra você que ainda vai me amar, ele não tá. Esse diz que o mundo não vai estar exatamente numa pessoa. Eu vi muito nesse texto que não vale a pena insistir no que está errado porque isso não vai fazer com que dê certo. Eu gostei muito disso, do fato de que você faz questão de ressaltar como fazemos questão de procurar amor nos lugares errados só pra depois dizer que o erro está na gente, e não é assim. O erro é onde depositamos as expectativas, é o que chamamos de amor, quando não é. Eu precisava muito saber disso no momento que eu li, e sou grata por ter encontrado essas palavras.

Tati sobre “Talvez você seja o nome que se dá pro amor“: Parece mentira, mas não é! Eu leio seus textos e parece que tem algumas coisas que parecem comigo e sem contar que eu vi muito de você, quando mais eu lia eu via isso. Na verdade eu percebo muito de você nos textos, que eu paro e penso esse texto e super Carol, aí de repente eu tô no chão porque eu me vejo também. É como se você escrevesse esses textos pra gente ter uns cliques de também passamos por isso e você não foi a única e isso faz muito ajuda com os sentimentos.

Lary sobre “Carta aos Descuidados” Que texto maravilhoso! Quando deixamos de ser lagartas e nos transformamos em lindas borboletas. Não é fácil deixar o casco para trás, pois ele nos dá segurança e nos permite ficar cômodos e protegidos. Ter asas nos permite ver o mundo, mas trás vários perigos e com eles situações que nos machucam. Agradeço todos dos dias por ter abandonado a minha casca, tenho orgulho da identidade borboleta que escolhi ser. Machuquei bastante até perceber o preço das asas, mas elas com toda a certeza valem a pena porque depois que as compreende, que você se entende e se ama acima de qualquer coisa tudo fica mais fácil.

Cecília sobre “Da beleza em vazios iluminados“: Eu comentei nesse post dizendo que queria fazer desse texto a minha morada. Porque eu amei cada pedacinho dele, cada quote incrível da escritora maravilhosa que você é. Porque a gente acha que o coração de todo mundo bate e funciona igual o nosso, mas “coração dos outros é terra estrangeira pra gente”.

Ana sobre “Carta de número dois“: O meu favorito. Mesmo. Foi como se estivesse me lendo através da sua poesia tão pura!! Obrigada por esse texto Carol!! Por esse autorretrato que eu nunca pedi… e que utilizou toda a paleta.

A quantidade de respostas que eu recebi daria pra fazer pelo menos mais duas postagens como essa. Foi muito difícil escolher as melhores coisas que vocês falaram porque na maior parte do tempo eu estava ocupada com uma das mãos secando as lágrimas que vocês causaram em mim por me ensinarem que vale muito mais um bom trabalho feito do que um trabalho perfeito jamais realizado.

Hoje eu sei que eu nunca achei que fosse uma escritora porque eu queria muito ser a escritora perfeita. Mas vocês me ensinaram que trabalhar com palavras é nada mais do que falar a verdade e explica-la de uma forma que os nossos sentimentos entendam o que eles são, e as vezes eu acho que é tão simples quanto colocar frases umas na frente das outras pra formar parágrafos.

E eu sei que às vezes a gente espera muito pelas condições impecáveis, porque sonhamos que as coisas perfeitas aconteçam – e na nossa cabeça tudo é bom demais e perfeito demais para que a realidade venha estragar, então é melhor que certas coisas continuem sendo perfeitas por lá do que imperfeitas aqui. Mas as coisas reais são mais bonitas que as coisas perfeitas, por isso eu acho que eu gostaria de não esperar as condições perfeitas, mas sobreviver às imperfeitas e ter histórias de como algumas coisas deram certo e outras não e eu vivi todas elas, do que a centena de perfeições que conto a mim mesma antes de dormir todos os dias, esperando que um dia se realizem.

2017 foi o ano que eu mais escrevi na minha vida, e na maior parte do tempo eu não fazia ideia do que eu estava fazendo. Mas eu sabia porque estava fazendo, e por quem, e continuar parecia uma opção muito válida, e às vezes é tão simples quanto colocar parágrafos uns na frente dos outros pra formar textos. Muito obrigada por me ensinarem tanto sobre coragem, e serem muito mais reais do que eu poderia pedir.

Vocês me fazem sentir que eu já sou tudo que eu preciso ser, e um dia após o outro eu tenho acreditado nisso, e tem facilitado muito as coisas para eu me tornar quem eu quero ser. Ninguém brilha sozinho porque ter outras pessoas que acreditam que a sua luz é suficiente potencializa o alcance que ela tem. Faz muito sentido ser uma escritora (ainda que imperfeita) quando eu tenho leitores (amigos!) como vocês pra extrapolarem o encantamento do imaginário intocado por falhas para a realidade: que não precisa ser impecável, só precisa existir. Coragem é tentar mesmo sabendo que tenho tudo pra fracassar; esperança é o que vocês me dão, tão maior do que o medo causado por uma imaginação altamente descuidada. Espero ser – para sempre – capaz de retribuir essa luz.

Eu fiz essas fotos porque eu queria agradecer vocês por me permitirem terminar esse ano em paz. Por me mostrarem como vale a pena se esforçar por uma coisa que acreditamos. Quando eu comecei a postar 1 texto por semana eu nem sei se eu mesma acreditei que completaríamos 3 meses ininterruptos de muita luz e amor aqui, nesse cantinho onde todos os sentimentos se reúnem – e às vezes, só às vezes, é tão simples quanto colocar textos na frente uns dos outros pra explicar uma vida inteira de sentimentos.

Eu sempre soube que as palavras eram capazes de trazer muita luz à vida das pessoas, afinal, elas iluminaram minha vida antes que eu pudesse conhecer a escuridão. É por isso que quando eu descobri quão longe elas podiam me fazer enxergar e quanto calor certas faíscas podem trazer, eu quis ser uma fonte incandescente pra vocês, mas mesmo a minha imaginação falhou em prever o quanto as palavras de vocês podiam fazer por mim. Que bom que vocês me mostraram, 2018 tem muito, muito mais!

           |O preço da paz|                                  |carta de número um|                    |carta de número dois|

Os melhores textos do ano, de acordo com os votos de vocês foram esses. Agradeço profundamente quem se dispôs a me ajudar nessa postagem, e pelos depoimentos mais íntimos que não compartilhei aqui, mas sou grata por confiarem a mim. Me impressiona muito que cada pessoa tenha mandado respostas tão incríveis sobre seus textos favoritos e a maioria das respostas foi sobre textos diferentes – o meu favorito, por exemplo, passou longe do voto popular. Vocês me fizeram enxergar minhas próprias palavras com novos olhos, e quantos escritores tem o privilégio de dizer isso? Essa foi a melhor retrospectiva ever!

Se você, leitor desse blog, tem um texto favorito que gostaria de falar sobre pode me mandar mensagem por aqui na caixa de comentário do próprio texto, via página do blog no facebook ou através do instagram, @hddescuido e @caroldohorinhas.

Feliz ano novo,
Com amor,
cs

  • Talita Korb
    dia 03/01/2018

    Continue a escrever. Escreva muuuito! Desejo que nesse ano tu realize todos os teus sonhos porque tu é super merecedora <3

    Beijos!

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  • dia 03/01/2018

    Você não é apenas uma escritora, você é uma das poucas que consegue colocar pra fora os sentimentos que nós teimamos em tentar esconder. Você fala por mim, pelas meninas que comentaram, por aqueles que permanecem em silêncio mas sentem mesmo assim. Você é incrível e faz mágica com suas palavras. Fico muito, muito feliz de intensificar o seu brilho, a sua luz, pois foi você que me fez enxergar a minha própria e vou ser pra sempre grata. Te amo.
    Nunca pare de escrever, nem de sonhar. Ainda vamos viver juntinhas o seu sonho de um livro publicado.

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