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Eu não sei fazer contas. Pensava que sabia pelo menos somar porém na traiçoeira matemática do amor 1+1 acabou não sendo 2 e isso não fez sentido na minha cabeça. Acho que não dá pra resumir uma pessoa num número tão pequeno quanto 1 quando na verdade cada ser é mais infinito que o próprio infinito.

Os números não parecem confiáveis por nenhuma forma que eu os olhe. Hoje é o dia 119 desde que te olhei pela última vez, 119 dias depois do dia que você olhou para mim e só viu desesperança. Falta de fé é a pior coisa que se pode sentir por alguém, porque significa não acreditar que a pessoa pode ser melhor, não acreditar que a pessoa pode mudar, surpreender.

Daqui 119 dias serão 238 dias, 5.712 horas e eu gostaria de conseguir dizer o quanto mudou nesse tempo, não sei se consigo falar sobre tudo. Tem coisas até que eu não quero compartilhar com você, mas vou falar do que aprendi: O amor não é uma aposta segura.

Daqui 2.856 horas vou conhecer outra pessoa na fila da farmácia e sem nenhuma chance de dar certo eu talvez aposte nele. Vamos ver estrelas num telescópio e rir falando sobre a Mandy Moore, vai ser engraçado porque eu nunca imaginei que estaria com alguém que sequer sabe quem é a Mandy Moore. A única atriz do mundo inteiro que você conhece é a Susana Vieira.

São 2.856 horas a mais do que essas que passaram devagar e salgadas de água desde quando te olhei pela última vez e te abracei com carinho. Mas a matemática do amor é traiçoeira e eu não tenho calculadora científica pra somar os prazeres, dividir as alegrias e diminuir as inseguranças, você sempre foi melhor na fórmula de Bhaskara, quem vai te ensinar agora sou eu: A matemática do amor é traiçoeira porque sempre tem um que tenta somar, somar, somar, enquanto o outro subtrai, subtrai, subtrai.

Se o amor fosse uma aposta segura as pessoas não perderiam casa e emprego apostando errado. Se o amor fosse matemática precisa ou ciência certa 1+1 seria sempre 2. Às vezes 1+1 é 3, às vezes é só 1, e às vezes a soma de dois infinitos se anula e vira zero. Tem gente que aposta como se tivesse cartas tão boas que fosse quebrar a banca, mas se eu tivesse dando as cartas com todas as minhas certezas eu não ia esperar por mais 119 dias extras de água salgada e subtração. Sub traição. Sub atração.

Se eu tivesse dando as Cartas eu não escolheria os números, nem subtração. Pegaria logo a Rainha de Copas porque é letra Q❤, deve ser Quero Amor, Que Amor, Querido Amor, Quanto Amor.

Eu fico nas palavras, você vai ver se eu não ganho o jogo com a Q❤.

Amor, é Bonito, boca boa, não breve.
Consegues calcular, cientista?

Depois Entendemos o Futuro,
Gostaria Hoje de Ir, Janeiro já vem e dou jeito.

Kamikaze de Loucura Me Negligenciou
Ontem Pensei Que a Rainha Sempre seria eu
Tomei Umas Verdades na Xícara da ilusão.

Walkie-talkie quebrado, desligaste sem intervenção.
Yesterday agora não é só uma música.

Zumbido vazio e zangado zarpando pro Amanhecer
Ainda sei que Bailarina e Bombeiro são Compostos de Dilemas

Não beijos, não breve.
Deu pra Entender a Falácia?

Eu fico nas palavras. Porque embora o amor não seja ciência exata, desvendada, publicada em artigos e longe de ser entendida, vale a pena. Como eu e você. Não dá pra comparar, querido. Os números marcam os dias, dizeres, dissabores e decepções. Mas infinito mesmo é sentimento, intraduzível, insaciável e incompreendido. A Rainha de Copas aposta todas suas fichas em si mesma, o jogo ainda é o mesmo, as apostas que estão em uma carta diferente. Acredito tanto nela que cegamente dobro as apostas, tateando pelas fichas que podem até me levar à falência, mas são melhores do que esperar pelas próximas 2.856 horas.

Você talvez não entenda o amor, porque ele não é matemática, mas escute o que te digo, até quem não sabe fazer contas pode ganhar. O amor é tão eterno e duradouro como as pessoas que o sentem. Essa é a beleza do jogo, amor, eu me descobri infinita. O amor não é uma aposta segura, ainda assim todos que ganharam tiveram apenas que continuar apostando.

Me dá mais uma ficha, que eu posso até não ter sorte no amor mas se o amor é um jogo e por não ter sorte no amor eu tenho sorte no jogo, é melhor continuar apostando. Ambos bem compostos de dilemas. Entende? Francamente, gosto (dos) horrores do Infinito.

  • Aline Evans
    dia 13/06/2016

    Sempre fui péssima em matemática, lendo a matéria vejo que, para o que é realmente importante em nossas vidas, ela é totalmente dispensável.

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    Carol Santana,
    dia 14/06/2016

    @Aline Evans, ainda bem, mana! Já pensou que fracasso. Seríamos piores ainda no que já não somos tão boas, hahaha
    É errando que se aprende! Obrigada pelo carinho e por estar sempre por perto.

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  • João Pedro
    dia 21/06/2016

    Só quem já amou sabe da infinidade do amor! com seu texto, Carol, posso sentir diversas vertentes de um amor que floresceu, cresceu e amadureceu. Cada palavra toca num sentimento diferente e posso dizer que em muitos momentos me sinto parte do texto. Sei bem o que é “colocar minha fé em algo desconhecido”, apostar e acabar perdendo. Mas acredito que como eu, não consegue não se entregar a algo. Podemos e ainda vamos quebrar a cara, mas sei que eu só consigo ser assim. Uma hora a gente acerta e encontra aquele (a) que também vai apostar todas as fichas em nós! Uma hora encontramos nosso (a) Lebeslangerschicksalsschatz! :)

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    Carol Santana,
    dia 27/06/2016

    @João Pedro, que coisa massa te ver por aqui e ainda mais com um comentário que enche minha alma de escritora de calor. Muito obrigada pelo carinho, fico feliz em saber que o texto toca diversos sentimentos. Ainda aguardando Lebeslangerschicksalsschatz! <3

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