Book do dia
29/02/2016

Eu cozinhei uma lata de leite condensado na panela de pressão para comer doce de leite enquanto escrevo essa postagem. Ela merece uma comemoraçãozinha porque é diferente de tudo que eu já escrevi na minha vida.

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“Você não tem uma alma, você é uma alma. Você tem um corpo.” – C.S.Lewis

 

Eu sempre fui a garota mais gorda do meu grupo de amigos. Pelo menos na minha cabeça essa era a realidade, até que eu fui olhar umas fotos minhas do colégio e eu descobri que eu não era nenhum pouco gorda. Vi aquela garota e a achei linda, magra até. E eu simplesmente não tenho lembranças de ela ter existido.

Mas eu nunca tive problemas com bulimia nem com anorexia. Para falar a verdade eu não sei falar o que me separou das meninas que lutam contra isso, porque já passou pela minha cabeça. Acontece que meus pais sempre me falaram que eu posso fazer o que eu quiser e ser quem eu quiser e a única coisa que eu preciso preocupar na vida são as consequências das minhas ações, então com a mesma velocidade doida que essas ideias idiotas apareciam na minha cabeça elas iam embora. O maior medo da minha vida é eu morrer e não ver meus livros – minhas palavras, minha alma e todo o meu imenso universo – nunca serem compartilhados com o mundo, então eu sempre soube que precisava ficar bem, e ficar viva para ver isso acontecendo.

Mas eu nunca uso shorts. Opa, quer dizer, eu não usava shorts.

Nessa minha mente de quem se achava gorda eu detesto minhas coxas (por enquanto ainda não gosto mas não foi isso que mudou). Na verdade eu não sei falar o que mudou. Eu olho aqui e tudo continua o mesmo. Meus livros continuam na estante, minhas ideias na cabeça e um monte de rascunhos em um moleskine, surprise surprise, quem mudou fui eu. Eu comecei a olhar as minhas fotos antigas e pensei: Quanto tempo eu perdi achando que minhas coxas eram feias demais para ficarem em evidência. Quanto tempo eu me abstive do que eu queria por causa do que as pessoas iam pensar. Quanta vontade já passei atoa por achar que não ia ficar tão bom em mim quanto ficou na moça da propaganda.

Só que agora eu não tô nem ai. Minhas pernas continuam cheias de celulite, mas eu descobri que eu posso usar shorts mesmo assim e o centro gravitacional da Terra vai continuar o mesmo, ou seja: a única pessoa que é afetada por isso e se importa sou eu. Euzinha, ninguém mais. Eu comprei um short imenso, um número maior que o meu que é para garantir que não ia ficar apertado, e eu me amei tanto dentro dele que eu comecei a me exercitar e comer melhor para poder usar todos os shorts do mundo. Só que eu perdi tanto peso que agora ele tá dois números maior que eu. Eu não fazia ideia de que shorts são tão bons, porque eu nunca tinha usado um antes.

O problema é que eu me amei tanto dentro dele que comprei logo dois e agora eu estou com dois shorts imensos e lindos que eu não consigo parar de usar.

Hoje é o primeiro, em 20 dias que eu como um doce e eu estou muito, muito feliz. Não é que eu ache que eu preciso parar de comer doce para me ver feliz comigo mesma, é que eu me comprometi a domar a compulsão, e eu consegui. E vou continuar praticando só para provar a mim mesma que consigo. Eu não me lembro de nunca ter me sentido assim, ainda preciso perder 12 quilos para chegar ao meu peso ideal mas eu estou fazendo essa postagem hoje não é para mostrar o look do dia, é para dizer que eu estou muito feliz.

Estou feliz com meu corpo. Feliz com essas fotos lindas que a Caroline Ozzy, minha parceira linda, tirou, e feliz porque eu estou usando um shorts nelas, e eu estou me achando muito linda. Os meus seios ainda tem estrias e eu não estou dizendo que as amo, mas eu decidi que vou usar biquíni assim mesmo. Eu parei de pintar meu cabelo porque eu queria usar os cachos dele naturais e para reparar o dano da tintura eu costumava fazer selagem – que alisa o cabelo -, só que apesar de já ter cortado mil vezes ainda tem uma parte dele com química, mas nesse dia eu quis usar tudo natural. Eu tava tão animada para mostrar o shorts que eu esqueci de colocar qualquer brinco, anel ou colar. Esqueci de mostrar a bolsa porque eu tava tão leve e dançando nesse dia que era como se eu fosse um pássaro.

A gente passa tanto tempo tentando se encaixar, tentando ser aquilo que as pessoas esperam de nós que nos esquecemos de ser quem nos cabe. E a vida vai passando e nós escolhemos o que nos define enquanto pessoas, mas eu não quero que o meu corpo me defina. Eu preciso dele para fazer todas as coisas que quero fazer, então preciso cuidar dele. Mas ele é só onde eu moro, a casa da minha alma.

Queria poder explicar a mudança que deu aqui, mas é como se eu tivesse girado um botão e o click acendeu uma luz que antes estava apagada, mas agora eu posso ver melhor. Se você não gosta do que vê você pode mudar. Vá com calma, não se desespere. O corpo é parte de quem você é, mas não é tudo. Você não tem uma alma, você é uma alma. Você tem um corpo.

Você não precisa amar tudo em você. Mas você não precisa deixar de querer uma roupa, deixar de ir em um evento, deixar de usar uma peça porque disseram que você não podia. Seja livre. Livre das paranoias da sua própria cabeça, livre da pressões externas, livre da manipulação das lojas que querem fazer você se sentir como se apenas um modelo te coubesse. E se você não acha que merece, espero que hoje saiba que você pode, que você merece e não são as roupas que escolhem você, mas você quem as escolhe: escolha o que quiser.

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Shorts: C&A / Top Cropped: Marisa / Casaquinho: Feira de Malhas/ Tênis: Allstar / Batom: Sapatilha – Dailus

Esse post não é um publieditorial mas eu não tinha como terminar essa postagem sem agradecer à C&A por ter criado esse short. Vocês mudaram a minha vida de tal forma que não fazem ideia. Muito obrigada de coração.

Beijos,
Carol Santana

dia 02/03/2016

Short é tuuuuuuuuuuudo de bom! No calor é a melhor coisa! E não existe nenhum motivo pra você se envergonhar, você é linda <3

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Carol Santana,
dia 10/03/2016

Maravilinda! Obrigada (por tudo), amo ver você por aqui.
<3

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dia 05/03/2016

Eu amo tudo que tu escreve, sempre. Mas esse texto é especial, porque a gente sente que tem toda uma coisa maravilhosa pairando sobre ele quando a gente lê. E eu tô muito feliz por você. Eu já sofria o mesmo problema por um motivo oposto: ser magra demais. E até hoje eu visto um biquini e penso que tá faltando carne ali, que tem osso demais, que não tá legal. Mas sei lá, é tão bom ligar o foda-se e apenas viver.. Eu ainda quero ganhar uns quilinhos, sim, mas o fato de não estar com eles ainda não significa que eu não deve gostar do meu corpo do jeito que ele é.
Que bom que a gente tá aí, usando qualquer tipo de roupa, sem medo de ser feliz <3
Beijo

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dia 10/03/2016

SUA MARAVILHOSA.
eu esperei a semana inteira para ter tempo de ler esse post com calma porque olha, é difícil se jogar numa coisa que você sempre acha que “não é pra mim”, né?
E olha só quantos verões você passou sem usar short por uma coisa da sua cabeça? Você é linda, é saudável, é feliz com a vida e é isso que importa, se uma coisa tá te incomodando, mude,mas não se prive de coisas sabe?
amei sua libertação e amei seu look, tá maravilhosa, empoderada e linda!

Beijos,
Isabella
The Urban Trends

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Carol Santana,
dia 10/03/2016

@Cecília Maria, velho, comopode ter uma leitora tão linda quanto você? É muita irmandade mesmo! Fico tão grata e feliz por ter criado o blog, não apenas por causa de quem eu me tornei graças a ele, mas também por causa de toda gente linda que eupude conhecer.
Tem uma coisa maravilhosa MESMO pairando sobre ele: liberdade.
Assim como você quer ganhar eu também quero perder uns quilinhos, mas tudo mudou pra mim quandoeu vi que tá tudo bem aqui e agora e a felicidade não está condicionada à esse futuro no qual sou magra.
Beijo grande, Mônica
De sua Sybil.

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Carol Santana,
dia 10/03/2016

Tô tão feliz de ver a realeza circense, dona 2@Isabella de Paiva aparecendo pra dar Oi. Obrigada pelo carinho de sempre, diva! É curioso as coisas que a gente faz quando não sabe o que tá fazendo. Para todo mundo sempre era tipo: miga, tá calor tu não quer um short? E eu sempre tão presa dentro da minha noia.
Hoje eu sou tipo: VENHA CÁ SHORT!
Obrigada, feminismo.

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