Eu não pensei, jamais, que eu faria uma postagem dessas aqui no blog. Sinceramente, nunca, nunquinha mesmo. Mas chegou o momento e não posso mais evitá-lo. Hoje vamos falar sobre Fanfics, porquê elas são importantes e o que eu decidi publicar aqui no blog.

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“Abrindo um antigo caderno
foi que eu descobri:
Antigamente eu era eterno.”

Paulo Leminski

Para começo de conversa, sinto que preciso me apresentar novamente. Esse blog está prestes a fazer um ano de idade e quando eu o criei foi porquê eu sentia que o Caixa-A-A, o blog que eu mantive por 5 anos, não mais representava quem eu sentia que era, e por isso eu quis começar novamente. Mas desde essa época, quase um ano atrás, eu deixei uma parte de mim muito grande de lado. Talvez a maior parte, na verdade. Mas o desaparecimento dela foi fazendo com que aos poucos eu desaparecesse de mim também, então chegou a hora de reaver essa carol.

A Carol Escritora.

A história começa mais ou menos aqui: Era uma vez, uma garota, que era apaixonada por um garoto, que não gostava dela. Eu sei, é a história mais velha do mundo, mas vamos lendo aqui porque eu devo muito, devo tudo, pra essa garota de 13 anos.

Quando eu tinha 13 anos eu era apaixonada por um garoto (não estou tentando enganar ninguém, ainda sou total e completamente apaixonada por esse mesmo cara, embora essa seja uma outra história!) e como eu não sabia muito bem como lidar com o fato de que seríamos para sempre apenas amigos, eu encontrei na escrita uma forma de contar a nossa história de amor da maneira que eu quisesse. E foi graças à minha grande paixão por Harry Potter que eu conheci o site filhinho do Potterish, o Floreios e Borrões, e lá comecei a escrever e postar minhas próprias histórias, onde eu podia usar de personagens que já existiam (e portanto eu não precisava desenvolvê-los muito bem, porque eles já possuiam uma personalidade muito bem desenvolvida!) e colocá-los em qualquer contexto que eu quisesse para contar qualquer história que eu desejasse.

A fanfic é o grande desejo de um jovem escritor. Justamente porque, apesar de o personagem não te pertencer, você pode torná-lo quem você quiser. Lily e James Potter, famosos por serem os pais de Harry Potter, se tornam então adolescentes vivendo sua história de amor e tentando se encontrar na vida. Ou podem viver em um Universo Alternativo (a famosa fic UA que eu amo!) e serem apaixonados um pelo outro, mas serem, na realidade, espiões internacionais. Ou podem se mudar para Paris e viver de culinária. Ou podem.. ou ainda.. Na verdade eles podem tudo que eu quiser.

Nasceu a Marlene.

Se você já leu Harry Potter você talvez não se lembre de uma personagem que não foi muito discutida, não é famosa, não tem destaque e cuja história não sabemos muita coisa: Marlene Mckinnon. De acordo com a escritora, J.K.Rowling, Marlene foi uma grande amiga de Lily Evans e James Potter, estudou com eles em Hogwarts, e, como muitos membros da Ordem da Fênix, morreu na Primeira Guerra bruxa em algum momento entre 1978 e 1981. O fato é que, no universo das fanfics que falam sobre os Marotos (pais do Harry em sua época de Hogwarts!), a Marlene costuma ser retratada como a melhor amiga da Lilian e como um interesse romântico de Sirius Black.

Acontece que o cara por quem eu era apaixonada nessa época era estranhamente parecido com Sirius Black. Moreno, lindo de morrer, cabelo bagunçado, sorriso maroto como quem não quer nada e não sabe o quão lindo é, fã de uma certa bagunça, com um leve desprezo pela ordem social, não estudava muito e por isso tinha muito tempo para bagunçar mas ainda assim tirava notas boas e era o grande pupilo dos professores. Os amigos o idolatravam, ele era o pegador da turma, não parecia querer se amarrar ou se apaixonar por ninguém em nenhum momento da vida.

Encontrei na Marlene um estilo de vida. Foi graças à personagem dela – que encontrei na ficção – que eu aprendi a me portar perto desse cara, e por isso nos tornamos amigos, e graças à essa amizade ele mudou por mim e ficamos juntos por sete anos. Sem ela eu não teria sabido como fazer nada disso, e deixá-la de lado no ano passado foi uma perda muito maior do que posso descrever – em muitos sentidos.

E pensar que eu podia ser qualquer coisa que não me permitisse ser ela foi um erro. A Marlene é mais do que uma personagem da ficção. É mais do que um livro que eu li, mais do que uma história que eu inventei, em algum momento da história eu me fundi com ela de modo que quando abri mão dela eu fui junto. Isso já me aconteceu antes. Escrevi um texto em 2013 falando sobre como eu me sentia sobre não conseguir tirá-la do papel, mas nessa época ela ainda morava por lá. Hoje em dia eu poderia facilmente ir ao cartório e trocar de nome, porque ela vive em mais do que qualquer coisa.

É por causa disso, e porquê eu nunca deveria ter deixado de escrevê-la que eu decidi trazer algumas das minhas fanfics aqui para o blog. Vou trazer as fanfics que se passam no mundo real ao invés das que se passam no mundo da magia, e basicamente vocês lerão histórias diferentes que se passam em contextos variados porém com os mesmos personagens de sempre. A personagem principal costuma ser a Marlene e eu vou começar repostando uma fanfic antiga que eu nunca terminei, mas pode ser que eu decida começar uma nova fanfic depois disso e só Deus sabe o que pode acontecer.

Na realidade eu sinto que além de me fazer ser uma pessoa muito melhor a Marlene em mim faz com que eu queira escrever sobre sentimentos, e portanto ela me faz escrever, me faz existir. Passei tanto tempo tentando evitar e não sentir o que estava acontecendo na minha vida que eu abafei a Marlene também, porque ela é a parte sensível de mim, a parte que sente, chora e resolve. Mas acho que nunca é tarde para tentar novamente, e no que cabe a mim eu hoje sei que sempre vou precisar sentir, chorar e resolver então trazer a Marlene/Carol Escritora para mais perto até que ela fique tão intrinsecamente fundida comigo que seja impossível distinguir quem é quem é o que eu quero para a vida.

O fato é que eu nunca me sinto tão eu mesma do que quando me sinto Marlene, como na época da escola quando eu tinha 13 anos e a Marlene me transformou em uma garota mais firme e forte. Eu preciso dela hoje e sei que ela está por ai nas palavras e histórias que por algum motivo eu parei de escrever, mas agora é hora de voltar. É hora de sentir, é hora de chorar, é hora de ser firme e forte, ser Marlene de novo. É hora de escrever.

Espero que gostem, volto em breve com informações sobre a próxima fanfic. ;)

  • dia 25/03/2016

    Isso significa que você vai continuar/começar fanfics? NUM TENDI. O que tendi foi: fanfics. O que nem amo, dã. Confesso que eu tô bem longe de fanfics também. Já mudei de fandom e, inclusive, oscilo entre dois shipps – o que, às vezes, não é bom. Outra coisa: GENTE, COMO EU TAVA COM SAUDADE DA MARLENE! Inclusive, tô q-u-a-s-e colocando o nome dela no meu novo livro. É que sou uma das pessoas mais indecisas do Universo (ainda não sei como não sou libriana, honestamente). Segunda outra coisa: Sirius SEMPRE soube que era lindo, gente! TODAS as fanfics do fandom são escritas sob essa perspectiva! Sirius sempre foi o galinha do grupo, que iludia as gurias – mas, de alguma forma, só era apaixonado pela Lene. Terceira outra coisa: achei muito amor você ter aprendido com a Lene como ser na “vida real”. Adoro quando a literatura faz isso na gente.
    Anyway, só tenho a dizer que amei demais o post, porque me lembra a Antiga Carol. Tenho saudade dessa Antiga Carol, que conversava comigo madrugadas inteiras no MSN. Mas não se preocupe, pois eu amo a Nova Carol também <3
    Vai escrever logo, moça! PRECISO. POR FAVOR.

    Love, Nina.
    http://ninaeuma.blogspot.com/

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  • dia 26/03/2016

    Gente, não poderia fazer nada além de super apoiar você se abrir pros sentimentos e pra uma parte tão importante da sua história.
    Eu nunca escrevi mas lia muitas fica quando era mais nova e também foi uma partemuito importante da construção de quem sou hoje.

    Deixar isso ir também me causou perdas e confusões dentro de min. Foi dificil, mas deu tudo certo no fim. Pra mim.
    Se pra você ainda pode te ajudar, ensinar, evoluir… Que bom que decidiu voltar. Alias, voltar nao. Nao sinto que você esta voltando pra nada, ta continuando né?

    Vou esperar ansiosa pra ler suas fics e conhecer a Marlene!

    Te indiquei pra uma tag la no blog! se curtir responder, espero que goste dessa.
    Beijos
    http://www.amentetransborda.com

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