Se você me segue no instagram eu não preciso dizer que sou uma entusiasta da arte circense. O circo, na verdade, transformou muitas coisas em mim – mais coisas do que eu pensava que ele seria capaz de transformar quando comecei a me envolver com ele, já inclusive mencionei isso para vocês numa carta escrevi para a Carol de 16 anos. E, certo, o spotify, facebook e instastories estão aí para não me deixar mentir que a minha função nessa terra é, na verdade, perpetuar a magia dos musicais por entre aqueles que ainda não a descobriram. Deus sabe que a trilha de La la land, Wicked e Hamilton são os álbuns mais ouvidos no meu streaming de músicas, e não tem um dia que eu passe sem ouvir pelo menos um desses musicais.

E se você se parece qualquer tantinho que seja comigo, você já sabe do que esse post se trata e agora você pode comemorar, porque depois de dez anos desde que vimos Zac Efron dançar e cantar por último em Hairpsray, o eterno Troy Bolton de nossas infâncias está de volta e o que temos aqui não é um mero High School Musical (embora vá, sem dúvida, aquecer o coração daqueles que desde aquela época se apaixonaram pela arte de fazer teatro na telona!).

Mas pode ser que você esteja andando desavisado por essa vida, e, nesse caso, é meu papel aqui te colocar no caminho da verdade, então, caso você ainda não esteja familiarizado sobre o presente que os cinéfilos estão prestes a ganhar nessa quinta-feira, 21, dê play nesse trailer e continue lendo essa postagem porque eu vou te convencer a dar uma chance pro que promete ser meu filme favorito de 2017. Mas, Carol, o que esse filme tem de tão especial?

Hugh Jackman deu seu sangue por ele:

Depois de ter dado um adeus muito digno ao personagem que viveu por tanto tempo, Hugh Jackman vai te presentear com um show de atuação nada parecido com Wolverine. O que você vai encontrar aqui talvez lembre um pouco a atuação incrível que ele entregou como Jean Valjean em Os Miseráveis, mas esteja preparado para ver mais do que isso já que cinco anos se passaram desde o debut de Hugh (somos íntimo) como cantor nas telonas e para artistas que fazem música com tanta paixão o tempo só melhora suas performances.

Além disso, O Rei do Show é uma proposta que partiu de Hugh para a 20th Century e ficou em processo de pré-produção por nove meses, após ter levado mais de sete anos para que Hugh Jackman de fato conseguisse encontrar apoio para produzi-lo e levar seu conceito adiante num estúdio que não produzia Musicais Originais há 23 anos, de modo que Hugh não poderia ignorar a oportunidade quando ela realmente apareceu.

Sendo praticamente uma carta de amor ao mundo do entretenimento e às pessoas que acreditam na arte, nos sonhos e no sonho de viver de arte, não é de espantar que O Rei do Show perpetue a ideia de que o show deve continuar. É por isso que quando aconteceu de o Hugh Jackman, que estava se tratando contra um tipo de câncer de pele, ter que fazer a retirada de um pedaço de carne no seu nariz apenas um dia antes da apresentação que todo o elenco faria para os produtores na última chance que eles tinham de garantir que teriam o dinheiro para que o filme entrasse em produção, ele até tentou se controlar e apenas dublar e atuar em suas músicas, mas quando a música final From Now On chegou não deu pra ficar parado. O resultado desse momento você pode conferir no vídeo (bem emocionante) abaixo, um pouquinho antes de ele começar a sangrar pelo nariz e ter que retornar ao médico para dar ponto em sua cirurgia do dia anterior.

Eles sabem o que estão fazendo:

Estou apostando todas as minhas fichas que O Rei do Show vai ser uma mistura do amor pela arte de produzir entretenimento que vimos em Hugo Cabret com a paixão por entregar um espetáculo bem feito de Moulin Rouge. Tudo entregue com maestria por atores que já aprendemos a amar de outros trabalhos, como a Michelle Williams, o Zac Efron e a Zendaya, mas eu quero chamar atenção para o que realmente vai ficar com você quando sair da sala de cinema e se pegar cantarolando uma melodia alegre antes de o sinal vermelho ficar verde na sua volta pra casa – que é o fato de não precisarmos esperar da trilha sonora nada menos do que a perfeição.

Justin Paul e Benj Pasek são os dois principais nomes assinando a trilha do filme. Você talvez se lembre deles por terem ganhado um Tony pelo musical Dear Evan Hansen (que foi inspirado na perda de um amigo pessoal que Pasek sofreu) – que você provavelmente conhece pela música Waving through a window. Sendo uma produção original da dupla Pasek e Paul, Dear Evan Hansen foi indicado para nove prêmios diferentes, tendo ganhado seis no total.

Ainda não está reconhecendo? Foram eles que levaram pra casa, junto com Justin Hurwitz, o Oscar de melhor canção original no ano passado, pela letra de City of Stars em La La Land, produzida por Hurwitz, mas escrita por Pasek e Paul, além de também serem os responsáveis pela produção sonora do live action de Alladin, que tem estreia prevista para 2019.

Para o Rei do Show a dupla conta com a ajuda de outros dois compositores, mas vou deixar aqui os links para ouvirem a trilha completa do filme. Uma das músicas, This is Me, já foi indicada para o Golden Globes de melhor canção original.

Spotify / Apple Music / Deezer

É baseado em fatos reais:

“A arte mais nobre entre todas é a de fazer alguém feliz.” – P.T.Barnum

O personagem vivido por Hugh Jackman, P.T.Barnum, foi um empresário e empreendedor que se mudou para New York em 1834 e lá iniciou uma trupe de curiosidades para promover o entretenimento através de espetáculos com pessoas fora do padrão e rejeitados pela sociedade, como foi o caso do anão Tom Thumb e do homem de três pernas, Frank Letini (interpretado por Jonathan Redavid). Na esquina da Broadway com a Ann Street, em Manhattan se localizava o Museu Americano Scudder, que se tornou Museu Americano Barnum entre 1841 e 1865 quando Phineas Barnum o comprou para servir como base de seus espetáculos.

O prédio foi queimado pelo Exército Confederado de Manhattan durante a Guerra Civil Americana em 1864, num evento que também incendiou o hotel Astor House, o Fifth Avenue Hotel, o Belmont Hotel, e outros 13 hotéis, bem como um teatro, com a intenção de criar focos de incêndio por toda a cidade e sobrecarregar o corpo de bombeiros de New York para que, assim, conseguissem destruir os principais pontos de entretenimento na cidade.

Foi em 1870, já com 60 anos, que Barnum transformou sua trupe, que sempre fora conhecida por ser uma espécie de museu de peculiaridades, em um circo. A história se lembra dele como o rei dos shows, pois mesmo após outros incêndios, acidentes com trens descarrilados, perda de artistas e animais e muitas mudanças com nomes e parcerias com sócios que não vingaram, Barnum ainda foi o primeiro a exibir um circo com três picadeiros. Mas a fama de Phineas Taylor Barnum foi muito além. Ele também foi político, jornalista, escritor e um dos maiores empreendedores do século 19, conhecido por ser um visionário cativante com facilidade pra angariar patrocinadores e coragem pra fazer o que ninguém tinha feito. É pouco provável que o Rei do Show mencione tantos fatos sobre a história real de Barnum, mas certamente podemos esperar ver o desenrolar da compra do Museu e transformação dele em uma casa de espetáculos.

Além do filme estrelado por Hugh Jackman e dirigido por Michael Gracey e escrito por Bill Condon (Dreamgirls, 2006 e Chicago, 2002) e Jenny Bricks (da série Sex and the City e o filme Tudo que uma garota quer, 2003), há outras obras já produzidas sobre a história de Barnum e o maior espetáculo do planeta. Um musical da Broadway estreiado em 1980, chamado Barnum ficou em cartaz por dois anos, e há também um filme da Paramount de 1952 (The Greatest Showman on Earth).

Há um museu em Connecticut que homenageia Barnum, sua história e obra. O site é incrível, e dá pra passar horas estudando e se perdendo no meio das exibições se você clicar bem aqui, mas se você quiser ver mais sobre a história do museu antigo que foi queimado também tem um site que disponibiliza um tanto bacana de informações.

Não se desculpe por quem você é:

Com a promessa de entregar um espetáculo dedicado à arte de entender que todas as pessoas são diferentes, e dentro dessas diferenças são capazes de se expressarem e serem felizes em harmonia, bem como a ressignificar os conceitos de lar e família, O Rei do Show é sem dúvidas um filme que chega para acrescentar movimento, cores e uma nova perspectiva na arte de cantar histórias – que felizmente vivemos para ver renascer no ano passado com La La Land. A proposta aqui é outra, sim, mas para aqueles que se deixam tocar ainda é igualmente uma narrativa musical incrível sobre sonhos. Sinto cheiro de Oscar, e mal posso esperar.

O Rei do Show (The Greatest Showman) tem pré-estreia no dia 20 de Dezembro, e é melhor você ficar de olho pois em algumas cidade o Cinemark fará sessões de pré-estreia antes da sua data de lançamento oficial, que é dia 25 de Dezembro, nessa quinta-feira, dia 21.

Tá que não se aguenta, né? A gente dá um jeitinho:

Eu me lembro de quando eu comecei a me apaixonar por ele. Eu lembro claro como a luz do dia, e eu não me confundo com nenhum outro sentimento que talvez pudesse ter sido, porque fazia tanto tempo que eu não sentia nada como aquilo que quando veio eu não poderia ter errado o nome.

E eu sei, hoje ele não vem. Mas mesmo sabendo que ele não vem eu não posso evitar desejar que ele viesse.

E eu lembro de perceber que ele me admirava. Foi como respirar uma lufada de vento muito intensa depois de correr quilômetros e quilômetros até sentir o peito arfando. Não é que eu não saiba o meu valor (porque sei), mas há um quê de magia em ouvir da boca de outra pessoa que ela te acha incrível. E eu não me lembro de ouvi-lo dizer isso, mas eu sei que pensava, porque tragava cada palavra que eu dizia, cada história que eu contava e cada besteira que saia da minha boca como se fossem a coisa mais interessante que tivesse ouvido em meses.

Nada disso foi o suficiente pra fazer com que ele viesse hoje. E por um lado tudo bem.

Em partes porque eu estava apavorada, em partes porque eu sabia que o meu pavor não teria me impedido de saltar diretamente para seus braços – só Deus sabe quão longe se pode voar no minuto em que nossos pés saem do chão -, e em partes porque eu sabia que ele não teria sabido o que fazer com todo aquele sentimento. O amor é a própria magia, e toda magia vem com um preço. Às vezes o preço é permitir que feitiços antigos sejam desfeitos para que o encanto das borboletas no estômago perdure por mais tempo, mas parte do pavor é entender que por vezes o preço que se paga pelo orgulho é matar as borboletas e impedi-las de voar.

Eu sei, hoje ele não vem.

Poderia ter vindo, mas isso teria significado uma série de feitiços novos e aceitar que para recomeços acontecerem é necessário finais – para alguém que passou a metade da vida sob a mesma rotina mágica de amor com outra pessoa é difícil enxergar os encantamentos de uma nova magia com carinho. Não quer dizer que eles não estejam lá, os encantamentos que o amor causa, é o que quero dizer.

E eu sei que ele precisa de um tempo para colocar a cabeça no lugar e se adaptar a uma vida sem faíscas douradas se acendendo ao tocar de dedos. No fundo todo nós precisamos entender que para ser capaz de fazer a magia acontecer é necessário aceitar que somos apenas pessoas ordinárias e o segredo da magia é sempre sobre quando ela se encontrar com outro alguém tão comum quanto nós para se tornar extraordinária.

Me lembro de tudo.

Do comentário que ele fez sobre a minha foto. Da mão dele sobre a minha na sala escura do cinema – e de como isso não pareceu errado, mas pareceu a única coisa propícia para aquele momento. De como eu fiquei com as bochechas anestesiadas, de tanto sorrir naquela noite em que ele me fez sentir bem em ser apenas uma garota ordinária falando sobre seus sonhos extraordinários e de como, apesar de apavorada, eu também me sentia radiante por ser novamente capaz de falar com alguém sobre os meus maiores medos.

Houveram faíscas com ele. Ele foi como um feitiço de levitação que lançaram sobre o meu coração numa época em que eu não pensei que fosse mais capaz de voar. E eu sei que ele não estava pronto pra essa magia. Eu sei que ele não estava pronto para tirar seus pés do chão ou permitir que seu peito inflasse a ponto de sair flutuando leve por aí. E eu sei, hoje ele não vem.

Mas eu queria, só dessa vez, que fosse sobre mim e o que eu precisava. Não foi, porque eu acho que nem sempre as pessoas percebem o que o amor delas pode fazer por nós. Não quando elas tem medo do que o sentir vai causar nelas e do quão longe pessoas ordinárias podem ir com uma magia extraordinária em sintonia que tira seus pés para dançar e as faz flutuar.

Às vezes, quando a gente se esquece do que a magia pode fazer e do quanto o amor é capaz nos falta a percepção de quão leve o voo é, mas para quem não sente que ainda pode voar eu preciso lembra-los, de que para cada voo é necessário um salto – e nem sempre há alguém para te pegar lá embaixo, é assim que pessoas comuns aprendem a flutuar pela noite. Às vezes as faíscas iluminam toda a escuridão de um outro céu, mas às vezes voamos sozinhos.

Hoje – eu sei – ele não vem.

Eu evito arrumar a bagunça porque acho que vou colocar o mundo em ordem através de palavras. Me sento e vou organizando as coisas, ideias e pensamentos, e toda uma outra infinidade de coisas. Enfileirando as letras umas na frente das outras. Tem coisas que simplesmente parecem certas na minha vida, não sei se você também se sente assim às vezes, como colocar o nescau antes e o leite depois, sabe? Parece certo. É mais ou menos o que eu tento fazer na vida, só que com palavras.

Uma outra coisa que também parece certo é tentar demonstrar o quanto uma pessoa é especial para mim escrevendo para ela. Prometi que faria isso, de modo que parece certo estar aqui escrevendo este texto agora, para que você o leia amanhã ou depois, ou quando se sentir sozinho, ou quando quiser se sentir amado. Ou qualquer dia, na verdade.

E, entenda, eu poderia escrever sobre várias coisas aqui. Eu poderia escrever sobre algumas sensações que você causa em mim, de que sou querida, por exemplo. Mas quero escrever sobre outra coisa, uma coisa que andava meio perdida na minha vida, e você trouxe de volta. É simplicidade.

Eu te escrevi por aqui um dia desses e falei sobre como nós não somos o tipo de pessoa que precisa de um rótulo, e que não somos o tipo de pessoa que vive de amor, mas vive de paixão – que é físico, queima e acaba, e tudo bem ser assim. Mas pra falar a verdade mudei de ideia, porque falar que coisa X é amor e coisa Y é paixão também é rotular, e a cada dia mais tenho percebido que não faz o menor sentido fazer isso com as coisas. Principalmente pessoas. Principalmente sentimentos.

Daí cheguei a conclusão que sou o tipo de pessoa que vive de momentos. Eu coleto pequenos momentos instantâneos de felicidade (vai ver é por isso que sou aficionada pela câmera). São coisas simples que me fazem feliz e que me fazem perceber que a vida vale a pena e que a gente foi posto aqui para fazer alguma coisa mais legal e interessante do que nascer, viver pra pagar o iptu e depois morrer.

Você foi me ensinando a coletar momentos de felicidade em descuidos, sorvete de doce de leite, caminhar de volta pra casa na chuva, uma música que gosto tocando em um bar. Pequenos momentos meus de solidão na madrugada (que aliás eu aprecio muito e evito ter interferência do mundo exterior), tiveram eventuais risadas porque você estava do outro lado da tela. Abraços roubados na total escuridão de um quarto. Até uma respiração pesada seguida de um beijo eu coletei de recordação.

Não são coisas que precisam de um rótulo, mas ainda assim são momentos simples – como você – que me fazem feliz. Por isso, quando você me pergunta o que significa ser um amigo, acho que deve ser alguma coisa relacionada a isso: a sensação de ficar feliz perto de alguém que você não depende emocionalmente, mas, pelo fato de estar ali, sem precisar de um contrato, de compromisso, ou de qualquer coisa além de um cafuné, faz com que a vida seja mais do que nascer, viver para pagar o iptu e depois morrer.

Tomara que você acabe descobrindo um dia por aí nessas andanças da vida, que também é coletor de momentos, e, dia sim, mês não a gente se encontra, e coleta um momento por aí em algum lugar aconchegante e com alguma música boa. E ninguém que não tenha coletado aquele momento vai precisar saber, porque não é da conta de ninguém. E não vai ser um daqueles momentos que vai parar no facebook, não. Não é o tipo de coisa que precisa ser rotulado e exposto, lembra? É o tipo de coisa simples, tipo passarinho que aparece na janela pra acompanhar o canto.

E, tudo bem, pode ser que tentar entender o que de fato significa ser um amigo já entre na roda dos rótulos, mas não é como se você fosse citar meu nome como exemplo de amizade, não é mesmo? Ora, francamente, estou longe de ser um exemplo de qualquer coisa! Mas, acho que ser um amigo pra você tem um pouco dessas coisas que já disse, e também algumas séries na TV, cookies, nenhum compromisso no Natal, nenhuma necessidade de entender, apenas necessidade de ser. No máximo uma sorveteria, isso é bem mais nossa cara, convenhamos.

Eventualmente você vai continuar o que começou no outro dia, e me matar de rir com cócegas tentando pegar o livro que estou lendo ou o meu celular. Vou fingir que você não levantou minha blusa demais e a gente vai seguindo com uma coleção de momentos que são nossos demais.

A verdade é que só precisa parecer certo e fazer sentido, tipo palavras. Verbo, sujeito e objeto, ou, se você não quiser ir tão longe e for apelar para as coisas simples, volto pro primeiro exemplo, do leite com nescau. Rotularam de café da manhã, mas pra mim é só uma coisa que parece certo.

Que nem você, passarinho cantando na minha janela.

E já não me sinto tão só, com você ao meu redor.

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