Eu gostava de pensar que a gente sempre tinha sido sinceros um com o outro, mas quando eu olho pra trás e vejo as luzes de Natal piscando por toda a cidade, eu volto pra casa sozinha e eu sei que ele não vai estar comigo pra me ensinar que tipo de semente das frutas natalinas eu preciso guardar na minha carteira pra ter um ano legal.

E olha, eu nem sou realmente uma pessoa supersticiosa, mas eu acredito em falar a verdade, foi difícil aceitar que às vezes ela é capaz de partir corações tão mais eficientemente do que uma espada muito afiada, mas ainda acredito. Acho que mais do que acreditava antes.

Apesar de ter pensado – por muito tempo – que a gente sempre tinha sido sinceros um com o outro, tem uma pergunta que eu nunca fiz. E não sei se é porque me forcei a acreditar que não faria diferença o que ele diria ou porque eu achava que poderia viver sem saber a resposta, ou porque uma parte de mim já sabia sem que ele precisasse dizer.

O instinto é uma coisa forte, ele realmente vai fazer de tudo para cuidar de nós. E por vezes as pessoas que amam tentam disfarçar o que sentem com outras palavras e definições e complicações, apesar de suas atitudes carinhosas nos mostrarem que se importam, porque não se sentem fortes o suficiente para assumirem o amor que sentem. O contrário também acontece, e o instinto sempre sabe. Nunca é impressão. Quando as pessoas tentam disfarçar sua falta de carinho conosco com palavras e definições complicadas, apesar das atitudes de desprezo nos mostrarem que não se importam, nós sentimos, mesmo que não sejamos fortes o suficiente para irmos embora do amor que não existe mais.

A pergunta que eu nunca fiz tinha um pouco a ver com a minha curiosidade em entender se a questão era que ele não acredita que o amor era mesmo tudo que eu falava que ele era, ou se ele acreditava que o amor podia ser tão grande e forte, mas não desejava mais senti-lo. Ou se não desejava senti-lo por mim – experiências passadas frequentemente tem o poder de nos alertar para os perigos em se permitir viver coisas novas. É também parte do tentar se proteger, ai ai ai com esse tal de instinto.

Mas eu sabia que a forma dele de me tratar não era a de alguém que não sentia nada. Parecia mais como a de quem sentia muita coisa, apesar de se esforçar bastante para não dar espaço pra esse sentimento crescer em sua vida. Hoje não é que eu tenha deixado de acreditar que o amor é capaz de salvar as pessoas – porque ainda acho – eu só não acredito que ele precisava ser salvo, e, se precisava, não achava que eu poderia fazê-lo.

Às vezes insistimos nas pessoas. Nem sempre por amor, acho que de vez em quando é apenas medo de admitir que falhamos, que o amor não foi capaz de sustentar um relacionamento – é um peso que ninguém está disposta a carregar. Quando olho bem eu não sei porque eu fiquei tanto tempo, gostaria de poder dizer que foi porque eu o amava muito, mas não tenho certeza se foi por ele, acho que foi egoísmo mesmo. Foi por não ser capaz de dizer pra eu mesma que o meu sentimento não era forte o bastante pra tapar o buraco imenso que a falta de amor dele deixou nas nossas vidas.

Mas eu sei porque eu fui. Porque amar alguém nem sempre significa permanecer. Amar os outros só pode fluir corretamente, como barquinho de papel solto pela correnteza do riacho, quando não dependemos desse sentimento para entender que merecemos ser felizes, e merecemos o amor, e vamos conseguir isso independente de se o outro tem amor o suficiente pra nos salvar ou não. Acontece que às vezes o que a pessoa precisa não é você: nesse caso amar alguém significa ir embora.

Quando o outro vai embora de mim eu sobrevivo, mas se eu for embora de mim qual amor vai me salvar? E amamos tanto os outros que não percebemos que nesse caso nos amar significa ir embora do outro.

Nunca aprendi a ser supersticiosa, de modo que essa está longe de ser uma história sobre a pergunta que eu nunca fiz porque já sabia a resposta ou do que ele nunca se importou em me dizer, ou das sementes de ameixa que nunca guardei em minha carteira para ter um bom ano. Hoje eu vi luzes piscando, me sentei perto de uma árvore cheia de enfeites e fiz uma oração, e pela primeira vez em muito tempo não teve nada a ver com ele. A verdade é mais forte que qualquer milagre de Natal e ela liberta mais do que a sorte das superstições.

Sendo muito sincera como gosto de pensar que sou, digo aqui: essa era a história que eu queria contar. Porque não há amor nesse mundo capaz de salvar quem não quer ser salvo, e isso, percebi vendo luzes brilharem, está muito longe de significar fracasso pra quem tem um coração inteiro disposto a viver novas aventuras por riachos inexplorados.

Se você me segue no instagram eu não preciso dizer que sou uma entusiasta da arte circense. O circo, na verdade, transformou muitas coisas em mim – mais coisas do que eu pensava que ele seria capaz de transformar quando comecei a me envolver com ele, já inclusive mencionei isso para vocês numa carta escrevi para a Carol de 16 anos. E, certo, o spotify, facebook e instastories estão aí para não me deixar mentir que a minha função nessa terra é, na verdade, perpetuar a magia dos musicais por entre aqueles que ainda não a descobriram. Deus sabe que a trilha de La la land, Wicked e Hamilton são os álbuns mais ouvidos no meu streaming de músicas, e não tem um dia que eu passe sem ouvir pelo menos um desses musicais.

E se você se parece qualquer tantinho que seja comigo, você já sabe do que esse post se trata e agora você pode comemorar, porque depois de dez anos desde que vimos Zac Efron dançar e cantar por último em Hairpsray, o eterno Troy Bolton de nossas infâncias está de volta e o que temos aqui não é um mero High School Musical (embora vá, sem dúvida, aquecer o coração daqueles que desde aquela época se apaixonaram pela arte de fazer teatro na telona!).

Mas pode ser que você esteja andando desavisado por essa vida, e, nesse caso, é meu papel aqui te colocar no caminho da verdade, então, caso você ainda não esteja familiarizado sobre o presente que os cinéfilos estão prestes a ganhar nessa quinta-feira, 21, dê play nesse trailer e continue lendo essa postagem porque eu vou te convencer a dar uma chance pro que promete ser meu filme favorito de 2017. Mas, Carol, o que esse filme tem de tão especial?

Hugh Jackman deu seu sangue por ele:

Depois de ter dado um adeus muito digno ao personagem que viveu por tanto tempo, Hugh Jackman vai te presentear com um show de atuação nada parecido com Wolverine. O que você vai encontrar aqui talvez lembre um pouco a atuação incrível que ele entregou como Jean Valjean em Os Miseráveis, mas esteja preparado para ver mais do que isso já que cinco anos se passaram desde o debut de Hugh (somos íntimo) como cantor nas telonas e para artistas que fazem música com tanta paixão o tempo só melhora suas performances.

Além disso, O Rei do Show é uma proposta que partiu de Hugh para a 20th Century e ficou em processo de pré-produção por nove meses, após ter levado mais de sete anos para que Hugh Jackman de fato conseguisse encontrar apoio para produzi-lo e levar seu conceito adiante num estúdio que não produzia Musicais Originais há 23 anos, de modo que Hugh não poderia ignorar a oportunidade quando ela realmente apareceu.

Sendo praticamente uma carta de amor ao mundo do entretenimento e às pessoas que acreditam na arte, nos sonhos e no sonho de viver de arte, não é de espantar que O Rei do Show perpetue a ideia de que o show deve continuar. É por isso que quando aconteceu de o Hugh Jackman, que estava se tratando contra um tipo de câncer de pele, ter que fazer a retirada de um pedaço de carne no seu nariz apenas um dia antes da apresentação que todo o elenco faria para os produtores na última chance que eles tinham de garantir que teriam o dinheiro para que o filme entrasse em produção, ele até tentou se controlar e apenas dublar e atuar em suas músicas, mas quando a música final From Now On chegou não deu pra ficar parado. O resultado desse momento você pode conferir no vídeo (bem emocionante) abaixo, um pouquinho antes de ele começar a sangrar pelo nariz e ter que retornar ao médico para dar ponto em sua cirurgia do dia anterior.

Eles sabem o que estão fazendo:

Estou apostando todas as minhas fichas que O Rei do Show vai ser uma mistura do amor pela arte de produzir entretenimento que vimos em Hugo Cabret com a paixão por entregar um espetáculo bem feito de Moulin Rouge. Tudo entregue com maestria por atores que já aprendemos a amar de outros trabalhos, como a Michelle Williams, o Zac Efron e a Zendaya, mas eu quero chamar atenção para o que realmente vai ficar com você quando sair da sala de cinema e se pegar cantarolando uma melodia alegre antes de o sinal vermelho ficar verde na sua volta pra casa – que é o fato de não precisarmos esperar da trilha sonora nada menos do que a perfeição.

Justin Paul e Benj Pasek são os dois principais nomes assinando a trilha do filme. Você talvez se lembre deles por terem ganhado um Tony pelo musical Dear Evan Hansen (que foi inspirado na perda de um amigo pessoal que Pasek sofreu) – que você provavelmente conhece pela música Waving through a window. Sendo uma produção original da dupla Pasek e Paul, Dear Evan Hansen foi indicado para nove prêmios diferentes, tendo ganhado seis no total.

Ainda não está reconhecendo? Foram eles que levaram pra casa, junto com Justin Hurwitz, o Oscar de melhor canção original no ano passado, pela letra de City of Stars em La La Land, produzida por Hurwitz, mas escrita por Pasek e Paul, além de também serem os responsáveis pela produção sonora do live action de Alladin, que tem estreia prevista para 2019.

Para o Rei do Show a dupla conta com a ajuda de outros dois compositores, mas vou deixar aqui os links para ouvirem a trilha completa do filme. Uma das músicas, This is Me, já foi indicada para o Golden Globes de melhor canção original.

Spotify / Apple Music / Deezer

É baseado em fatos reais:

“A arte mais nobre entre todas é a de fazer alguém feliz.” – P.T.Barnum

O personagem vivido por Hugh Jackman, P.T.Barnum, foi um empresário e empreendedor que se mudou para New York em 1834 e lá iniciou uma trupe de curiosidades para promover o entretenimento através de espetáculos com pessoas fora do padrão e rejeitados pela sociedade, como foi o caso do anão Tom Thumb e do homem de três pernas, Frank Letini (interpretado por Jonathan Redavid). Na esquina da Broadway com a Ann Street, em Manhattan se localizava o Museu Americano Scudder, que se tornou Museu Americano Barnum entre 1841 e 1865 quando Phineas Barnum o comprou para servir como base de seus espetáculos.

O prédio foi queimado pelo Exército Confederado de Manhattan durante a Guerra Civil Americana em 1864, num evento que também incendiou o hotel Astor House, o Fifth Avenue Hotel, o Belmont Hotel, e outros 13 hotéis, bem como um teatro, com a intenção de criar focos de incêndio por toda a cidade e sobrecarregar o corpo de bombeiros de New York para que, assim, conseguissem destruir os principais pontos de entretenimento na cidade.

Foi em 1870, já com 60 anos, que Barnum transformou sua trupe, que sempre fora conhecida por ser uma espécie de museu de peculiaridades, em um circo. A história se lembra dele como o rei dos shows, pois mesmo após outros incêndios, acidentes com trens descarrilados, perda de artistas e animais e muitas mudanças com nomes e parcerias com sócios que não vingaram, Barnum ainda foi o primeiro a exibir um circo com três picadeiros. Mas a fama de Phineas Taylor Barnum foi muito além. Ele também foi político, jornalista, escritor e um dos maiores empreendedores do século 19, conhecido por ser um visionário cativante com facilidade pra angariar patrocinadores e coragem pra fazer o que ninguém tinha feito. É pouco provável que o Rei do Show mencione tantos fatos sobre a história real de Barnum, mas certamente podemos esperar ver o desenrolar da compra do Museu e transformação dele em uma casa de espetáculos.

Além do filme estrelado por Hugh Jackman e dirigido por Michael Gracey e escrito por Bill Condon (Dreamgirls, 2006 e Chicago, 2002) e Jenny Bricks (da série Sex and the City e o filme Tudo que uma garota quer, 2003), há outras obras já produzidas sobre a história de Barnum e o maior espetáculo do planeta. Um musical da Broadway estreiado em 1980, chamado Barnum ficou em cartaz por dois anos, e há também um filme da Paramount de 1952 (The Greatest Showman on Earth).

Há um museu em Connecticut que homenageia Barnum, sua história e obra. O site é incrível, e dá pra passar horas estudando e se perdendo no meio das exibições se você clicar bem aqui, mas se você quiser ver mais sobre a história do museu antigo que foi queimado também tem um site que disponibiliza um tanto bacana de informações.

Não se desculpe por quem você é:

Com a promessa de entregar um espetáculo dedicado à arte de entender que todas as pessoas são diferentes, e dentro dessas diferenças são capazes de se expressarem e serem felizes em harmonia, bem como a ressignificar os conceitos de lar e família, O Rei do Show é sem dúvidas um filme que chega para acrescentar movimento, cores e uma nova perspectiva na arte de cantar histórias – que felizmente vivemos para ver renascer no ano passado com La La Land. A proposta aqui é outra, sim, mas para aqueles que se deixam tocar ainda é igualmente uma narrativa musical incrível sobre sonhos. Sinto cheiro de Oscar, e mal posso esperar.

O Rei do Show (The Greatest Showman) tem pré-estreia no dia 20 de Dezembro, e é melhor você ficar de olho pois em algumas cidade o Cinemark fará sessões de pré-estreia antes da sua data de lançamento oficial, que é dia 25 de Dezembro, nessa quinta-feira, dia 21.

Tá que não se aguenta, né? A gente dá um jeitinho:

Eu me lembro de quando eu comecei a me apaixonar por ele. Eu lembro claro como a luz do dia, e eu não me confundo com nenhum outro sentimento que talvez pudesse ter sido, porque fazia tanto tempo que eu não sentia nada como aquilo que quando veio eu não poderia ter errado o nome.

E eu sei, hoje ele não vem. Mas mesmo sabendo que ele não vem eu não posso evitar desejar que ele viesse.

E eu lembro de perceber que ele me admirava. Foi como respirar uma lufada de vento muito intensa depois de correr quilômetros e quilômetros até sentir o peito arfando. Não é que eu não saiba o meu valor (porque sei), mas há um quê de magia em ouvir da boca de outra pessoa que ela te acha incrível. E eu não me lembro de ouvi-lo dizer isso, mas eu sei que pensava, porque tragava cada palavra que eu dizia, cada história que eu contava e cada besteira que saia da minha boca como se fossem a coisa mais interessante que tivesse ouvido em meses.

Nada disso foi o suficiente pra fazer com que ele viesse hoje. E por um lado tudo bem.

Em partes porque eu estava apavorada, em partes porque eu sabia que o meu pavor não teria me impedido de saltar diretamente para seus braços – só Deus sabe quão longe se pode voar no minuto em que nossos pés saem do chão -, e em partes porque eu sabia que ele não teria sabido o que fazer com todo aquele sentimento. O amor é a própria magia, e toda magia vem com um preço. Às vezes o preço é permitir que feitiços antigos sejam desfeitos para que o encanto das borboletas no estômago perdure por mais tempo, mas parte do pavor é entender que por vezes o preço que se paga pelo orgulho é matar as borboletas e impedi-las de voar.

Eu sei, hoje ele não vem.

Poderia ter vindo, mas isso teria significado uma série de feitiços novos e aceitar que para recomeços acontecerem é necessário finais – para alguém que passou a metade da vida sob a mesma rotina mágica de amor com outra pessoa é difícil enxergar os encantamentos de uma nova magia com carinho. Não quer dizer que eles não estejam lá, os encantamentos que o amor causa, é o que quero dizer.

E eu sei que ele precisa de um tempo para colocar a cabeça no lugar e se adaptar a uma vida sem faíscas douradas se acendendo ao tocar de dedos. No fundo todo nós precisamos entender que para ser capaz de fazer a magia acontecer é necessário aceitar que somos apenas pessoas ordinárias e o segredo da magia é sempre sobre quando ela se encontrar com outro alguém tão comum quanto nós para se tornar extraordinária.

Me lembro de tudo.

Do comentário que ele fez sobre a minha foto. Da mão dele sobre a minha na sala escura do cinema – e de como isso não pareceu errado, mas pareceu a única coisa propícia para aquele momento. De como eu fiquei com as bochechas anestesiadas, de tanto sorrir naquela noite em que ele me fez sentir bem em ser apenas uma garota ordinária falando sobre seus sonhos extraordinários e de como, apesar de apavorada, eu também me sentia radiante por ser novamente capaz de falar com alguém sobre os meus maiores medos.

Houveram faíscas com ele. Ele foi como um feitiço de levitação que lançaram sobre o meu coração numa época em que eu não pensei que fosse mais capaz de voar. E eu sei que ele não estava pronto pra essa magia. Eu sei que ele não estava pronto para tirar seus pés do chão ou permitir que seu peito inflasse a ponto de sair flutuando leve por aí. E eu sei, hoje ele não vem.

Mas eu queria, só dessa vez, que fosse sobre mim e o que eu precisava. Não foi, porque eu acho que nem sempre as pessoas percebem o que o amor delas pode fazer por nós. Não quando elas tem medo do que o sentir vai causar nelas e do quão longe pessoas ordinárias podem ir com uma magia extraordinária em sintonia que tira seus pés para dançar e as faz flutuar.

Às vezes, quando a gente se esquece do que a magia pode fazer e do quanto o amor é capaz nos falta a percepção de quão leve o voo é, mas para quem não sente que ainda pode voar eu preciso lembra-los, de que para cada voo é necessário um salto – e nem sempre há alguém para te pegar lá embaixo, é assim que pessoas comuns aprendem a flutuar pela noite. Às vezes as faíscas iluminam toda a escuridão de um outro céu, mas às vezes voamos sozinhos.

Hoje – eu sei – ele não vem.

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